Conheço bem essa tradução automática, em que uma crítica entra como recado e sai como sentença. Nunca vi ninguém pô-la no papel assim.
A Menina que Esqueceu de Sorrir
Uma história sobre crescer, se perder e tentar voltar para casa
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Pensamento
Conheço bem essa tradução automática, em que uma crítica entra como recado e sai como sentença. Nunca vi ninguém pô-la no papel assim.
Conteúdo da publicação
Uma história sobre crescer, se perder e tentar voltar para casa
Prólogo — A menina do sorriso
Em uma pequena cidade, onde quase todo mundo conhecia o nome de quase todo mundo, vivia uma menina que parecia carregar o sol dentro do peito. Ela sorria. Sorria quando estava feliz, quando estava nervosa, quando não sabia o que dizer e, às vezes, até quando não havia motivo algum. Era difícil vê-la chorando. Não porque sua vida fosse perfeita, mas porque ela tinha aprendido a enxergar beleza nas pequenas coisas. Um dia comum podia se transformar em uma lembrança especial apenas porque ela havia encontrado alguma razão para sorrir.
Ela tinha um coração puro. Puro como o de uma criança que ainda acredita que as pessoas são boas antes de aprender que algumas delas não são. Sua família era seu porto seguro. Havia carinho, cuidado, abraços e uma preocupação constante em construir para ela um futuro bonito. Eles queriam que ela tivesse oportunidades, que conhecesse o mundo e que jamais precisasse enfrentar tudo sozinha. E talvez fosse justamente por isso que, durante muito tempo, ela acreditou que o mundo era parecido com sua casa. Seguro, acolhedor, bom. Até que alguém apareceu. E, sem perceber, aquele alguém seria a primeira fresta na bolha onde ela havia crescido.
Capítulo 1 — Dentro da bolha
Ela não sabia que vivia em uma bolha. Para ela, aquilo era simplesmente a vida. Acreditava que, quando alguém gostava de você, cuidava de você, que quando alguém dizia que estava ao seu lado, realmente estaria, que as pessoas conversavam quando havia problemas, que pedir desculpas significava arrependimento, que amar alguém significava não querer machucá-lo, talvez tivesse sido ingênua, mas não havia vergonha alguma em ser inocente antes de conhecer a crueldade.
Sua família havia construído ao redor dela um lugar onde pudesse crescer sem precisar conhecer cedo demais as partes mais difíceis do mundo, então ela cresceu acreditando, até conhecer seu primeiro grande amor.
No começo, tudo parecia bonito, ele mostrava coisas que ela nunca havia percebido. Apresentava pensamentos diferentes, comportamentos diferentes, uma realidade diferente daquela que ela conhecia, e ela começou a descobrir que o mundo não funcionava como imaginava, existiam pessoas capazes de machucar umas às outras, existiam palavras que ficavam na cabeça durante anos, existiam críticas que não ensinavam, apenas feriam, existiam relações que confundiam amor com sofrimento, e existiam dores que ninguém conseguia enxergar. Ela começou a pensar: “Talvez eu tenha vivido em uma bolha”. A frase parecia fazer sentido, mas ela ainda não sabia que sair de uma bolha sem aprender a lidar com o mundo lá fora poderia ser assustador.
Capítulo 2 — O lado de fora
Depois que conheceu uma realidade diferente, tudo começou a parecer complicado, a cabeça dela, antes tão tranquila, passou a ser um lugar barulhento, pensamentos apareciam sem pedir licença, medos surgiam de coisas pequenas, uma palavra podia mudar completamente seu dia, uma crítica, antes recebida como uma oportunidade para melhorar, agora parecia uma sentença.
Ela ouvia:
— Você precisa melhorar.
E não conseguia mais pensar:
— Eu posso melhorar.
Seu cérebro transformava aquilo em:
—Eu não sou boa o bastante.
Era como se alguma coisa dentro dela tivesse mudado a maneira de interpretar o mundo, ela continuava sorrindo, mas agora precisava fazer esforço, e ninguém percebeu, ou talvez algumas pessoas tenham percebido e ela simplesmente não tenha permitido que chegassem perto o suficiente.
Quando alguém perguntava:
— Você está bem?
Ela respondia:
— Estou.
Sempre estava, pelo menos era o que dizia.
Capítulo 3 — O silêncio
Guardar tudo parecia mais fácil, se ela contasse, teria que explicar, se explicasse, talvez chorasse, se chorasse, alguém perceberia que havia alguma coisa errada, então ela escolheu o silêncio. Um pouco hoje, um pouco amanhã. Até que o silêncio virou hábito.
Ela escondia as crises, escondia os pensamentos, escondia os dias ruins, escondia até de si mesma algumas coisas que tinha medo de admitir.
Quando sentia que estava desmoronando, procurava algum lugar onde pudesse ficar sozinha, respirava, esperava passar, e continuava. Só que algumas dores não desaparecem porque são ignoradas, elas crescem, ela ainda não entendia isso, achava que precisava apenas ser forte, a menina sorridente precisava continuar sorrindo. A menina que sempre conseguia melhorar precisava conseguir melhorar novamente, a menina que todos conheciam como feliz não podia admitir que estava cansada, e, pouco a pouco, ela começou a desaparecer atrás da própria imagem.
Capítulo 4 — Quando o corpo pede socorro
O tempo passou, e a dor mudou. As crises ficaram mais frequentes, mais intensas, o corpo começou a responder àquilo que a boca se recusava a dizer, ela perdeu o apetite, depois perdeu peso, depois perdeu energia. Coisas simples começaram a parecer enormes, levantar da cama, conversar, comer, sair, sorrir, existir. Ela olhava para si mesma e não reconhecia completamente quem estava diante do espelho. Aquela menina ainda estava ali, em algum lugar, mas parecia distante.
O mais assustador era que, em determinados momentos, seu próprio cérebro parecia querer desligar-se, o perigo já não parecia tão perigoso, aquilo que deveria assustá-la às vezes simplesmente não provocava reação, e esse talvez fosse um dos sinais mais perigosos de todos, porque ela sabia que tinha medo da morte, mas, ainda assim, pensamentos sobre morrer começaram a aparecer, eram pensamentos que a assustavam, pensamentos que ela não queria ter, pensamentos que não combinavam com a menina que costumava sonhar com o futuro, ela não queria morrer, ela queria parar de sentir aquela dor, mas, dentro de uma mente cansada, às vezes as duas coisas começam a parecer iguais.
Capítulo 5 — Tudo o que deveria fazê-la feliz
O mais difícil era que, olhando de fora, sua vida parecia estar dando certo, ela havia conquistado coisas, tinha pessoas que a amavam, tinha uma família que queria vê-la bem, tinha planos, tinha sonhos, tinha momentos que, em outro tempo, fariam seus olhos brilharem, mas nada parecia suficiente, ela conquistava e sentia vazio, recebia carinho e ainda sentia solidão, sorria e queria chorar, vivia momentos bons e não conseguia senti-los completamente, era como assistir à própria vida através de uma janela, ela estava ali, mas não estava realmente presente, e talvez essa tenha sido uma das coisas que mais a assustaram:
—Como alguém pode ter tanto e ainda assim sentir que não tem nada?
Ela se culpava, pensava que não tinha direito de estar triste, havia pessoas passando por problemas maiores, havia coisas boas acontecendo.
Então por que ela não conseguia simplesmente agradecer?
Por que não conseguia voltar a ser quem era?
Por que não conseguia sorrir?
Ela não entendia que sofrimento não é uma competição, que ter motivos para agradecer não impede alguém de precisar de ajuda, que uma pessoa pode amar a própria vida e, ainda assim, estar cansada de viver daquele jeito.
Capítulo 6 — A menina desaparecida
Um dia, ela encontrou uma fotografia antiga, era uma foto dela mesma, estava sorrindo, um sorriso verdadeiro, os olhos acompanhavam o sorriso. Ela ficou olhando por alguns segundos, sentiu saudade, não da fotografia, mas sim dela. Sentiu saudade da menina que não tinha medo de críticas, da menina que acreditava nas pessoas, da menina que conseguia transformar qualquer pequeno acontecimento em felicidade, da menina que fazia planos sem pensar em tudo que poderia dar errado, da menina que tinha brilho.
Ela percebeu que não sentia falta de uma vida perfeita, sentia falta de si mesma, e aquilo doeu, porque, pela primeira vez, entendeu que talvez não estivesse apenas triste, talvez estivesse perdida.
Capítulo 7 — A verdade que ninguém ouvia
Durante muito tempo, ela acreditou que contar seria fraqueza, até perceber que esconder estava destruindo tudo, a verdade era simples e assustadora: ela precisava de ajuda, não de alguém que dissesse:
— Você tem que ser forte.
Ela já estava tentando. Precisava de alguém que dissesse:
— Eu estou aqui.
Precisava falar, mesmo que a voz tremesse, mesmo que chorasse, mesmo que não soubesse explicar, precisava deixar alguém entrar, porque ninguém deveria precisar carregar sozinho uma dor que já estava pesada demais, talvez o primeiro passo não fosse voltar a sorrir, talvez fosse simplesmente parar de fingir.
Capítulo 8 — Depois da bolha
Ela nunca voltou a ser exatamente a mesma menina, e talvez isso não fosse necessariamente ruim, porque algumas experiências mudam uma pessoa para sempre.
Ela perdeu parte da inocência, conheceu lados difíceis do mundo, descobriu que nem todo mundo ama como ela amava, aprendeu que algumas pessoas ficam e outras vão embora, aprendeu que críticas podem ensinar, mas também podem ferir, aprendeu que nem todo sofrimento precisa ser suportado em silêncio, e, principalmente, aprendeu que crescer não significa abandonar quem você foi.
A menina sorridente ainda existia, só precisava ser encontrada novamente, dessa vez, porém, ela não queria voltar a ser inocente, queria voltar a ser leve. Não queria viver dentro de uma bolha, queria conhecer o mundo sabendo que ele podia ser cruel, mas também podia ser bonito, queria aprender a colocar limites, queria aprender a dizer não, queria aprender que não precisava agradar todo mundo, queria aprender que chorar não apagava sua força, e que pedir ajuda não diminuía seu valor.
Capítulo 9 — O primeiro sorriso
A recuperação não aconteceu como nos filmes, não houve um dia mágico em que tudo desapareceu, alguns dias foram bons, outros foram difíceis. Em alguns, ela acreditou que estava melhor, em outros, parecia ter voltado ao começo.
Mas agora havia uma diferença, ela já não estava completamente sozinha, começou a falar, começou a aceitar ajuda, começou a entender seu próprio corpo e seus próprios pensamentos, e, devagar, pequenas coisas voltaram a fome, a vontade de sair, a curiosidade, os sonhos, a capacidade de aproveitar um momento sem pensar no próximo problema. E então aconteceu, um dia, sem perceber, ela riu. Não aquele sorriso automático que usava para convencer os outros de que estava bem, foi um sorriso verdadeiro, pequeno, quase tímido, mas verdadeiro.
Ela parou por um instante, e percebeu que ainda estava ali.
Epílogo — Ela nunca deixou de existir
Talvez aquela menina nunca tenha desaparecido de verdade, talvez ela apenas tenha ficado escondida atrás de tudo aquilo que precisou suportar.
A menina que sorria para o mundo ainda estava dentro dela, não intacta, não igual, mas viva. E agora ela sabia uma coisa que antes não sabia: A vida não precisava ser perfeita para valer a pena. Ela poderia ter dias ruins, poderia chorar, poderia sentir medo, poderia se decepcionar, poderia não saber o que fazer, e ainda assim continuar sendo aquela menina de coração puro, porque pureza não significa desconhecer a maldade, significa conhecer a maldade e, mesmo assim, escolher não se tornar aquilo que machucou você.
Ela havia saído da bolha, conhecido o mundo, se perdido e quase esquecido quem era, mas encontrou uma porta de volta. Não para a infância, não para a ingenuidade, mas para si mesma. E, dessa vez, quando sorriu, não foi porque precisava provar que estava feliz, foi porque, depois de tudo, ela finalmente havia entendido: “algumas versões de nós precisam morrer para que outras possam nascer”. E aquela menina estava aprendendo a nascer novamente.
Thoughts
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PermalinkPassei o dia com a frase das versões que precisam morrer rodando na cabeça. Tem gente aqui que ia querer ler isso pra todo mundo numa roda. Você tem mais textos sobre a menina da bolha?
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PermalinkConheço bem essa tradução automática, em que uma crítica entra como recado e sai como sentença. Nunca vi ninguém pô-la no papel assim.
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PermalinkMenina que sorri até sem motivo eu já vi em muita casa. Fiquei aliviada quando ela achou a porta de volta, mesmo que porta assim não abra de uma vez.
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PermalinkLevei três dias a chegar ao riso do capítulo nove. Quem espera aqui é a família, e o texto nunca diz quanto tempo esperaram.
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PermalinkReparei que ela perde primeiro o apetite, depois o peso, depois a energia, e que a cabeça só se rende no capítulo a seguir. Um leitor literal como eu agradece a ordem; foi por ela que acreditei no resto.
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PermalinkTu escreveu uma coisa que eu daria pra menina do curso que para aqui e diz que tá bem toda vez. Ela ia travar no capítulo três, o do silêncio virando hábito, e ficar calada com a folha na mão.
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PermalinkLi no celular, parada na caminhonete, e a cidade pequena da menina virou na minha cabeça um lugar de rua de terra onde todo mundo sabe quem você é. Ela sumindo devagar num lugar onde todo mundo conhece o nome dela e ninguém repara, isso eu vi bem nítido. No campo é assim também, a gente se esconde à vista de todos.
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PermalinkA menina respondendo que está bem quando perguntam, e ninguém insistindo, foi a cena que segurei mais tempo. Meu palpite: essa resposta de uma palavra foi a parte mais difícil de escrever.
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PermalinkFiquei na cena da fotografia antiga, quando ela olha o próprio sorriso e a saudade que sente é dela mesma. Li devagar essa passagem porque me deu um cansaço calmo, daqueles que não assustam. E a ideia de ver a própria vida por uma janela, estando ali sem estar, veio-me como uma coisa pequena e exacta, sem nenhum exagero. Foi isso que me ficou.
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