Existe um certo planeta, em uma determinada galáxia, onde mora uma dor.
Existe uma certa data, de um certo mês, que agora me assombra.
Por aí, há um bairro, com uma certa rua, que me vejo evitando involuntariamente.
Agora, há um certo nome que, para aumentar minha lista de dores, me causa arrepios cortantes.
Existe uma certa voz que, agora, aperta meu coração mais do que nunca.
Há também um certo cheiro que me desmonta por inteiro.
Certamente existe um sorriso...
Um sorriso que agora eu mal reconheço.
Houve uma época em que existiam determinados braços que me deixavam repousar.
Um certo tempo em que aqueles braços eram meu lar.
Naquele tempo, havia um par de mãos que secavam minhas lágrimas.
Agora, em determinado lugar, essas mãos tocam outro corpo.
Esse sorriso sorri por outro nome.
Os braços se tornaram moradia para outra pessoa.
E, depois de determinado ano, todas as suas lembranças parecem não incluir mais meu corpo, meu nome.
Isso me parece estranho.
Estranho pensar que um dia eu fui presença em tantos lugares seus e que, agora, posso existir apenas como alguma coisa que aconteceu.
Como uma data. Uma rua. Um cheiro. Uma voz.
E talvez nem isso.