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Eu tentei chamar de dúvida
O que já gritava em mim
Disfarcei de coincidência
O que era você no meu jardim
Eu fingi que era só vento
Passando leve pelo olhar
Mas toda vez que você sorria
Meu mundo mudava de lugar
Eu construí muros altos
Pra ninguém me atravessar
Inventei histórias tortas
Só pra não me revelar
Mas quando eu vi seus olhos molhados
E a dor tentando disfarçar
Eu senti que o meu silêncio
Também podia machucar
Você é flor onde eu achei
Que não crescia nada em mim
Nasceu no meio do concreto
E fez meu deserto ter jardim
Mesmo quando eu fico quieto
E pareço tão distante assim
É você que mora no espaço
Que eu escondo dentro de mim
Eu não sei amar perfeito
Eu erro, eu temo, eu travo
Eu me fecho por medo
De perder o que eu mais guardo
Mas se existe algo claro
Que eu não consigo esconder
É que quando eu falo de futuro
É com você que eu consigo ver
Você é calma quando eu sou tempestade
É farol quando eu me perco no mar
É abrigo no meio da minha saudade
É razão quando eu quero escapar
E se às vezes eu pareço frio
Ou distante demais pra entender
Não é falta de sentimento
É medo de me perder em você
Se eu pudesse voltar no tempo
Eu teria sido mais inteiro
Diria sem medo ou invento
Que meu silêncio sempre foi verdadeiro
Não era falta de vontade
Nem jogo, nem indecisão
Era só um coração fechado
Aprendendo a abrir a mão… 🎶
(Piano cresce, última nota sustentada.)