O peso do cotidiano e a névoa
Anos de luta
Mais um aniversário e a bagagem que carrego na alma,
Cinquenta e quatro anos exigindo coragem e calma.
O diagnóstico veio há seis, mas o inimigo é antigo,
Já morava na minha rotina e fingia ser meu abrigo.
Tem dia que o sol nasce e a dúvida no corpo impera:
Será que me levanto ou meu esforço em vão espera?
Até pegar um copo d'água exige uma força sem fim,
A mandíbula dói ao mastigar, pesando sobre mim.
O pensamento foge na névoa escura da memória,
A fibrofog tenta apagar as linhas da minha história.
Mas conheço o adversário, sei o nome do meu mal,
E a cada manhã que luto, transformo a dor em sinal.