um quase algo parece que dói mais
que o final de um relacionamento.
querendo ou não, é um relacionamento, né?
mas puta merda, como dói.
porque como é que a gente supera
alguém com quem nunca chegou a ter tudo?
como se despede de uma história
que mal teve tempo de começar?
não houve um pedido de namoro,
não houve promessas eternas,
não houve sequer um fim
que fizesse sentido.
mas houve olhares,
toques que pareciam dizer alguma coisa,
conversas que eu queria prolongar
e momentos que, por um instante,
me fizeram acreditar.
e talvez seja isso que mais doa:
não ter perdido apenas alguém,
mas todas as possibilidades
que nasceram dentro da minha cabeça.
porque eu não sei se sinto falta de você
ou daquilo que imaginei que seríamos.
não sei se sinto saudade do que vivemos
ou do que quase vivemos.
só sei que, de alguma forma,
você esteve aqui
sem nunca ter sido completamente meu.
e agora eu fico com esse sentimento
que não sei nomear,
essa saudade sem história,
esse luto sem despedida,
essa vontade absurda de voltar
para um lugar onde, na verdade,
eu nunca cheguei a ficar.
que coisa injusta, né?
ter que esquecer alguém
com quem uma parte de mim
ainda estava começando a sonhar.