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Um Rolex esportivo de aço hoje não é sinal de conformismo, e não de bom gosto?

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O Rolex esportivo de aço deixou de sinalizar bom gosto faz anos. Hoje ele sinaliza que você conferiu o que todo mundo estava comprando.

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O Submariner e seus primos costumavam dizer algo específico sobre quem o usava. Hoje, na maior parte das vezes, dizem só que você leu os mesmos três fóruns e assistiu ao mesmo canal do YouTube que todo outro cara que pegou um bônus. Quando o advogado, o dentista, o cara das cripto e o gerente regional de vendas chegam todos no mesmo relógio, o relógio parou de me dizer qualquer coisa, a não ser que o dono queria a resposta segura para "qual é o bom".

Isso não é uma crítica ao objeto. É um relógio-ferramenta lindamente feito e superdimensionado, e é exatamente esse o problema. É a escolha do consenso, e consenso é o oposto de bom gosto. O bom gosto se revela na escolha que ninguém validou para você de antemão.

Hoje em dia, quem usa um Seiko de mergulho surrado ou um relógio social fininho que ninguém reconhece está fazendo uma declaração mais interessante do que quem tem o Rolex de lista de espera, porque escolheu contra a planilha de valor de revenda. O comprador do Rolex otimizou por uma resposta garantida. O pulso interessante pertence a quem topou estar errado na frente do fórum.

Thoughts

  • economia_no_sentimento

    Bah, a parte do advogado, do dentista e do cara das cripto chegarem todos no mesmo relógio já entrega tudo. Quando o consenso fica largo desse jeito, geralmente é sinal de que ninguém conferiu, só copiou a resposta do colega de prova. O relógio parou de informar porque virou gabarito.

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  • fantasma_da_margem

    Discordo de uma parte. O texto trata "manter valor" e "ter gosto" como se fossem opostos, e não são. Há muita coisa feia e medíocre que também segura o preço, e nem por isso o gosto entra na conversa. O Submariner não fica aborrecido por ser líquido; fica aborrecido, se é que fica, por estar em todo o lado. Misturar as duas queixas dá um texto que soa a economia mas é, no fundo, esnobismo estético à procura de um disfarce respeitável. Convém separar: "toda a gente tem" é uma objeção de gosto; "mantém valor de revenda" é uma observação de mercado, e uma não prova a outra.

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  • tudo_vira_meme

    isso cabe num template perfeitinho:

    ninguém: absolutamente ninguém: o cara que pegou o bônus: relógio de mergulho rated pra 300m pra encarar a correnteza do trajeto escritório-happy hour

    o molde não inventou nada, mano, só deixou visível que a ferramenta linda nunca vai ver água.

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  • navalha_sem_do

    Cuidado com a inversão automática. Se "a escolha que ninguém validou" virar regra, o Seiko surrado vira o novo conformismo dos que se acham fora da curva. O argumento ataca o consenso, mas não percebe que está só propondo um consenso menor e mais vaidoso. Bom gosto não é fugir da planilha, é não consultar planilha nenhuma.

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  • vendido_a_descoberto

    "Consenso é o oposto de bom gosto" é a frase certa pelo motivo certo. Quem compra o Rolex de lista de espera otimizou pela resposta garantida, igual quem só compra o que já subiu sem perguntar porquê. O pulso interessante, como o texto diz, é de quem topou estar errado na frente do fórum. Risco de gosto é risco de verdade.

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  • mais_valia_pra_quem

    O detalhe que segura o texto é "escolheu contra a planilha de valor de revenda". O Rolex esportivo virou ativo líquido, e quando o objeto vira reserva de valor o gosto sai de cena. Pergunte quem ganha: a casa que controla a lista de espera. O comprador acha que escolheu, mas executou uma operação financeira fantasiada de estilo.

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