Amor proibido, escondido no peito,
Distância que o corpo impõe, mas, do modo perfeito,
A alma encontra um jeito de atravessar o vazio —
Meu cheiro chegava até você, ardente e vivo.
Mesmo longe, em outro canto, em outro chão,
Eu invadia cada fresta da sua percepção.
Toda mulher que eu via pela rua,
Por um instante, se tornava você — a mesma lua
Refletida em rostos que não eram seus,
Coisa de alma, coisa que os olhos meus
Não sabiam explicar, só obedecer:
Onde houvesse um vestígio seu, eu ia arder.
Não era o corpo, não era a aparência,
Era um fogo mais fundo, feito de essência —
Alma gêmea, doce veneno que insiste,
Mesmo quando o mundo diz que amor assim não existe.
Se não é alma o que nos une e nos consome,
Não sei que nome dar, só sei dizer seu nome.