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Teoria nº 31: Reflexo do Amor

hyan_amorim
Pensamento

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MateusVilela

A desculpa oficial pro Joel ter virado psicopata continua sendo a bolada na cara, e agora o laboratório inteiro vai ter que sustentar essa kkk

A desculpa oficial pro Joel ter virado psicopata continua sendo a bolada na cara, e agora o laboratório inteiro vai ter que sustentar essa kkk

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Segunda-feira, 04 de maio de 2026

O fogo começa a se espalhar rapidamente, e eu ainda estou assimilando tudo o que aconteceu. Augusto matou o próprio pai... e nos deixou para trás, eu e Ariel, para morrer. Esse cara está completamente louco.

— Por aqui — digo, pegando a mão de Ariel.

Corremos até a pequena porta. O cadeado ainda não está fraco o suficiente para se romper, mas eu preciso tentar. Pego um pedaço de ferro e começo a bater com força no cadeado.

— Ai, meu Deus... eu não quero morrer — diz Ariel, desesperado.

O calor aumenta a cada segundo. Olho para trás e vejo as chamas se aproximando. Bato com ainda mais força, ignorando a dor nos braços, até que, finalmente, o cadeado se rompe e cai no chão com um estrondo metálico.

— Você conseguiu... — diz Ariel, começando a tossir. O laboratório já está tomado pela fumaça.

Abro a porta rapidamente. Do outro lado, há um pequeno corredor escuro.

— Vai, amor. Você primeiro — digo, tossindo.

Ariel se abaixa e começa a engatinhar pelo corredor estreito. Vou logo atrás. Engatinhamos o mais rápido que conseguimos, tossindo sem parar, enquanto a fumaça invade o espaço atrás de nós. Meus pulmões ardem.

Finalmente, chegamos a outra porta.

Ariel a empurra.

Nós pulamos para fora.

— Conseguimos... — diz ele, ainda tossindo, enquanto a fumaça escapa pela abertura atrás de nós.

Uma luz fraca surge por uma brecha. Caminho ao lado de Ariel e toco na superfície: é uma porta de madeira. Nós a abrimos, e a luz invade tudo de uma vez.

É o jardim da mansão.

Estamos no porão.

— Estamos no jardim da mansão — digo, enquanto subimos apressados as escadas.

— Amor, o que a gente vai fazer? O Augusto matou o próprio pai, e a polícia vai pensar que foi você — diz Ariel, desesperado.

— Não se preocupe com isso — digo, firme.

— Mas por que você não parece nem um pouco preocupado? Tipo... você vai ser acusado de assassinato — insiste Ariel, com a voz trêmula.

— O Augusto cometeu um erro terrível — respondo, mantendo a calma. — Acho que o doutor Prado não explicou tudo sobre a Fórmula Reflex.

— Como assim? — questiona Ariel, confuso.

— A Fórmula Reflex não altera tudo — explico. — Ela muda apenas a aparência superficial: rosto, pele, estrutura muscular. Mas não consegue modificar o que realmente identifica uma pessoa.

— O que você quer dizer com isso? — pergunta ele, atento.

— Impressões digitais não mudam — continuo. — O mesmo vale para as unhas  e cabelo.

Ariel me encara por alguns segundos, assimilando tudo. Aos poucos, o desespero em seus olhos começa a dar lugar ao alívio.

— Então... ele não vai conseguir jogar isso nas suas costas? — sussurra.

— Não — respondo, com convicção. — Ele pode ter usado o meu rosto... mas nunca poderia se tornar eu de verdade.

Escuto o barulho de sirenes vindo da rua. Os portões da mansão se abrem rapidamente, e os carros do Corpo de Bombeiros entram em alta velocidade. Uma grande quantidade de fumaça sai da mansão, enquanto os funcionários correm para fora, em pânico.

— Parece que o fogo se espalhou — digo, observando a mansão ser tomada pela fumaça.

— Vamos sair daqui — diz Ariel, tossindo, enquanto me puxa pela mão.

Saímos discretamente e, em poucos segundos, já estamos na rua.

— Ariel! — escuto a voz do Wei.

Viro o rosto e vejo Wei e Rafael correndo em nossa direção. São os nossos amigos. Um aperto forte invade meu peito — senti tanta saudade deles.

— Ariel, eu preciso te contar uma coisa — diz Rafael, puxando-o levemente pelo braço.

— Está tudo bem — responde Ariel, sorrindo, enquanto se solta. — Esse aqui é o verdadeiro Joel.

— Joel... é você mesmo? — pergunta Wei, incrédulo, aproximando-se devagar.

— Sou eu, sim — respondo, com um sorriso sincero.

Wei e Rafael pulam em cima de mim em um abraço apertado.

— Ariel, então a sua teoria estava errada — diz Rafael, ainda me segurando.

— Que teoria? — pergunto, confuso.

— Eu achei que você tinha ficado frio por causa daquela bolada que levou no rosto — diz Ariel, com um sorriso sem graça.

— Sério? — digo, surpreso. — Me conta um pouco dela.

— Na minha teoria, seus sentimentos por mim tinham sido bloqueados por causa da pancada — explica Ariel, envergonhado. — Mas agora vejo que isso não faz o menor sentido.

— Nenhuma bolada vai mudar o que eu sinto por você — digo, firme, puxando Ariel pela cintura. — Mesmo que eu perca a memória... eu ainda vou continuar te amando, mesmo sem te conhecer.

— Você é mesmo o meu doutor — diz Ariel, confiante, aproximando o rosto do meu.

— Ou almas gêmeas... — comenta Wei. — Ei, olha aquilo ali.

— Quem foi que morreu? — pergunta Rafael, chocado.

Viro o rosto e vejo um corpo sendo levado na maca, coberto por um saco preto.

— Pobre doutor Prado... — diz Ariel, com a voz carregada de tristeza.

— Aquele é o doutor Prado? — grita Wei, assustado.

— Infelizmente, sim — respondo, de cabeça baixa.

Quarta-feira, 06 de maio de 2026

Quando reencontrei meus pais, não consegui conter as emoções. Não pude contar o que realmente aconteceu comigo, já que a NASA ordenou que o caso fosse abafado. Pedi desculpas a eles pelo meu comportamento nos últimos tempos.

— Eu senti tanta falta de vocês — digo, emocionado, ainda agarrado aos meus pais.

— Você fala como se tivesse viajado e só voltado agora — diz minha mãe, fazendo carinho nas minhas costas. — Não se esqueça de que foi você que se afastou da gente.

— Ainda bem que você caiu em si — diz meu pai, alarmado. — Você parecia um psicopata, sem nenhum pingo de empatia.

— Desprezou os próprios pais e ainda terminou com o namorado — acrescenta.

— Como eu já disse, senhor, tudo isso foi por causa da bolada que ele levou na cabeça — diz Ariel, com convicção. — A pancada bloqueou as emoções dele por um tempo.

— Me desculpem mesmo... eu fui um idiota com vocês — diz Joel, de cabeça baixa. — Obrigado por não desistirem de mim.

— Nós te amamos, filho. Nunca desistiríamos de você — diz minha mãe, me abraçando.

— Nunca — diz Ariel, também me abraçando.

Ser abraçado pelas três pessoas que eu mais amo neste mundo é realmente muito bom. Fico triste por não poder contar a verdade, mas, infelizmente, o assunto sobre a fórmula REFLEX é extremamente confidencial.

Quinta-feira, 07 de maio de 2026

O laudo pericial finalmente saiu e confirmou o que eu já esperava: as digitais encontradas no corpo do doutor são do Augusto, não minhas. Ele cavou a própria cova. Agora está sendo procurado pela polícia pelo assassinato do próprio pai.

O corpo do doutor Prado ainda não foi liberado para o velório. Sei que ele armou tudo contra mim, mas não consigo sentir raiva. Mesmo depois de tudo o que fez, ainda o admiro muito... e quero me despedir dele.

Agora estou junto com os outros físicos. Pedi desculpas pelo meu comportamento, principalmente ao Henrique.

— Eu realmente sinto muito, doutor Montenegro — digo, com arrependimento na voz. — Eu fui um idiota.

— Que bom que você voltou ao normal, doutor Martins — diz Henrique, me olhando. — A gente já estava quase chamando um padre para te exorcizar.

— Mas a culpa foi sua, doutor Montenegro. Foi você que deu aquela bolada na cara do Joel — diz Rafael, passando os braços pelos meus ombros. — Deixou ele maluquinho... ainda bem que não foi irreversível.

— Até parece que foi isso — diz um dos físicos, desconfiado. — O doutor Martins está escondendo alguma coisa.

Olho para todos os físicos, e eles me encaram com desconfiança.

Eu, Wei e Rafael nos entreolhamos. Precisamos fazer de tudo para que a teoria da bolada na cabeça continue sendo o motivo do meu comportamento nos últimos tempos.

Sexta-feira, 08 de maio de 2026

É de manhã. Fomos visitar a avó e a irmã do Ariel. Depois disso, ele me fez um pedido que me deixou surpreso: queria ir à praia.

Agora estamos descalços, com os pés afundados na areia. Caminhamos de mãos dadas. Olho para Ariel e percebo que ele encara o horizonte em silêncio. Lágrimas escorrem lentamente por seu rosto.

— Não acredito que finalmente consegui vir aqui — diz Ariel, fechando os olhos. O vento bate em seu rosto, bagunçando seus cabelos.

— Você finalmente superou seus traumas — digo, orgulhoso.

— Sim — responde Ariel, abrindo os olhos e sorrindo. — Vem — acrescenta, me puxando em direção à água.

— Não se esqueça de que eu não sei nadar — digo, enquanto ele me arrasta. A água já chega à minha cintura.

— Acha mesmo que eu vou deixar você se afogar? — provoca Ariel, beliscando minha bochecha.

— Eu poderia muito bem me afogar agora... só para você ter que fazer respiração boca a boca em mim — digo, abraçando-o por trás.

Rimos juntos e brincamos na água por um bom tempo, deixando o som do mar levar embora tudo o que ficou no passado.

É de tarde, e estou no laboratório testando um equipamento que acabou de chegar. De repente, alguns homens aparecem e acenam do lado de fora da porta de vidro.

— Com quem vocês gostariam de falar? — pergunta Wei, enquanto abre a porta.

— Eu gostaria de falar com o doutor Martins — diz um dos homens, olhando para mim. Sinto um arrepio na espinha.

— Sou eu — respondo, com a voz trêmula, aproximando-me.

— Podemos conversar a sós, doutor Martins — diz o homem, sem desviar o olhar. — É um assunto particular.

— Vamos tomar um café — diz Rafael, puxando Wei para fora.

— Qual é o assunto? — pergunto, assim que ficamos sozinhos.

— É sobre a fórmula REFLEX — diz o homem, sério, encarando-me. — Estou encarregado de apagar qualquer evidência... inclusive a mente das pessoas que sabem sobre a fórmula.

— Apagar? — pergunto, engolindo em seco.

— Sim — responde ele, tirando um aparelho do bolso. — Quero que me diga quantas pessoas sabem sobre a fórmula REFLEX.

— Esse aparelho é capaz de zerar a mente de qualquer indivíduo — acrescenta, erguendo o dispositivo.

— O nosso pessoal já está à procura do Augusto Prado. Assim que o encontrarmos, vamos apagar a memória dele — diz o outro homem, sério, em um tom quase intimidador.

— Acha mesmo que isso vai ser necessário? — pergunto, receoso.

— Só não vamos apagar a sua memória agora porque você é necessário para nós — diz o homem, apontando o aparelho na minha direção.

— Esse negócio é seguro? — pergunto, desviando do aparelho que ele estava apontando.

— Infelizmente, ele não apaga memórias específicas. O apagamento é geral — responde o outro homem, friamente.

Apagamento geral da memória? Se eles descobrirem que Wei, Rafael e Ariel sabem, vão apagar a memória deles... Ariel... vão apagar a memória do meu amor.

#romance

Thoughts

  • MateusVilela

    A desculpa oficial pro Joel ter virado psicopata continua sendo a bolada na cara, e agora o laboratório inteiro vai ter que sustentar essa kkk

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  • meioCapitulo

    O Joel jurando que continua amando o Ariel mesmo se perder a memória, e no fim do capítulo aparece um aparelho que apaga tudo de uma vez. Essa promessa vai ser cobrada, quase certeza

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