Uma louca paixão. Ui.
26º Capítulo/O Veredicto dos Sentidos
Ainda no mesmo espaço, naquele quadrilátero tomado de prazer, completamente despidos de suas vestes, pudores e de todas as convenções rígidas do mundo exterior, os dois amantes continuaram se…
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Uma louca paixão. Ui.
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26º Capítulo
O Veredicto dos Sentidos
Ainda no mesmo espaço, naquele quadrilátero tomado de prazer, completamente despidos de suas vestes, pudores e de todas as convenções rígidas do mundo exterior, os dois amantes continuaram se entregando ao magnetismo daquela nuvem de energia no desfrute à dois. Narciso como sempre, movido por uma ternura misturada a um desejo febril, de forma intensa a cortejava, beijava Helena da cabeça aos pés, percorrendo cada centímetro de sua epiderme como quem lê o manuscrito mais sagrado de sua vida.
Sem esboçar resistência, Ela delirava a cada toque de língua, parecendo quase convulsionar diante do tamanho desejo acumulado; seus gemidos contidos, oscilavam mas, funcionavam como combustível, mantendo Narciso em um estado de total virilidade, em verdadeiro ponto de bala, numa brasa viva que para virar cinzas demora e é impossível de apagar.
Após aquela longa e minuciosa preliminar, onde o tempo foi inteiramente revogado, o Poeta percebeu que Helena Dolly estava fora de si, em plena felicidade numa flutuabilidade perfeita no meio do “berçário” que resultou a chegada de múltiplos orgasmos — sensações intensas e avassaladoras que talvez jamais tivessem sido experimentadas por ela daquela maneira.
Insaciável era a palavra adequada, como uma Deusa faminta de afeto, ela queria mais e mais, puxando-o para si o corpo do poeta. Naquela altura dos acontecimentos, Narciso estava no auge do seu desejo, mas resistiu bravamente, comportando-se como um verdadeiro Lord, a satisfação dela sempre foi primária. Ele sempre com uma gentileza ímpar até o momento crucial em que, mais uma vez, os dois corpos se encaixam perfeitamente, formando uma só unidade de carne e espírito. Ali foi consumada uma glamurosa descarga simultânea onde ambos, nitidamente um, sentiu a energia do outro e pela carinha dela, estava fascinada.
Sem muito intervalo, eles continuaram naquela movimentação de carícias, aeróbica, cadenciada e hipnótica: ora lenta, ora rápida; ora profunda, ora devagar. Helena tinha algo que sintetizava aquele amor puro, ela sabia perfeitamente como retribuir o prazer divinamente, envolvendo-o com seus beijos molhados, abraços apertados e uma técnica de pompoarismo que desafiava os sentidos de Narciso como um teste para manter o “braço rígido”. Foram muitas variações de posições e carícias que ninguém no mundo parecia conhecer igual, o Poeta deu mais um daquele forte abraço em Helena Dolly.
Segurando-a firmemente contra o peito, ele novamente colou seus corpos com força e despejou toda a sua carga de fluidos prazerosos dentro daquela Deusa Grega, que novamente em um orgasmo cinematográfico, demonstrou o porquê ela o adora. E assim, chegaram juntos àquele ápice. Foi um momento fantástico, quase divino. - e com isso fica bem claro o porquê, o Poeta ama a Helena Dolly e ela o adora.
Após o término daquela transa maravilhosamente sensacional, o quarto foi invadido por um silêncio pacífico. Eles se deram um merecido descanso para recompor as energias e normalizar a respiração, pois o desgaste físico e emocional havia sido considerável. Como as saídas deles eram raras e controladas pelo relógio do destino, os dois sabiam que precisavam aproveitar o máximo que podiam de cada segundo. Quebrando o transe do pós-amor, Helena Dolly deitou a cabeça no peito de Narciso e abriu as conversas:
— Narciso do céu, o que foi isso? Você me deixa completamente louca desse jeito... Quer me matar de tanto prazer? — brincou ela, com a voz arfante e um sorriso de canto de boca.
— Helena, que delícia de momento... É uma sensação tão agradável, é um prazer imenso estar aqui com você e fazer amor com você desse jeito — respondeu o Poeta, acariciando os cabelos dela.
Helena Dolly, no entanto, não havia esquecido o mistério que rondava o telefonema do dia anterior. Curiosa com o que Narciso havia prometido revelar apenas olhando em seus olhos, ela mudou o tom e o indagou diretamente:
— O que você tem de tão importante para me dizer, Narciso? Desde ontem estou com isso na cabeça.
— Calma, minha linda... Fique tranquila, é uma coisa simples — tentou contemporizar o escritor.
— Mas o que pode ser? Me diga logo, não me mate de curiosidade! — insistiu ela, fixando o olhar nele.
— O problema, Helena, é que eu fazia questão de perguntar isso olhando bem no fundo dos teus olhos, sem desvios — explicou ele, virando-se para encará-la de frente.
— Então pergunte de uma vez. Estou aqui, inteiramente sua, olhando para você — disse ela, sustentando o olhar.
Narciso tomou fôlego, buscou toda a coragem de sua alma lírica e soltou a pergunta que ecoava em seu peito:
— Vamos lá, meu amor... O que é que você realmente sente por mim? Qual o nome do que nós temos?
Helena Dolly deu uma pequena pausa. O sorriso leve sumiu por um instante de seus lábios gostosos, ela soltou um longo suspiro, olhou bem no fundo das pupilas de Narciso e respondeu com uma honestidade cortante:
— Ah, Narciso... Uma louca paixão!
— Uma louca paixão? Interessante... —
repetiu Narciso, tentando digerir o peso daquelas palavras.
O Poeta ouviu a resposta e, inevitavelmente, ficou pensativo. Um manto sutil de melancolia caiu sobre ele naquele leito. Afinal, ele já havia feito tantas declarações poéticas, já havia dado tantas demonstrações biográficas e viscerais do quanto a amava com a alma inteira, e a resposta dela resumia-se a uma "louca paixão"? Ele ficou um pouco retraído em seus pensamentos, mas recusou-se a se entregar à decepção. De certa forma, aquele veredicto já estava na provisão de sua autocrítica; ele já sabia, no fundo, que Helena b/ não tinha o mesmo querer transcendente e absoluto que o dele. O amor dele era uma construção para a eternidade; o dela, uma fogueira de momento.
Mas aquela ponta de recolhimento não foi suficiente para apagar as chamas e o brilho daquele sábado generoso. Helena Dolly era uma mulher extraordinária. Ela tinha um estilo único: quando acabava de fazer amor, não gostava de se vestir correndo ou de cortar o clima; gostava de ficar perfeitamente à vontade, nua e confortável, conversando sobre a vida, trocando ideias e permanecendo abraçada ao Poeta. Ela era do tipo de amante que gostava de fazer amor até acabar completamente o gás de ambos.
Vocês leitores comuns não fazem a menor ideia da intensidade daquela mulher. E o Narciso, acompanhava aquele ritmo frenético com a maior ternura, emoção e vigor. Entre um beijo e outro, Helena sempre se inclinava e sussurrava nos ouvidos dele, com a voz quentinha e rouca, que a pegada dele era "única e diferenciada", algo mágico que a desestruturava por inteiro.
Mesmo assim, aquela frase — “louca paixão”, — ficou ecoando como um mantra nos labirintos da mente de Narciso. Ele, sempre pensativo e analítico, ficou com aquela definição na cabeça, e Helena, percebendo o impacto, também silenciou por um tempo. Mas o corpo cobra suas necessidades e, após o desgaste, ambos saíram dali satisfeitíssimos, com seus índices de estrógeno e testosterona perfeitamente em dia.
Com aquela felicidade estampada no rosto, decidiram estender a noite. Foram a uma cantina aconchegante tomar um bom vinho encorpado e saborear uma bela pizza para celebrar aquele momento com muito carinho e cumplicidade. Ainda naquele mesmo sábado abençoado, o destino havia lhes reservado um show de jazz, cujos convites Narciso já tinha em mãos há dias. Helena Dolly era a sua convidada de honra. Após aquela breve parada para a alimentação, os dois seguiram para o espetáculo. Curtiram a música instrumental, envolveram-se nos ritmos sincopados e dançaram colados a noite toda, aproveitando cada nota. Foi um sábado incrivelmente proveitoso e generoso para os dois.
Na hora da volta, já de madrugada, Narciso, o Poeta, como um cavalheiro cuidadoso, deixou Helena Dolly estrategicamente próximo de sua residência para preservar a discrição dela, e retornou para sua própria casa. Dirigindo pelas ruas silenciosas na madrugada de São Paulo, a expressão “louca paixão”, ainda martelava em sua mente. Mas o Poeta, usando de toda a sua sensatez e maturidade psicológica, começou a ponderar consigo mesmo:
"Será que eu não estaria exigindo demais do tempo e das circunstâncias? Para quem conhece a personalidade blindada de Helena Dolly, arrancar dela a confissão de uma louca paixão já está para lá de ótimo. É uma vitória do sentimento".
Confortado por essa conclusão madura, assim que pisou em seu refúgio, ele pegou o caderno e começou a trabalhar em mais um poema, moldando as linhas exatamente em cima daquela frase emblemática. Narciso fez questão de destacar em sua crônica o verso mais forte daquela noite:
“O mais gratificante desses mistérios foi ter dado a grata satisfação da perfeição em nossas intimidades”.
Era a validação de que na esfera da física e do afeto presente, eles haviam tocado o céu.
E a poesia brota naquela mesma madrugada:
LOUCA PAIXÃO
__________________________
É a sensatez de nossas almas,
Minha e sua musa Helena
Fazer nossas vidas felizes
Traduzindo assim de forma tão sublime
Essa Louca Paixão,
Na cama ou no chão
Você, queira ou não
Foi escolhida, quase intimada
Por meu coração
*
Tu és, o alimento
Que sacia a minha sede e fome
Que some e sobe com os delírios
Que o seu fogo consome
No leito, na cama,
Seu deleite
Se muito antes soubesse,
Muito antes
Teria pedido, até exigido
Para contigo estar
*
Se mereci agora,
Muito grato sou
No momento, meu tormento
É não poder estar na intimidade
Do seu dia a dia, talvez,
Não seja esta era e espaço
Mas passo a passo
O compasso clássico da paixão,
Gira e abre nossos corações
Transformando em uma só unidade
*
A mais linda união
Que faz a felicidade
De dois seres,
Eu e você
Não consigo acreditar
Em todas estas maravilhas
Você pra mim e eu pra você
Tudo, parece um sonho
Um lindo sonho
*
Não sei até quando vai durar
Pois meu desejo
É que jamais se acabe
Só sei dizer
Que o mundo
É cheio de mistérios
E o mais gratificante
Desses mistérios
Foi ter dado
A grata satisfação
Da perfeição
Em nossas intimidades
Né, Helena Dolly?..
____________
Ass. Narciso "O Poeta"
A força deste capítulo reside na dualidade: o êxtase do corpo versus a realidade do sentimento. Narciso compreende que uma "louca paixão" pode não ser o amor eterno que ele idealizou, mas é o que o destino reservou para os dois naquela mise en place daquela encarnação. E, para um homem lúcido, viver isso por inteiro já é um privilégio imensurável.
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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
opoetalk520.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
Thoughts
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PermalinkOs comentários não respondidos, aparecem para os autores? Tenho a impressão que passaram alguns...
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PermalinkEle pergunta o nome do que têm e ela dá o nome mais curto que havia. Desde o telefonema que se via que ia escolher as palavras a dedo. O meu palpite é que disse exactamente o que sente.
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PermalinkUma louca paixão. Ui.
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