Desventuras de Farpas
Há quem faça versos para conquistar um amor. Farpas também faz — mas, se der errado, ao menos rende uma boa história. Boêmio, frequentador de bares e dado a conversas que atravessam a madrugada, Farpas encontra assunto entre um copo e outro. Dos amores mal resolvidos às certezas de quem se acha muito bem resolvido, tudo pode acabar em verso. Em **Desventuras de Farpas**, a picardia encontra o deboche, o desejo perde a cerimônia e os pequenos vexames da vida ganham poesia. Ele observa, provoca e ri, inclusive de si mesmo, embora às vezes tente sair do poema com alguma dignidade. Uma das vozes de Thays Galvão, este heterônimo tem a língua afiada e certa dificuldade de deixá-la quieta. E das suas farpas absolutamente ninguém escapa: nem rico, nem pobre, nem ele próprio, nem a autora — e nem você. Ao leitor, fica o convite: puxe uma cadeira, reconheça seus próprios desastres e procure não levar a mal. Se levar, já temos assunto para o próximo poema.
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Forca
Tem gente que vende a corda e condena quem se enforca. Depois posa de bom moço porque fez desconto na forca.
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Tudo de novo
Desejo-lhe tudo DE NOVO.