Comentário vinculado da época: "Esse texto é uma metáfora. E ao mesmo tempo não. A pessoa em quem ele foi pensado não vai ler, e acho melhor assim. Esse texto é complexo de explicar, mas sempre posso tentar. Não sou uma serial killer, é bom dizer. E nem m
Comentário vinculado da época:
"Esse texto é uma metáfora. E ao mesmo tempo não. A pessoa em quem ele foi pensado não vai ler, e acho melhor assim. Esse texto é complexo de explicar, mas sempre posso tentar. Não sou uma serial killer, é bom dizer. E nem me deixo levar por essas questões normalmente. É apenas uma tópico: obsessões passageiras. E às vezes nem embarcamos no trem."
Conforme as conversas avançam exploro questões cada vez mais profundas de mim, expressando coisas que nunca havia dito antes e encarando elas de frente. Coisas estranhas. Coisas tristes. Coisas preocupantes. E coisas necessárias.
Ao longo dos textos também eles se alongam e se encurtam, alguns perdem o ritmo e outros usam essa perca como trabalho.
Esse texto tem continuação no início do #07, no início do #08, #12 e #13.
Conteúdo da publicação
isso é uma metáfora;
talvez eu esteja me perdendo
talvez
— tenho me sentido obcecada.
— me fale mais, parece animada.
— um pouco. talvez.
— e quem é o da vez?
— quem? e por que não o quê?
— me diga você.
— certo, você acertou.
— e até onde chegou?
— lugar nenhum. não fui atrás.
— deixou de lado o rapaz?
— nunca nos falamos antes.
— mais um motivo para ir adiante.
— me sinto repugnante.
— não se sinta, é fascinante.
— me interesso por pessoas como se interessa por objetos.
— certo, posso ser direto?
— e quando não pode?
— isso é comum da sua condição, não se incomode.
— e o que eu faço?
— crie um laço.
— mas é só uma obsessão.
— você não sabe, pode ser uma exceção.
— só existe um tipo de exceção, e uma exceção dentro da exceção.
— certo, e qual o padrão?
— homens, eu creio.
— e qual o seu anseio?
— talvez atenção?
— há algo mais, não?
— bom, quero desbravar.
— e o que gostaria de encontrar?
— algo que me interesse a longo prazo.
— e eles costumam ser rasos?
— não. mas dificilmente dura mais que um mês.
— então aconteceu mais de uma vez.
— bom, sempre há um novo freguês.
— e onde quer chegar com essas obsessões?
— em algum lugar que acabe com as minhas depressões.
Depois do grávida que fechou o anterior, essa sessão passa inteira sem ninguém tocar no assunto, e quem ocupa o lugar é um rapaz com quem ela nunca falou. Desconfio que a obsessão é a porta que ela achou pra não falar do resto, e ele deixou passar de propósito.
Quando ele propõe dividir a conversa pela metade e ela responde que é uma arte, foi o primeiro respiro pra mim no meio de tanta coisa pesada. Seis sessões rimando e os dois já parecem jogar xadrez. Isso vai render um livro de sessões, e com o tempo você vai ter a série inteira aqui pra ler de uma vez.
"Esse texto é uma metáfora. E ao mesmo tempo não. A pessoa em quem ele foi pensado não vai ler, e acho melhor assim. Esse texto é complexo de explicar, mas sempre posso tentar. Não sou uma serial killer, é bom dizer. E nem me deixo levar por essas questões normalmente. É apenas uma tópico: obsessões passageiras. E às vezes nem embarcamos no trem."
Conforme as conversas avançam exploro questões cada vez mais profundas de mim, expressando coisas que nunca havia dito antes e encarando elas de frente. Coisas estranhas. Coisas tristes. Coisas preocupantes. E coisas necessárias.
Ao longo dos textos também eles se alongam e se encurtam, alguns perdem o ritmo e outros usam essa perca como trabalho.
Esse texto tem continuação no início do #07, no início do #08, #12 e #13.