Fico do lado da musa. Depois de tantos sonetos com o poeta a falar de amor, ela ganha finalmente a palavra e a primeira coisa que faz é chamar-lhe delirante.
A MUSA - singular segunda pessoa
Pensamento
Fico do lado da musa. Depois de tantos sonetos com o poeta a falar de amor, ela ganha finalmente a palavra e a primeira coisa que faz é chamar-lhe delirante.
Conteúdo da publicação
singular segunda pessoa
A MUSA
— "Liras? Qual o quê, poeta! Acaso tu deliras?
Tudo o que escuto aqui são as insanidades
Com que tu, delirante, os ouvidos me invades,
Mas te dizes ferido à flecha de más miras..."
"Acorda e não verás veras mentiras.
Por Estética, o poeta haja como verdades
No engenho, em busca esteta originalidades;
Na arte, se honestidade em quanto tu te inspiras;."
"Chamas-me musa; luz que brilha em teu olhar.
Não penetras, porém, as trevas que contenho,
Nas angústias de quem procura m'encantar."
"Canta, poeta... Escuta as verdades que tenho:
Belas mentiras tua arte pode contar,
Tu me amas? Nada sabes de quem sou ou venho!
* * *
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