O peito dela abriga um mar em ventania,
que engole o calmo instante e cospe a agonia
Ele caminha a passos largos pelo quarto,
carregando no peito um peso sempre farto
O tempo corre aos olhos dela em disparada,
enquanto o corpo estagna na calçada
Ele projeta o amanhã com nitidez,
e perde o agora mais uma outra vez
Ela escuta o relógio em eco estridente,
ditando a pressa que consome a mente
Ele sente o ar sumir sem um motivo,
na luta insana para se manter ativo
A sombra dela cresce à luz do abajur,
tecendo o medo em um nó tão escuro
O mundo cobra dele o que ele não tem,
e o pensamento corre além do além.
12/10/26