Quando eu penso em você,
Eu me pergunto se realmente te amei.
Se esse sentimento foi sincero em meu coração,
Ou se foi apenas mais uma ilusão.
No entanto, eu já sei a resposta dessa dúvida,
Pois ela sempre esteve presente na minha dor.
Uma dor que atinge bem no fundo do meu coração.
É como uma flecha disparada pelo próprio cupido do amor.
Que te faz se apaixonar e, inevitavelmente sentir dor.
Seja ela amor ou preocupação, a dor sempre estará lá.
Quando a flecha se instala em seu coração,
Novas flores nascem em comemoração.
Flores que crescem e desabrocham com cada memória cultivada.
Mas que se não forem cuidadas, lentamente serão apagadas.
Porém, quando o amor se parte,
Da flecha que antes trazia felicidade,
Restam dores que te dão pontadas.
Como se fossem agulhas que afligem o coração.
Pequenas, mas não invisíveis,
Sendo dolorosas o suficiente para te fazer lembrar o que você tanto queria evitar.
Arrancar a flecha trará alívio,
Mas, se o fruto da dor você arrancar,
Também destruirá as flores que ali cultivou com carinho.
Ao rejeitar esse caminho,
Você poderá ser julgado por um delito:
Uma regra que todos seguem sem questionar.
Mas que você pode escolher quebrar.
Se estiver disposto a trilhar um novo caminho.
A regra da dor encontrará um novo destino.
E assim, talvez, as flores que te lembram do sofrimento,
Despertem um novo tipo de sentimento.
A dor não é como dizem.
Às vezes, ela apenas tenta mostrar algo que nos recusamos a enxergar:
O medo de ver que nos importamos mais do que poderiamos imaginar.
E isso só poderá ser compreendido, quando o mar da angustia você finalmente atravessar,
Quando se permitir sentir sem se afogar,
Sem se perder na escuridão do fundo do mar.
Rejeitar a dor é o mesmo que acorrentar o seu coração.
Mas a verdadeira superação significa estar ciente e, ainda assim seguir em frente.
A dor não deve ser rejeitada,
Mas tratada como qualquer outro sentimento:
Algo que deve ser compreendido,
E não transformando em algo corrosivo.
Eu queria poder te acompanhar de novo,
Mas temo que as flores murchem com o excesso de sofrimento,
Transformando as lembranças calorosas em poeira que varremos para baixo do tapete.
Eu posso até lembrar de ti com carinho,
Mas você pode não enchergar o mesmo comigo.
Enquanto desejo te encontrar novamente,
Você deseja me evitar constantemente.
Pelo menos assim você fez aparentar.
Então não quero machucar as últimas flores restantes,
Não com algo que sabemos que não há mais volta.
Eu respeito sua escolha.
Respeito de verdade.
Mas não deixei de te amar,
De me importar ou sofrer por você.
Não de uma forma ruim,
Mas de uma forma que ainda dói.
E eu espero que essa dor não passe.
Não porque gosto de me punir,
Mas porque isso não é punição,
E sim uma lembrança que me faz sorrir mesmo diante da dor.
Talvez a dúvida ainda exista:
Como podemos sentir dor e, ainda assim sorri?
Isso é bem fácil de responder:
Imagine aquele sorriso que fazia seu coração disparar.
Aquela careta que arrancava gargalhadas de perder o ar.
Aquele olhar que te derretia só de encarar.
Imagine tudo aquilo que você mais amava,
Se permitindo chorar, ou até mesmo gritar.
Eu sei que dói essa saudade,
Mas aposto que você quis sorrir ao se lembrar.