Tristeza de Amar
É tempo.
É chuva.
É cabana.
Lugar distante.
Algo impossível de sair,
como caverna de urso.
As pegadas no mato,
pé sobre a suave terra.
Rio onde se perdem
as lembranças.
Como o céu fica pequeno
quando ela voa,
gritando para chamar
atenção.
Mas corra até o rio,
até a cachoeira,
até subir.
Você já não está mais lá.
Corri tanto para
encontrar.
Encontrei orvalhos
sobre as folhas.
A chuva caía.
Os pássaros não sorriam
mais.
Como o joão-de-barro,
faz o ninho no ponto mais alto
da árvore, para admirar
sua casa e sua família.
Algo se constrói
lentamente, na ponta
do seu bico,
que monta cada
pedacinho da sua casa.
Mas nunca conseguiu
montar
seu próprio coração.
Pois a terra racha,
e meu coração está cheio
de rachaduras.
Como larvas saindo
de dentro
das rachaduras,
assim é a casa do meu
coração.
Hoje já não é mais
colorida.
Apenas se dividiu.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho