Era uma vez uma raposa cruel que avistou um pássaro a voar livre pelo céu. Com a astúcia de uma cascavel, ela estendeu à ave um papel que parecia impossível de recusar.
— Coma esta fruta primeiro — disse a raposa — e logo depois olhe o papel.
O pássaro olhou para a folha, mas as letras eram estranhas e confusas. Percebendo a hesitação, a raposa insistiu com voz mansa:
— Assine aqui e todos os seus problemas irão se resolver.
Muito inocente, a ave assinou. No mesmo instante, a raposa avançou, devorou suas asas e começou a persegui-la.
Após muito tempo fugindo e clamando por socorro, a ave conseguiu se esconder em um arbusto. Foi ali, no silêncio do esconderijo, que ela olhou com mais atenção para aquelas letras estranhas. Percebeu, tarde demais, que havia assinado um contrato onde entregava sua alma, sua vida e suas asas. A raposa agora tinha o controle sobre tudo o que ela sentia.
Não demorou para que os passos pesados da raposa ecoassem por perto. Ela encontrou a ave e a devorou viva, sem piedade. Satisfeita por um momento, a raposa voltou a embrenhar-se na mata à procura de novas vítimas — e muitas outras aves perderam a vida da mesma forma.
Moral da história:
Nunca confie em quem se aproveita da sua inocência. Não assine papéis sem ler direito e desconfie de promessas mágicas que prometem resolver todos os seus problemas facilmente. Como diz o ditado: quando a esmola é demais, até o santo desconfia.