Gostei muito do Ariel chamando o Joel de doutor na mensagem de boa-noite, depois daquele relatório todo de frequência cardíaca. Ele entrou no jogo.
Teoria nº 09: A Consolidação do Vínculo Afetivo
Pensamento
Gostei muito do Ariel chamando o Joel de doutor na mensagem de boa-noite, depois daquele relatório todo de frequência cardíaca. Ele entrou no jogo.
Conteúdo da publicação
Quarta-feira, 18 de março de 2026
Ver o Ariel feliz enquanto observa os planetas aquece meu coração. Ele olha para cada um deles com paixão, assim como fazia quando tinha 16 anos.
— Ariel... — digo, hipnotizado pela alegria dele.
— Sim? — responde Ariel com um sorriso, virando o rosto para me olhar. Seus olhos estão brilhando.
— Eu te amo — digo, sem tirar os olhos dele.
Ariel não diz nada. Apenas sorri timidamente e desvia o olhar.
— Você aceita se casar comigo? — deixo escapar, sem pensar.
— Hã? — diz Ariel, incrédulo.
— Desculpa... quer dizer, você aceita namorar comigo? — corrijo, com um sorriso sem graça.
Ariel continua em silêncio. Ele apenas fica olhando para os meus lábios. Meu coração acelera.
Será que ele quer me beijar?
— Não me olha assim... — digo, sem jeito.
Ariel se aproxima, e nossos rostos ficam muito próximos.
— Se você der mais um passo... eu juro que não vou conseguir me conter — falo, com o coração disparado.
— Eu estou com vontade de te beijar — diz Ariel, sem tirar os olhos dos meus lábios. — Beijar um cara bonito no meio do espaço deve ser uma sensação única — sussurra, antes de encostar os lábios nos meus.
— Seus lábios são tão macios... — sussurro, enquanto nos beijamos.
Coloco as mãos no rosto de Ariel, e o beijo se intensifica.
— Você tem uma boa pegada... — sussurra Ariel, surpreso, enquanto aperta minhas costas com as mãos.
— Nossa... — digo, ofegante, após nossos lábios se separarem.
— Me leva para casa... já está bem tarde — diz Ariel, também ofegante e um pouco tímido.
Depois de deixar Ariel em casa, sigo para a minha, completamente nas nuvens. Mesmo ele não tendo dado uma resposta à minha pergunta, aquele beijo valeu mais do que um “sim”.
Me jogo na cama, ainda sentindo o gosto do beijo, e pego o celular para escrever uma mensagem de boa-noite.
— Boa noite, Ariel. Após uma análise aprofundada do dia, cheguei à conclusão de que ele foi oficialmente perfeito. O beijo elevou minha frequência cardíaca a níveis preocupantes... porém estatisticamente aceitáveis. Recomendo repouso imediato. Durma bem. — escrevo.
— Você me surpreendeu hoje, doutor. Boa noite. — responde Ariel.
Eu simplesmente surto na cama. Meu coração parece que vai explodir de alegria.
— Calma, Joel... você não pode ter um infarto agora. Você mal começou a sair com o Ariel — digo para mim mesmo, todo bobo, respirando fundo como se estivesse tentando normalizar os batimentos.
Pego meu bloco de notas e começo a escrever.
TEORIA DO IMPACTO EMOCIONAL REPENTINO — PARTE 2 (EM ANDAMENTO)
(Continuação do estudo — Experimento: Ariel)
Expansão da hipótese:
Após o impacto inicial, o indivíduo não apenas apresenta desorganização emocional temporária, mas pode evoluir para um estado de expressão afetiva progressiva, mesmo com tentativas conscientes de negação.
Caso de estudo: Ariel.
Novos eventos registrados:
Aceitação de encontro romântico.
Engajamento voluntário em atividades emocionais (passeio, conversa íntima, contato físico prolongado).
Beijo iniciado pelo próprio indivíduo (dado crítico).
Reação de ciúmes diante da interação do agente causador com terceiros.
Comunicação afetiva indireta (mensagens com carga emocional implícita).
Sintomas observados — Fase 2:
1. Intensificação do rubor facial, especialmente após estímulos românticos diretos.
2. Aumento da proximidade física voluntária, com redução da resistência inicial.
3. Ciúmes evidentes, caracterizados por irritação e comportamento possessivo.
4. Contradição verbal frequente: nega sentimentos, mas age de forma oposta.
5. Iniciativa afetiva espontânea (ex.: beijo sem cálculo prévio).
6. Oscilação emocional: alternância entre negação, irritação e demonstrações claras de afeto.
— Isso definitivamente não é só efeito colateral... — murmuro, pensativo.
Análise atualizada:
Os dados indicam que o impacto inicial não apenas revelou sentimentos preexistentes, como também acelerou o processo de manifestação emocional do indivíduo.
Conclusão parcial:
A teoria se fortalece:
o impacto não cria o amor — apenas remove as barreiras que o impediam de se manifestar.
Observação crítica:
Apesar da evolução significativa, o indivíduo ainda apresenta resistência consciente, o que indica que o processo não está completo.
Variável pendente:
Declaração explícita e consciente dos sentimentos por parte de Ariel.
Fecho o bloco de notas lentamente, com um sorriso satisfeito.
Se os dados continuarem nesse ritmo...
a confirmação final não deve demorar.
Quinta-feira, 19 de março de 2026
É de manhã, e não consigo esquecer o beijo de ontem à noite. Foi tudo tão perfeito... a gente se beijou no meio do sistema solar. Foi tão romântico.
— AAAAAAH! — dou um grito, enquanto enfio o travesseiro no rosto. — Eu tenho que mandar uma mensagem de bom dia — digo, todo bobo, pegando o celular.
— Bom dia, minha estrela da cozinha. Fiz alguns cálculos e concluí que acordar pensando em você aumentou significativamente minha taxa de felicidade. — escrevo.
— Bom dia, Joel. Também acordei pensando no beijo de ontem. Foi tudo tão perfeito... beijar você no meio do sistema solar me deu borboletas no estômago. — responde Ariel.
— Eu queria te ver! 🫣 — escrevo.
— Então vem, ué 🙄 — responde Ariel.
— Indo... 🚗 — escrevo, antes de pular da cama.
Corro para o banheiro e tomo um banho rápido.
Chego ao prédio e estou correndo pelo corredor quando me deparo com Wei e Rafael.
— Pensei que só nos veríamos no laboratório — diz Wei, surpreso.
— Bora aproveitar e jogar um xadrez quântico? — sugere Rafael, animado.
— Eu não vim aqui ver vocês — digo, com convicção.
— Não me diz que... — começa Wei, chocado, olhando para a porta do apartamento do Ariel.
— Isso mesmo. Vim ver minha estrela da cozinha — digo, com orgulho, passando por eles.
— Então sua teoria do impacto emocional está se concretizando? — pergunta Rafael, com um sorriso malicioso.
— Exatamente. O Ariel não consegue mais esconder o que sente por mim — respondo, todo convencido.
— Você está fazendo tanto mistério com isso... — diz Wei, desconfiado.
— Depois conversamos. Agora tenho que ver minha estrela da cozinha — digo, antes de apertar a campainha.
No momento em que Ariel abre a porta, ele dá um sorriso malicioso e, em um piscar de olhos, me puxa para dentro. Logo em seguida, pula no meu colo e começa a me beijar.
— Fecha a porta... — sussurra Ariel, ainda entre os beijos.
Dou alguns passos para frente e fecho a porta com o pé. Seguro Ariel com firmeza, minhas mãos em suas nádegas. Tento resistir, mas acabo dando leves apertos. Caminho com ele até o sofá, sem desgrudar nossos lábios, é claro.
Sento-me, e Ariel continua em cima de mim.
— Me mostra do que é capaz, nerd... — sussurra Ariel entre os beijos, com a voz rouca.
Ele está sentado sobre mim. Tento me controlar, mas não consigo conter a excitação.
— Nossa... — murmura Ariel, surpreso ao perceber.
— Foi mal... — sussurro, ofegante, completamente sem jeito.
— Gosto assim — responde Ariel, antes de voltar a me beijar com ainda mais intensidade.
Peraí... a gente está se beijando... estamos sozinhos... Não acredito que estou prestes a fazer aquilo com o Ariel.
Agora que caiu a ficha...
Os únicos momentos mais intensos que eu tinha com o Ariel eram nos meus sonhos... e, quando chegava na melhor parte, eu acordava todo molhado.
Mas agora não... isso não parece um sonho.
De repente, escuto batidas na porta.
— Ei! Vocês dois! O que estão fazendo aí? Estão muito suspeitos! — diz Rafael, batendo na porta.
— Que droga... — reclama Ariel, frustrado, enquanto sai de cima de mim. — O que vocês querem agora? — pergunta, indo até a porta.
— O que foi isso? — digo, levando a mão ao peito.
Meu coração está batendo tão forte... acho que estou prestes a ter um infarto.
Ariel abre a porta, e Wei e Rafael estão lá. Os dois logo lançam olhares desconfiados para dentro do apartamento.
— Você só chama o Joel para a sua casa — diz Rafael, ofendido. — Pensei que nós éramos seus amigos.
— Eu estava resolvendo uma coisa com o Joel — diz Ariel, respirando fundo enquanto tenta parecer calmo.
— Sei muito bem o que vocês estavam fazendo — diz Wei, olhando para mim jogado no sofá, completamente descabelado. — Vamos voltar para o nosso apartamento — acrescenta, passando o braço pelos ombros de Rafael.
— Então vamos — diz Rafael, dando alguns passos para trás. — Continuem o que estavam fazendo.
— Esperem — diz Ariel, segurando o braço dos dois antes que saiam. — Desculpa, amigos... entrem. Eu vou fazer um lanchinho pra gente.
Os dois entram correndo antes mesmo de Ariel terminar de falar.
— Seu apartamento é bem bonito — comenta Rafael, olhando ao redor com curiosidade.
— Vai mais pra lá, espaçoso — diz Wei, se jogando no sofá sem cerimônia.
— Vocês não têm mais o que fazer? — digo, frustrado.
— Não — rebate Rafael, dando de ombros.
Ariel logo prepara alguns sanduíches, e agora estamos comendo e conversando juntos. Aos poucos, o clima volta a ficar leve, como nos velhos tempos da escola.
Estamos jogando Dungeons & Dragons.
A nostalgia me atinge em cheio. Isso me lembra da época da escola, quando passávamos horas jogando juntos, criando campanhas absurdas e discutindo regras como se fossem questões de vida ou morte.
Estou sentado à cabeceira da mesa, no papel de mestre, com meus livros organizados por tamanho, dados separados por tipo e um caderno cheio de anotações.
— Certo — digo, ajustando os óculos. — Vocês estão diante de uma taverna suspeita. Há rumores de que um tesouro está escondido no porão... mas ninguém que entrou saiu para contar a história.
— Eu entro chutando a porta! — diz Rafael, sem pensar duas vezes.
— Claro que entra — comenta Wei, revirando os olhos. — Eu vou com mais cautela. Quero observar o ambiente primeiro.
— Muito bem — continuo, tentando manter a postura de mestre sério. — Rafael entra fazendo barulho, chamando a atenção de todos... enquanto Wei percebe uma figura encapuzada olhando diretamente para vocês.
— Eu ataco! — diz Rafael, empolgado.
— Você nem sabe quem é! — rebate Ariel, rindo. — Eu vou tentar conversar com a pessoa.
Olho para Ariel com um leve sorriso.
— Role um d20 para ver se sua abordagem funciona.
Ele pega o dado, balança na mão e joga na mesa.
— Dezessete.
— Impressionante... — digo, anotando. — A figura abaixa o capuz... e revela um mago misterioso que parece interessado em você.
— Ih... — provoca Wei. — Lá vem.
— Ele diz: “Você tem um brilho diferente... algo raro” — continuo, olhando diretamente para Ariel.
— Ei, isso aí não está no roteiro — diz Rafael, desconfiado.
— Sou o mestre. Eu faço o roteiro — respondo, com um leve sorriso convencido.
Ariel ri, um pouco sem graça.
— O que eu faço agora?
— Depende... — digo, inclinando-me levemente para frente. — Você confia nele?
Por um segundo, nossos olhares se encontram.
— Eu... acho que sim — responde Ariel, mais baixo dessa vez.
— Então ele estende a mão e diz: “Venha comigo... posso te mostrar algo incrível.”
— Isso está estranho — comenta Wei.
— Muito estranho — concorda Rafael.
— Silêncio na mesa — digo, tentando segurar o riso. — A campanha está ficando interessante.
Ariel não diz nada; apenas me encara com um sorriso malicioso. Se esses dois idiotas não estivessem aqui, sabe-se lá o que nós dois estaríamos fazendo neste momento — e, só de imaginar, mal consigo esconder a excitação.
Depois de brincarmos por um tempo, chega a hora de irmos para o laboratório. Eu, Wei e Rafael nos despedimos de Ariel e seguimos para lá.
Estou no laboratório, acabei de concluir os testes de alguns equipamentos. Enquanto organizo os dados, converso com o Ariel pelo celular. Ele me contou que está gravando um episódio de um programa culinário no restaurante.
Eu deveria estar apenas orgulhoso... e eu estou. Mas também estou apreensivo.
O apresentador do programa é simplesmente Augusto Prado. O padrão ambulante. Confiante, bonito, carismático. O tipo de homem que entra em qualquer lugar e todos olham. E ele vai passar o dia inteiro ao lado da minha estrela da cozinha.
Isso está me deixando louco.
Passei o dia inteiro tentando me concentrar nos cálculos, mas a imagem deles dois juntos não saiu da minha cabeça nem por um segundo. Assim que saí do laboratório, fui direto para o restaurante do Ariel, quase correndo.
Quando chego, vejo a equipe do programa guardando os equipamentos na van. O coração acelera. Entro no restaurante e sigo pelo corredor, mas paro antes da curva ao ouvir vozes conhecidas.
A do Ariel... e a do Augusto.
— Não estou entendendo — diz Ariel, confuso.
Espio discretamente. Vejo os dois. Augusto está de costas para mim.
— Está entendendo sim — responde ele, com a voz calma. — Eu quero sair com você.
Vejo quando ele segura as mãos do Ariel.
Meu peito aperta de um jeito que chega a doer.
Ariel não responde de imediato. Apenas o encara, em silêncio. E isso é o suficiente para despedaçar meu coração.
Será que ele vai aceitar?
Thoughts
Related posts
-
Teoria nº 08: Coração em Órbita Permanente
Quarta-feira, 18 de março de 2026
-
Conversa.
Eu não entendo o motivo de você ainda fazer isso comigo, não importa o que faço eu não acho motivos.
-
Ironia do destino
Hoje teve prova.
-
Flores de papel
Flores de papel Minha cabeça deitada sobre o travesseiro, girando, girando, uma roda-gigante,
-
Recomeço
Já te superei.
Quarta-feira, 18 de março de 2026