Tenho pousada e ouço caso de hóspede há trinta anos. Os bichos do Dojô da Selva são gente de verdade com outro nome, ou você inventou tudo?
A Pluminha San /O KARATÊ ANIMAL 🥋 🦍
Pensamento
Tenho pousada e ouço caso de hóspede há trinta anos. Os bichos do Dojô da Selva são gente de verdade com outro nome, ou você inventou tudo?
Conteúdo da publicação
O KARATÊ ANIMAL 🥋 🦍
“A JORNADA DA PLUMINHA SAN”
Um grande exemplo de perseverança e vontade, do "Do" (caminho), que completa a filosofia do karatê, é perfeita e exemplarmente representado por essa nobre karateca. Por volta de 2004, a Pluminha San compareceu na academia Dojô da Selva numa quinta-feira à tarde, naquele dia o Pedrão já havia dado o início a aula das 18:00hs às 19hs, Pluminha San ludicamente falando, levou quase uma semana para subir as escadarias da academia, quando chegou no topo deparou com o Pedrão puxando a aula naquele estilo "General Lê Galón de Quatro Estrelas", um pouco de broncas, contagem em voz alta, uns croquinhos na molecada coisa que pra quem estava chegando, principalmente mulher, não era nada incentivador, mesmo assim depois de um breve descanso para recompor o fôlego, foi conversar com o Sensei Pietro San, aliás foi fazer uma bela consulta médica.
Sobre quais os métodos para perder a camada adiposa e qual o tempo médio, sobre os efeitos, a necessidade dos alongamentos e seus benefícios, das dores nos joelhos, se não ia apanhar ou tomar algum golpe e se machucar durante os treinos, sobre alimentação etc etc etc, e o Pedrão só na missa do padre. Quando terminou o treino o Pedrão se dirigiu ao Sensei com um ar de irreverência e falou:
“Pietro San você arrumou uma encrenca!” (tudo na brincadeira, pois o Dojô da Selva nunca discriminou ninguém. Ela se matriculou e seguiu treinando com a didática metodológica do Sensei Pietro San. Naquele começo no Dojô da Selva, a Pluminha San subia e descia a imponente escada da academia de ladinho, segurando firme com as duas mãos no corrimão, pois, os seus joelhos não permitiam nem que ela ficasse na posição senza (ajoelhada), coisa que gradativamente foi deixando de ser um problema, Pluminha San aos poucos foi se fortalecendo, se focando em estabilizar a saúde e de quebra inserindo os kihons, katas com mais serenidade e consciência contando sempre com a generosidade do Sensei Pietro San, do Pedrão e dos membros que fazia parte do grupo.
Com uma o passar dos dias, Pluminha San foi vencendo suas limitações físicas, se graduando e saindo menos no meio do treino para beber água, numa bela demonstração de foco e determinação tanto que trouxe seus filhotes Pig Nando e Piguinha Aniza para treinarem com seu exemplo e por acreditar na nobreza do Karatê, na compaixão e atenciosidade de nossos líderes. Pluminha San depois de caminhar no aprendizado marcial por algum tempo, chegou o momento que todo praticante gosta, o de cinturar a faixa preta, porém, a heterogeneidade varia muito no grupo de uma academia mas, nenhum presta o exame sem o convite do Sensei que trilha como um agricultor que sabe cuidar da lavoura e sabe o momento certo da colheita, mesmo que seja por merecimento. Pluminha San faz parte do acervo dos antigos do Dojô da Selva, essa é a arte da transformação, a arte da lapidação que faz jus ao nome karatê-Do!
Oss!
A VISITA DA AMIGA DONA PIGONA DA FAMÍLIA PIG
Com o grande milagre ocorrido com a Pluminha San, a Dona Pigona foi até o Dojô da Selva fazer uma visita e assistir o treino da sua amiga Pluminha San. Quando as portas se abriram, Dona Pigona, vinda diretamente de Dubai e transbordando elegância em seu vestido azul, luvas de renda e pérolas da sua grife, teve que pausar. A atmosfera era eletrizante. O som rítmico e uníssono de "Ni! San!" ecoou pelo dojô, vindo de um jovem aluno com físico atlético e óculos escuros na cabeça, que liderava a contagem.
Seu olhar se fixou em Pluminha San. Não havia mais a figura de quem o Pedrão brincara sobre "arrumar uma encrenca". Diante dela estava uma guerreira em uma pose de luta perfeita, de base sólida e punhos fechados. O gi branco impecável tinha o emblema da flor, e na cintura, amarrada com a precisão de quem conhece o "Do", estava a cobiçada faixa preta. Dona Pigona sentiu o queixo cair. "Mou-mou!" ela exclamou, em um tom de incredulidade e pura admiração. "Minha comadre... você está radiante! Que mudança fabulosa!"
Pluminha San quebrou a postura, um sorriso sincero e orgulhoso desenhado em seu rosto. "Pigona! Que alegria tê-la aqui!" Elas se aproximaram para um abraço sofisticado e carinhoso. "Eu lembro da sua primeira consulta médica com o Sensei Pietro", riu Dona Pigona, "de como você subia as escadas de ladinho... E agora olhe para você! Uma mestre!"
"Foram muitas 'missas do padre' com o Pedrão e muito suor", brincou Pluminha San, "mas o Sensei Pietro San sempre acreditou. É uma 'lapidação', como ele diz. E olhe a razão do meu esforço!" Ela apontou para perto da entrada, onde um monte de bagagens de grife estava empilhado. Sobre elas, em mini-gis brancos, estavam Piguinha Aniza e Pig Nando.
Uma voz calorosa e acolhedora se fez ouvir. "Oss! Bem-vinda, Dona Pigona." Era o Sensei Pietro San, aproximando-se com um sorriso genuíno e um 'joinha' impecável, assim como sua faixa preta sobre o gi. "É uma honra receber uma amiga de tão longe. Sua amiga é um verdadeiro 'Acervo dos Antigos' da nossa história, um exemplo vivo da transformação do Karatê-Do."
Dona Pigona, observando as placas "DOJÔ DA SELVA" e o letreiro "ACERVO DOS ANTIGOS: A TRANSFORMAÇÃO DE Pluminha San", assentiu comovida. "Ver você assim, comadre, e seus pequenos... de fato, o Dojô da Selva não discrimina, ele transforma. É uma 'lapidação' que faz jus ao nome Karatê-Do. Oss." Elas riram juntas, unidas pela amizade e agora pela nova jornada marcial de Pluminha San.
Oss!
@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
https://pietrodeluccapoeta777.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
Thoughts
-
PermalinkEntrei no judô aos trinta e nove para acompanhar meu filho e anoto cada treino num caderno. A parte da consulta médica com o senhor, com pergunta sobre alongamento, joelho e comida em sequência, foi exatamente o que eu fiz antes de assinar a matrícula. O senhor respondeu tudo naquela tarde mesmo?
-
PermalinkRapaz, eu treinei quatro anos e levei seis meses pra parar de dizer oss no elevador do trabalho. Vendo o Oss no fim de cada bloco aqui eu senti uma saudade meio esquisita, visse.
-
PermalinkSou porteiro e gosto da parte prática. Da primeira aula dela até o convite para o exame de faixa preta, quantos anos foram? E quantas vezes por semana ela conseguia ir?
-
PermalinkPô, meu irmão, o detalhe da placa do Acervo dos Antigos na parede diz muita coisa. Aqui em Irajá eu vi a mesma casa virar três nomes de fachada em nove anos e nenhuma guardou aluno antigo no letreiro. O Dojô da Selva ainda funciona no mesmo endereço de 2004?
-
PermalinkMeu rei, San pra cá, Pedrão pra lá e um General de Quatro Estrelas no meio. Virei Sardinha na capoeira em 2003 e o apelido foi parar no meu e-mail de trabalho.
-
PermalinkLi o começo e o fim com a mesma vontade. E a Pluminha San hoje, ainda está treinando ou parou depois da faixa preta?
-
PermalinkPaguei quatro mil euros em três anos a um ginásio de centro comercial e o meu cinturão negro veio com cerimónia, moldura e um upsell. A parte do convite do sensei deixou-me com uma inveja mansa, pá. No Dojô da Selva havia taxa de exame ou o convite era tudo?
-
PermalinkEscrevo texto de venda para viver, então a palavra lapidação me acende uma luz amarela quando aparece em página de academia. Aqui ela veio depois da escada e do corrimão, que é coisa que ninguém inventa para vender. A placa do Acervo dos Antigos foi ideia do dojô ou sua?
-
PermalinkTenho pousada e ouço caso de hóspede há trinta anos. Os bichos do Dojô da Selva são gente de verdade com outro nome, ou você inventou tudo?
-
PermalinkMenino, a imagem dos dois de mini-gi em cima das malas é a minha vida. Quatro anos de cadeira de plástico esperando noventa segundos.
Related posts
- O KARATÊ ANIMAL 🥋 🦍
-
O wrestling está cansado demais pra fundar um culto em torno de si mesmo?
Toda arte marcial, no fim das contas, cria uma religião. O caratê ganha o kata e os atacantes invisíveis. O jiu-jítsu ganha a árvore de linhagem, a faixa com a alma inteira de um homem costurada nela, o professor. O krav magá ganha o cope de ser letal demais pra treinar de verdade. O kung fu ganha um cara que te derruba com chi do outro lado do estacionamento, supostamente, quando não tem câmera ligada. O aikidô ganha o dojo onde todo mundo já combinou de antemão em cair. Cada um constrói um tem
-
O caratê é a única arte marcial que você domina sem nunca ser tocado?
O caratê é a arte marcial mais fotogênica já inventada, e essa é a primeira pista. Ele é construído em torno de lutar contra gente que não está lá, quebrar objetos que concordaram em ser quebrados, e um sparring que termina no instante em que alguém encosta no outro. Dá pra conquistar uma faixa preta sem nunca uma única vez absorver uma consequência.
-
O jiu-jítsu é mesmo a única arte marcial que reprova no teste da criança de sete anos?
Toda outra arte marcial tem um momento que faria uma criança de sete anos se levantar e aplaudir. O jiu-jítsu brasileiro são dois homens adultos de pijama combinando deitados no chão, respirando pesado, ajustando devagar a pegada um no outro por seis minutos. É a única arte que não impressiona criança, e criança tem razão sobre quase tudo.
-
"Eu boxeio agora"
Doze semanas atrás esse homem não conseguia pular corda sem se enforcar no processo. Agora ele decidiu que é um boxeador, do mesmo jeito que você vira sommelier por terminar uma garrafa. As bandagens saem no brunch com a relutância de um soldado tirando as próprias medalhas.
-
As artes marciais mistas são o único esporte que te convence de que o mundo tem uma jaula?
O MMA é a coisa mais próxima de uma briga de verdade que a gente tem. Duas pessoas, quase tudo é permitido, e sob pressão se descobre quem de fato treinou. Eu amo. Vou defender o esporte contra toda arte tradicional que se diz letal demais pra ser testada. E é justamente por isso que me mata ver que o cara médio, com dezoito meses de treino, agora narra a vida inteira como se fosse um comentarista de uma luta que não está acontecendo.
-
O Krav Magá é mesmo letal demais pra ser testado, ou isso é só muito conveniente?
O Krav Magá é uma daquelas artes marciais que acharam um jeito de nunca perder. O boxe se testa todo sábado. O wrestling se testa até alguém vomitar. O jiu-jítsu se testa de forma tão implacável que um faixa-roxa finaliza a própria avó pelos dados. O Krav Magá pulou tudo isso e descobriu algo melhor do que vencer, que é ser perigoso demais pra ser verificado.
-
O taekwondo vende a faixa preta antes de a criança saber escrever o próprio nome?
Tem um centro comercial perto de mim com uma loja de vape, um lugar que faz sobrancelha e uma academia de taekwondo com uma faixa escrita FAIXA PRETA ATÉ OS 10 ANOS. Quero que você pense nisso como estratégia de negócio. Eles olharam para o objeto mais carregado de simbolismo em todas as artes marciais, a coisa pela qual o Bruce Lee sangrou, e decidiram que a jogada é garantir uma a uma criança da quarta série dentro de um prazo, como um título de poupança que vence virando a capacidade de regis