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Teu Perfume.

lowlogann

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Belíssimo jantar cheio de familiares e amigos dos meus pais. O cheiro de bebida cara, em específico, vinho tinto e cachaça era insuportável além dos perfumes de luxo de tantas pessoas reunidas num lugar só, tudo isso matava. Muitas pessoas e pouco silêncio.

Não demorou para que saísse dali com cuidado. Conseguia sentir o olhar dele me seguindo por onde eu passava, desejoso e ansioso, esperando algum tipo de momento certo para ir atrás de mim, com a mesma desculpa que eu. Fui pegar um ar. Simplesmente isso. Conseguia sentir o forte peso no teu olhar me encarando sem desviar, como se eu fosse a coisa mais magnética a passar pela porta.

“Ei. Não está me esperando pra ir também?” consegui ouvir o riso baixo e chamativo dele. Sua voz era charmosa e carismática, bom, pelo menos de primeira impressão.

“Não te conheço e não te devo nada. E mesmo se devesse, ainda não te conheço.”

Mais uma vez ele riu. Não demorou até que eu olhasse para trás e visse a figura dele. Cabelos bem finalizados, curtos e loiros, pelo bronzeada e olhos médios. Só mais um riquinho mimado que não é difícil de achar em filmes ruins estadunidenses.

“Ora, ora… pensei que conquistaria teu coração hoje, mas é você que conquista o meu.”

Ignorei. Segui o meu caminho para a área de fora daquele casarão, procurando respirar um ar puro e me sentir livre para me mover longe daquele ambiente claustrofóbico e barulhento.

Seria melhor se um mauricinho não tivesse me seguido, ficado de pé na minha frente e de braços cruzados. Me encarou como se sugasse a minha alma e toda riqueza da minha família podre de dinheiro e condição.

“Que tóxico… tô de observando faz horas e você não me dá bola!”

“Eu cheguei faz trinta minutos.”

“Eu nunca disse que foi a partir do momento que você passou pela entrada.”

“Seu doente…”

Ouvi ele se sentar do meu lado, encostando em mim. Minha primeira vontade foi ter dado um peteleco na cara desse mimadinho pra ensinar a tocar em corpos que não o pertence, e pra dar outras lições de moral.

“Eu não estou doente. Estou charmoso.”

“Pessoas charmosas não fedem a álcool e vinagre.”

“Mas é o meu perfume que disfarça, meu amor.”

“Você acabou de criar um pecado novo falando isso.”

As suas mãos tiveram a audácia de simplesmente tocar no meu cabelo bem produzido. Ele nso sabe o quando isso me irrita.

“O que eu faço pra ganhar um beijo?”

“Nada.”

“Oh, e gratuito ainda por cima?”

A risada dele foi ignorante e chata.

“Não. Mas você nunca vai ganhar.”

Thoughts

  • Ovid

    Ri muito com ela dizendo que ele tinha acabado de inventar um pecado novo! Eu também fiquei do lado dela a cena inteira, até a parte do cabelo, que foi onde ele perdeu de vez. E o título promete que esse perfume ainda volta na história, então imagino que esse jantar no casarão não vai ser o último encontro dos dois.

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