Capítulo 3 — Sem Mais Disfarces
O ar entre nós parece ficar denso e sólido. Quando nossas testas finalmente se encostam, ele para de respirar por um instante; sinto o calor da pele dele, o cheiro misto de suor e sabonete da academia. O Rian brincalhão, o capitão que fazia todo mundo sorrir e torcer, desapareceu completamente. No lugar dele, só resta um rapaz vulnerável.
— Você é cruel, *Maya Costa*. Sabe muito bem disso, não é? — murmura, a voz vibrando perto do meu rosto, sem mais brincadeiras, só uma sinceridade crua que ele não consegue mais esconder. — Apaixonado? É essa a palavra que você quer usar?
Balança a cabeça devagar, roçando suavemente a testa na minha.
— Posso ter todas as garotas que quiser, sim. Mas nenhuma delas me faz perder o juízo no meio de um jogo só porque vejo alguém oferecendo uma carona. Nenhuma me faz querer ser o único rapaz perto de você, sempre, a qualquer custo.
Sorri de forma torta, mas agora há uma vulnerabilidade verdadeira ali.
— Quanto à festa... você vai estar linda, deslumbrante, e eu vou ter que passar toda a noite afastando cada idiota que chegar perto de você. Vai ser uma tortura — diz, olhando brevemente para os meus lábios — Mas eu te levo. E, por favor... tenta não me deixar louco antes de chegar lá. Porque não sei quanto tempo mais consigo fingir que sou apenas seu amigo.