isso é uma metáfora;
talvez eu esteja me perdendo
talvez
— tenho me sentido obcecada.
— me fale mais, parece animada.
— um pouco. talvez.
— e quem é o da vez?
— quem? e por que não o quê?
— me diga você.
— certo, você acertou.
— e até onde chegou?
— lugar nenhum. não fui atrás.
— deixou de lado o rapaz?
— nunca nos falamos antes.
— mais um motivo para ir adiante.
— me sinto repugnante.
— não se sinta, é fascinante.
— me interesso por pessoas como se interessa por objetos.
— certo, posso ser direto?
— e quando não pode?
— isso é comum da sua condição, não se incomode.
— e o que eu faço?
— crie um laço.
— mas é só uma obsessão.
— você não sabe, pode ser uma exceção.
— só existe um tipo de exceção, e uma exceção dentro da exceção.
— certo, e qual o padrão?
— homens, eu creio.
— e qual o seu anseio?
— talvez atenção?
— há algo mais, não?
— bom, quero desbravar.
— e o que gostaria de encontrar?
— algo que me interesse a longo prazo.
— e eles costumam ser rasos?
— não. mas dificilmente dura mais que um mês.
— então aconteceu mais de uma vez.
— bom, sempre há um novo freguês.
— e onde quer chegar com essas obsessões?
— em algum lugar que acabe com as minhas depressões.
— isso é uma metáfora?
— talvez seja uma anáfora.
— vamos recapitular.
— claro, é para já.
— você devia se aproximar.
— ele não tem interesse em falar.
— você ao menos tentou?
— acredite, nem precisou.
— é a primeira vez que não falou de morrer.
— ainda vou chegar lá, vai ver.
— realmente deveria dar continuidade.
— eu não tenho essa sanidade.
— você desistiu.
— você admitiu.
— ainda acho que deveria.
— sua opinião tem muita valia.
— certo, estamos nos estendendo demais.
— você que não deixa para trás.
— deveria insistir, ao menos nesse.
— ele não tem interesse.
— você não tem como saber.
— claro que tenho, ele nem vai ler.
— não?
— não.
— certo, isso deveria ser dividido pela metade.
— acontece, é uma arte.
— ainda não terminamos de conversar.
— pois, para mim, acabamos de encerrar.
[#1a1613]
[29/08/25]