parabéns pelo poema, eu amei de verdade. Eu sei como é, a vida é tão diferente e muda a cada momento, há coisas que nós queremos e que não, mas nós temos que aguentar todos esses momentos, sejam eles bons ou ruins. Viver não significa fazer tudo o que quer, mas aproveitar cada trecho que a vida te dá! Se torne a mulher que você quer se tornar, mas com juízo tá? kkak
A menina que nunca deu trabalho
Pensamento
parabéns pelo poema, eu amei de verdade. Eu sei como é, a vida é tão diferente e muda a cada momento, há coisas que nós queremos e que não, mas nós temos que aguentar todos esses momentos, sejam eles bons ou ruins. Viver não significa fazer tudo o que que
Conteúdo da publicação
Eu sempre me senti diferente.
Era a quietinha da primeira carteira,
a das notas boas, a menina comportada,
a que quase sempre era escolhida para os grupos
não por quem era,
mas pelo que podia entregar no final da jornada.
E eu nem sabia.
Achava que pertencer era aquilo:
ser útil, ser boa, não incomodar,
ter sempre alguma coisa bonita para oferecer
e nunca dar motivos para alguém reclamar.
Minha avó dizia, com certo orgulho,
que eu nunca dei trabalho.
E talvez eu tenha feito dessa frase
um dos meus maiores retratos:
a menina que não pedia muito,
que não fazia barulho,
que aprendia a guardar o choro
para não preocupar quem amava.
Fui crescendo assim,
colecionando elogios por ser tão madura,
enquanto alguma parte de mim
ainda queria correr sem rumo,
rir até doer a barriga,
fazer uma besteira e depois contar,
viver histórias que não precisassem terminar
com a certeza de ter feito tudo certo.
Mas o tempo passou.
E agora, nos meus dezenove para vinte anos,
eu olho para trás e me pergunto
quantas versões de mim ficaram esperando
por uma coragem que nunca chegou.
Vejo gente da minha idade vivendo,
saindo, errando,
fazendo escolhas duvidosas numa sexta-feira
e descobrindo como se consertar no sábado.
Gente que se perde um pouco
para aprender o caminho de volta.
E eu?
Eu ainda penso duas vezes,
gosto dos lugares tranquilos,
das conversas sem pressa,
dos cantinhos onde o silêncio
não precisa ser preenchido.
Às vezes me pergunto
se gosto mesmo de tanta calma
ou se apenas aprendi a não fazer barulho.
Se sou assim porque é da minha alma
ou porque passei a vida inteira
tentando não dar trabalho aos meus pais.
Será que fui uma menina tranquila
ou apenas uma menina que entendeu cedo demais
que ser fácil de cuidar
era uma maneira bonita de ser amada?
Não sei.
Talvez as duas coisas sejam verdade.
Talvez eu tenha nascido com o coração sereno,
mas também tenha deixado de viver certas coisas
por medo de decepcionar
quem só queria me ver acertar.
E dói pensar nisso,
não porque eu queira apagar quem fui,
mas porque, às vezes,
sinto saudade de uma adolescência
que mal me lembro de ter vivido.
Saudade de uma menina
que ainda nem sabia do que gostava,
porque estava ocupada demais
sendo aquilo que todos esperavam dela.
Mas acho que ainda dá tempo.
Acho que não perdi o direito de viver
só por demorar para começar.
Não preciso compensar os anos com excessos,
nem aprender a ser inconsequente
só para provar que também sei aproveitar.
Eu posso sair,
dançar até cansar,
se apaixonar sem ter todas as respostas,
rir alto, mudar de ideia,
errar em coisas pequenas
e descobrir que o mundo não acaba
quando eu deixa de ser perfeita.
Posso continuar gostando da paz
e, ainda assim, conhecer o inesperado.
Posso ser prudente sem ser prisioneira,
ser responsável sem carregar o mundo,
ser uma boa filha
sem passar a vida tentando merecer esse título.
Porque existe uma diferença
entre nunca dar trabalho
e nunca se permitir viver.
E eu quero aprender essa diferença.
Quero que a mulher que sou hoje
pegue a mão daquela menina comportada
e a leve para conhecer o mundo.
Sem pressa, sem culpa,
sem precisar provar nada a ninguém.
Quero que ela descubra
que não precisa ser a melhor aluna,
a amiga mais útil,
a filha mais fácil,
a pessoa que sempre entende tudo.
Às vezes, ela também posso não saber.
Posso precisar de colo,
Posso mudar de planos,
posso simplesmente existir
sem transformar cada gesto em motivo de orgulho.
Afinal, eu também sou feita de vontades,
de sonhos que ainda não contei,
de lugares que nunca visitei,
de versões minhas que ainda não conheci.
E, se passei boa parte da vida
tentando ser motivo de tranquilidade,
agora quero aprender a ser
motivo de alegria para mim mesma.
Não quero deixar de ser quem sou.
Só não quero continuar confundindo
ser uma boa menina
com passar despercebida pela própria vida.
Ainda estou nos meus dezenove anos.
Ainda há domingos para virar lembranças,
estradas para percorrer,
amores para descobrir,
risadas para dar sem olhar o relógio.
Ainda há tanta vida
esperando que eu abra a porta.
E, desta vez,
não quero entrar nela pedindo licença
por ser quem sou.
Quero entrar de mãos dadas comigo,
com juízo, é claro porque também não sou doida, né?
mas com o coração um pouco mais livre,
a coragem um pouco mais acesa
e a certeza de que não preciso fazer tudo certo
para merecer viver coisas bonitas.
Porque talvez eu sempre tenha sido diferente.
E talvez nunca tenha havido nada de errado nisso.
Talvez eu só tenha passado tempo demais
tentando caber na vida que esperavam de mim,
quando a minha própria vida,
silenciosa e paciente,
esperava apenas que eu chegasse.
E agora eu cheguei.
Ainda sou a menina da primeira carteira,
a neta que nunca deu trabalho,
a filha que sempre quis fazer tudo direito.
Mas também sou a mulher
que está aprendendo a escolher a si mesma.
E, pela primeira vez,
não quero apenas crescer.
Quero viver.
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Permalinkparabéns pelo poema, eu amei de verdade. Eu sei como é, a vida é tão diferente e muda a cada momento, há coisas que nós queremos e que não, mas nós temos que aguentar todos esses momentos, sejam eles bons ou ruins. Viver não significa fazer tudo o que quer, mas aproveitar cada trecho que a vida te dá! Se torne a mulher que você quer se tornar, mas com juízo tá? kkak
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