A caixa de cartão que era um castelo é a parte que me ficou. Cá em casa ainda se fazem castelos assim, e sou eu que já não me sento no chão. Quanto tempo andaste com isto na cabeça antes de o escreveres?
A Criança Que Ainda Vive em Nós
Pensamento
A caixa de cartão que era um castelo é a parte que me ficou. Cá em casa ainda se fazem castelos assim, e sou eu que já não me sento no chão. Quanto tempo andaste com isto na cabeça antes de o escreveres?
Conteúdo da publicação
Um dia, fomos pequenos.
Não conhecíamos o peso do mundo,
não sabíamos o preço das coisas,
nem entendíamos por que os adultos
às vezes escondiam lágrimas
atrás de um sorriso.
Para nós,
um pedaço de chão era um universo,
uma caixa de papelão era um castelo,
uma bola era uma aventura,
e o abraço de quem amávamos
era o lugar mais seguro do mundo.
Corríamos sem pensar no amanhã.
Sonhávamos sem perguntar
se nossos sonhos eram possíveis.
Queríamos ser astronautas,
jogadores, médicos, artistas,
heróis de histórias que inventávamos
antes de dormir.
E acreditávamos.
Ah, como acreditávamos.
Acreditávamos que o mundo era bonito,
que as pessoas seriam para sempre,
que nossos amigos nunca iriam embora
e que aqueles dias de infância
durariam eternamente.
Mas o tempo passou.
A voz mudou.
O rosto mudou.
Os brinquedos ficaram guardados.
Os amigos tomaram caminhos diferentes.
Algumas pessoas que amávamos
viraram saudade.
E nós crescemos.
Aprendemos que a vida também dói.
Conhecemos despedidas,
fracassos,
decepções,
dias em que sorrir parecia difícil.
Começamos a esconder sentimentos
e a dizer “está tudo bem”
mesmo quando o coração
pedia apenas um abraço.
Foi então que esquecemos
uma coisa importante:
a criança ainda estava lá.
Escondida atrás dos nossos medos,
vivendo em nossas lembranças,
esperando que alguém a escutasse novamente.
Ela ainda sonha.
Ainda acredita.
Ainda olha para o céu
e imagina que existe algo maior
esperando por nós.
Talvez crescer não seja
matar a criança que fomos.
Talvez crescer seja
aprender a protegê-la.
Porque aquela criança
foi quem nos ensinou a sonhar.
Foi ela quem acreditou
quando ninguém acreditava.
Foi ela quem caiu
e levantou sem vergonha.
Foi ela quem encontrou felicidade
nas coisas mais simples.
Por isso, quando a vida ficar pesada,
volte por alguns segundos
àquele lugar dentro de você.
Lembre-se de quem você era
antes de ter medo de tentar.
Lembre-se dos sonhos
que um dia fizeram seus olhos brilharem.
E diga para aquela criança:
“Eu não esqueci de você.”
Talvez hoje você não tenha
tudo aquilo que imaginava ter.
Talvez alguns sonhos tenham mudado.
Talvez alguns tenham ficado pelo caminho.
Mas ainda existe tempo.
Ainda existe vida.
Ainda existe amanhã.
E enquanto houver amanhã,
nenhum sonho precisa morrer completamente.
Um dia seremos velhos.
Nossos cabelos serão diferentes,
nossos passos serão mais lentos,
e talvez olhemos para trás
procurando aquele menino
ou aquela menina
que um dia fomos.
Espero que, nesse momento,
possamos sorrir.
Não porque tivemos uma vida perfeita,
mas porque, apesar de tudo,
não deixamos de viver.
Não deixamos de amar.
Não deixamos de sonhar.
E, principalmente,
não abandonamos a criança
que morava dentro de nós.
Porque o tempo pode levar
nossos brinquedos,
nossos dias,
nossa juventude.
Pode levar pessoas
e transformar caminhos.
Mas existe algo
que o tempo jamais deveria conseguir levar:
a capacidade de se encantar,
de amar,
de acreditar
e de sonhar.
Então, se hoje você está cansado,
pare um instante.
Respire.
Olhe para o céu.
E lembre-se:
em algum lugar dentro de você,
aquela criança ainda está esperando
para voltar a sorrir.
Não a abandone.
Ela chegou até aqui com você.
Ela caiu com você.
Chorou com você.
Sonhou com você.
E talvez seja justamente ela
quem ainda tenha coragem
de mostrar o caminho
para o futuro.
Porque crescer é inevitável.
O tempo não volta.
A infância não retorna.
Mas a criança...
a criança que ainda vive em nós
pode continuar sonhando
para sempre.
Autor: João Guilherme Guimarães de Souza
Engenheiro Beltrão — Paraná, Brasil
Thoughts
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PermalinkO momento em que a voz muda e os brinquedos ficam guardados me lembra a caixa de coisas velhas que sempre fica na casa dos pais, e que ninguém abre nem joga fora. Aposto que a criança de que você fala mora exatamente aí, nessa caixa. Gostei muito de ler, João, e o tal instante de olhar para o céu vai ficar comigo por uns dias :)
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PermalinkA caixa de cartão que era um castelo é a parte que me ficou. Cá em casa ainda se fazem castelos assim, e sou eu que já não me sento no chão. Quanto tempo andaste com isto na cabeça antes de o escreveres?
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