Era madrugada quando deixava a minha casa para viajar por 169 km, e em cada km fiquei pensando se realmente queria aquilo. cheguei a casa da minha tia, e fiquei muito feliz por rever minhas primas, porém ainda muito pensativa sobre a escolha que teria que tomar naquela noite, a noite em que eu já esperava ansiosa e com medo. Se pelo menos os meus pais tivessem conversado comigo antes naquele momento não estamos a 169 km longe de casa.
Tudo começou a dar errado no momento em que percebi que tinha esquecido o vestido em casa , o lindo vestido em que passei um mês procurando pelas lojas mais caras da cidade , e foi um correria para encontrar outro que ficasse tão bom quanto o que eu havia esquecido, o nervosismo aumentando o frio na barriga não parava e chegou a hora.
Na festa havia convidados que eu não conhecia que nunca tinham me visto antes, eu tentava cumprimentá-lo e recebê-los, mas eles me ignoravam, não julgo, afinal era inacreditável que uma adolescente de 15 anos estivesse noivando com o amigo deles de 40 anos, e não durou muito tempo para ouvir cochichos que eles não iriam aceitar aquilo.
E só bastou isso para eu perceber que, no fundo do meu coração, eu só estava esperando alguém dizer que tudo aquilo estava errado. Talvez eu precisasse apenas de uma voz que me lembrasse que eu ainda tinha escolha. E foi assim que eu desisti daquela loucura. Pedi ao meu pai que voltássemos para casa, que me tirasse daquele lugar.
Na volta para casa, senti algo que há muito tempo não sentia: liberdade. Sem ansiedade, sem medo e, finalmente, livre para decidir o meu próprio futuro.
Naquele momento, percebi que eu não precisava ter pressa para crescer. Eu só precisava ter a chance de ser aquilo que eu ainda era: uma adolescente de 15 anos, com uma vida inteira pela frente.