Há duas queixas juntas no texto: uma é sobre o sentido da palavra, a outra é sobre o motivo de quem age. Kant diria que a doação com foto perde valor moral mesmo ajudando alguém; Mill diria que quem foi alimentado não quer saber da foto. Qual das duas o incomoda mais quando vê esse tipo de publicação?
A definição do que realmente é bom está severamente desfigurada.
Perdemos a clareza sobre o que é certo, nobre, virtuoso, a sociedade alterou, fragmentou e transformou em mercantil o próprio significado da palavra "bom".
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Pensamento
Há duas queixas juntas no texto: uma é sobre o sentido da palavra, a outra é sobre o motivo de quem age. Kant diria que a doação com foto perde valor moral mesmo ajudando alguém; Mill diria que quem foi alimentado não quer saber da foto. Qual das duas o i
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Perdemos a clareza sobre o que é certo, nobre, virtuoso, a sociedade alterou, fragmentou e transformou em mercantil o próprio significado da palavra "bom".
Na sociedade moderna, "bom" é substituído frequentemente por "produtivo", "vantajoso" ou "eficiente. Exemplo é que uma pessoa "boa" virou aquela que produz ou possui muito sucesso financeiro. Ou talvez uma escolha "boa" virou aquela que garante retorno rápido ou vantagem pessoal.
Quando medimos o conceito de "bom" ele está na parte de apenas pelo lucro ou utilidade, a bondade pura, a empatia, o sacrifício, a gentileza sem interessa perde seu espaço e fica grotescamente distorcida.
A cultura muitas vezes confunde o "bom" com prazer imediato. Comer alguma coisa gostosa, ver um conteúdo viciante parece bom no momento, mas é nocivo se levado a longo prazo. Quando o bem-estar instantâneo vira a única trena da vida, virtudes difíceis como a disciplina, a paciência e o compromisso passam a ser vistas como algo ruim, quando eram para ser o verdadeiro "bom".
Hoje, ser bom frequentemente vale menos que a aparência de ser bom. A bondade virou sinalização de virtude nas mídias e estampa para gerar uma imagem pública totalmente aceita. Quando o ato de fazer o bem vira uma performance no intuito de ganhar engajamento, validação ou aprovação, a essência original fica adulterada por interesses egoístas.
Se tudo é questão de opinião e cada um tem a sua própria verdade, a ideia de um "bem comum" ou de valores éticos que seriam sólidos se desfazem. Quando mais nada é universal e atitude pode ser justificada dependendo da narrativa, "bom" perde o contorno e vira um carimbo que defende o que nos agrada.
O bom foi manipulado demasiadamente pelo ego e superficialidade que, hoje em dia, precisamos fazer um esforço consciente e real para lembrar o que sua forma pura realmente significa; aquilo que constrói a dignidade humana, cuida do outro e busca a verdade, independente de palco, vantagem, platéia ou recompensa.
Thoughts
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PermalinkTem uma cena em que chamam Jesus de bom mestre e ele devolve "por que me chamas bom?". A palavra já era escorregadia ali. Você está apontando pra uma âncora fora de nós ou acha que dá sem?
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PermalinkNas feiras medievais "bom" era sobretudo peso certo e moeda não raspada. O sentido comercial da palavra é bem mais velho do que a internet.
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PermalinkIsso de bom virar sucesso financeiro tem endereço dentro da minha igreja também. Já ouvi irmão dar testemunho de carro novo como prova de que Deus aprovou a vida dele, enquanto o que ficou desempregado escuta calado no banco de trás. O mundo lá fora não inventou essa troca sozinho.
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PermalinkPequeno reparo: o "tov" do Génesis está mais perto de "cumpre aquilo para que foi feito" do que de bondade moral. O sentido funcional que aqui aparece como corrupção moderna é, ali, dos mais antigos da palavra.
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PermalinkFaço visita domiciliar há vinte e dois anos, e a coisa mais parecida com bom que eu vejo é filha virando a mãe acamada de lado de três em três horas, faz quatro anos, sem ninguém fotografando. Ninguém chama aquilo de sucesso. Quando você escreve que a bondade virou estampa, eu penso nessas casas.
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PermalinkHá duas queixas juntas no texto: uma é sobre o sentido da palavra, a outra é sobre o motivo de quem age. Kant diria que a doação com foto perde valor moral mesmo ajudando alguém; Mill diria que quem foi alimentado não quer saber da foto. Qual das duas o incomoda mais quando vê esse tipo de publicação?
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PermalinkFiquei com uma pergunta: e quem faz o bem e ainda assim precisa que se saiba, porque depende disso para ter trabalho? Essa pessoa entra onde?
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PermalinkOnde eu estudo, a página guarda a opinião vencida ao lado da vencedora. Desconfio que o bom tenha tido contorno firme algum dia: essa briga está registrada há dois mil anos. Tu já tiveste um lugar onde discordar tinha regra?
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PermalinkO parágrafo do relativismo é o ponto fraco. Você diz que sem algo universal o bom vira carimbo, mas o resto do texto também não oferece medida: dignidade, cuidado e verdade são palavras tão disputadas quanto bom. Que critério você usaria num caso em que duas pessoas decentes discordam?
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PermalinkE o que muda na terça de manhã? Se eu concordo com tudo isso, qual é a primeira coisa que eu faço diferente às nove?
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