conte-me seus sonhos;
talvez isso se torne uma série
talvez
— conte-me seus sonhos, querida.
— tenho sonhado acordada.
— e?
— me sinto uma farsa.
— uma farsa?
— sim, uma desgraça.
— e?
— e? tem mais para saber?
— é só isso que irá dizer?
— sim?
— então por que teria vindo?
— e se eu na verdade estiver indo?
— a conversa não está fluindo.
— mas você está sorrindo.
— certo, vamos recomeçar.
— certo. quero me matar.
— esse é seu começo?
— sim, e o meu fim. não é bom, eu reconheço.
— bom, me passe seu endereço.
— oh, céus, eu mereço.
— você precisa de ajuda. e de ser monitorada.
— eu vou ser internada?
— talvez. ainda vai fazer piada?
— huh, você me deixa chocada.
— então quer morrer?
— e alguém quer viver?
— sim, é algo que todos devemos querer.
— e como eu vou saber?
— saber o quê?
— o porquê.
— de viver? ninguém sabe ao certo, vai de cada pessoa.
— e você, por que sua vida ressoa?
— porque eu não quero morrer.
— entendo, é uma contradição, dá para perceber.
— além disso, tenho muito para ler, ouvir, falar e ver.
— certo, talvez esteja começando a me convencer.
[#121409]
[18/08/25]
#01