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6 de Outubro

anttonio

Conteúdo da publicação

Hoje fiquei ansioso enquanto você não chegava, mais uma vez. Eu olhei para você e, em questão de segundos, percebi que você não estava bem. O brilho forçado no olhar, o cansaço pesado nos ombros, o tom de voz vazio. Infelizmente eu conheço os seus descompassos melhor do que gostaria de admitir. Bastou um minuto de conversa fútil para eu ler todas as suas entrelinhas.

O meu primeiro instinto foi o de sempre: esticar os braços para segurar o seu mundo antes que ele desabasse. É aí que mora a crueldade desse processo. Como é difícil deixar ir quem a gente ainda tem vontade de proteger. É uma luta violenta entre a razão, que me lembra de tudo o que você me fez passar, e esse hábito maldito de me preocupar com o seu bem-estar. Ver você vulnerável reabriu aquela velha gaveta da responsabilidade que eu achei que já tinha trancado. Tive que morder a língua para não perguntar o que estava acontecendo, tive que amarrar meus braços para não estendê-los à você. Dói muito aceitar que, por mais que eu veja o seu naufrágio, o salva-vidas não é mais o meu peito. Eu preciso me lembrar, a cada segundo, de que salvar você significaria me afogar outra vez, porque não sou eu o porto que você escolheu.
Não sei porque isso ainda dói tanto em mim.


Thoughts

  • EncontroDeQuinta

    Eu leio esse texto meio diferente de quem vai chamar tudo de saudade. Ele fala muito de costume: a gaveta da responsabilidade, o braço que estica sozinho antes de você decidir nada. Costume demora mais pra sair do corpo que sentimento, e isso já explica um bom pedaço da pergunta do fim.

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  • Dudinha

    Gostei do salva-vidas que não é mais o peito. Diz numa imagem só o que muita gente leva meses pra conseguir falar em voz alta.

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  • peu

    Esse final pesa.

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  • ManuelaNegrini

    Me arrepiei até

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    Eu lembro perfeitamente do dia em que você chegou, um rosto lindo e uma boa intenção... mas eu já tinha guardado planos de amor.

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