[INTRO — voz baixa, ambiente sombrio]
Eu tentei...
Mais vezes do que você imagina.
E talvez esse tenha sido meu erro:
continuar tentando sozinho.
[VERSO 1]
Eu cheguei na calma, você fechou a porta
Falei o que sentia, você virou as costas
Tentei compreender, recebi silêncio
Eu entreguei verdade, você chamou de excesso
Naquele trabalho começou a discussão
Mas não foi sua opinião que rasgou meu coração
Foi perceber que, enquanto eu tentava explicar
Você já tinha decidido nem sequer me escutar
Escrevi aquele poema com a alma na mão
Cada linha carregava uma parte do coração
Não era estratégia, não era manipulação
Era só um sentimento procurando compreensão
Eu deixei meu orgulho jogado no chão
Você olhou praquilo e chamou de exageração
Eu tentei ser sincero, você chamou de drama
E quanto mais eu tentava, mais distante você estava
[PRÉ-REFRÃO]
Quantas vezes eu pedi desculpa?
Quantas vezes assumi o que nem era meu?
Quantas vezes procurei uma conversa?
E você simplesmente desapareceu?
Visualizava e não respondia
Eu esperando enquanto o tempo corria
Eu tentando salvar o que ainda existia
Você deixando morrer aquilo que eu defendia
[REFRÃO — pesado, melódico]
Eu tentei uma, duas, três — perdi a conta
Bati na mesma porta até minha mão ficar tonta
Eu queria resolver, você queria distância
Eu chamando de amor, você chamando de importância
Eu fui cem por cento, sem máscara, sem teatro
Sem jogo pelas costas, sem contrato
Mas sentimento sozinho não sustenta relação
Se só um segura, uma hora cai tudo no chão
Eu fui inteiro, mesmo cheio de imperfeição
Você teve minha verdade, não uma versão
E se amar também exige reciprocidade
Eu aprendi na dor o peso dessa realidade
[VERSO 2 — flow mais rápido]
Tentei mudar meu tom, tentei falar mais leve
Respeitei seu espaço, o tempo que você pede
Tentei trazer paz onde só havia tensão
Mas cada tentativa virava outra acusação
“Você complica tudo” — foi o que eu ouvi
Mas eu só queria entender o que aconteceu aqui
Não queria vencer, não queria ter razão
Eu queria consertar o que sobrou da situação
Só que toda ponte precisa de dois lados
Não existe encontro quando um fica parado
Eu atravessei tempestade tentando chegar
Mas você já não estava esperando eu voltar
E talvez eu tenha insistido demais
Tentando reconstruir o que não existia mais
Enquanto eu juntava os pedaços pelo chão
Você já tinha colocado um ponto na situação
[PRÉ-REFRÃO 2]
Eu contei minhas falhas
Você contou meus erros
Eu mostrei minhas feridas
Você enxergou só meus defeitos
Eu queria uma resposta
Você queria silêncio
Eu procurava um caminho
Você procurava distância
[REFRÃO — mais intenso]
Eu tentei uma, duas, três — perdi a conta
Bati na mesma porta até minha mão ficar tonta
Eu queria resolver, você queria distância
Eu chamando de amor, você chamando de importância
Eu fui cem por cento, sem máscara, sem teatro
Sem jogo pelas costas, sem contrato
Mas sentimento sozinho não sustenta relação
Se só um segura, uma hora cai tudo no chão
Eu fui inteiro, mesmo cheio de imperfeição
Você teve minha verdade, não uma versão
E se amar também exige reciprocidade
Eu aprendi na dor o peso dessa realidade
[PONTE — beat quase desaparece]
E dói admitir...
Eu estava lutando sozinho.
Enquanto eu tentava salvar
Você já tinha deixado acabar.
Enquanto eu procurava respostas
Você já tinha fechado as portas.
E talvez essa seja a parte mais difícil:
aceitar que nem toda tentativa
termina em reconciliação.
[BREAK — beat retorna]
Eu não me arrependo de ter tentado.
Me arrependeria de nunca ter sido verdadeiro.
Eu fiz o que consegui.
Eu falei.
Eu pedi desculpas.
Eu procurei diálogo.
Mas ninguém constrói uma ponte
carregando os dois lados sozinho.
[REFRÃO FINAL — explosivo]
Eu tentei até onde dava pra ir
Engoli meu orgulho pra não te perder de mim
Mas pedir desculpa sozinho não traz solução
Não existe reconciliação sem reciprocidade, não
Eu fui amor real, imperfeito, mas inteiro
Fui verdade até quando doeu primeiro
Não foi falta de luta, não foi falta de intenção
Foi dois corações seguindo em direção diferente, então
Eu tentei...
Até não sobrar mais tentativa.
E quando a última porta fechou,
eu finalmente entendi:
**não era falta de sentimento.
Era falta de reciprocidade.
[OUTRO — voz baixa]
Algumas histórias não terminam porque faltou amor.
Terminam porque só uma pessoa continuou tentando.