O Ariel mandando a moça vazar e depois perguntando se o Joel quer morrer kkkkk eu amo esse ciumento que jura que não gosta
Teoria nº 08: Coração em Órbita Permanente
Pensamento
O Ariel mandando a moça vazar e depois perguntando se o Joel quer morrer kkkkk eu amo esse ciumento que jura que não gosta
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Quarta-feira, 18 de março de 2026
Hoje mais cedo, recebi uma ótima proposta: o doutor Prado quer que eu vá para os Estados Unidos supervisionar um novo projeto. Vou ter que passar mais ou menos dois anos lá.
Ele me deu um tempo para pensar, mas acho que vou aceitar. Ficar um tempo longe do Ariel pode ajudá-lo a entender se realmente gosta de mim.
Segundo a teoria do impacto emocional, Ariel pode voltar a reprimir seus sentimentos, e isso me assusta.
Chego em casa rapidamente e corro direto para o banheiro. Estou atrasado. Saí do laboratório às 17:03 — três minutos de atraso. Isso é terrível. Não posso me atrasar para o nosso primeiro encontro.
Tomo um banho rápido, cronometrado. Tempo médio: sete minutos. Dentro do aceitável.
Depois vou até o quarto escolher a roupa. Pelos meus cálculos, esta camisa foi lavada recentemente e ainda conserva o cheiro do amaciante. Probabilidade de causar uma boa impressão: alta.
Visto a roupa e sigo para o espelho. Agora é a vez do cabelo. Analiso meu reflexo com atenção. Pelos meus cálculos, se eu pentear para esse lado específico, o ângulo do meu rosto fica mais harmonioso, o que aumenta minhas chances de parecer mais bonito e, consequentemente, mais atraente.
— Pronto — digo após finalizar, observando o resultado com satisfação.
Pego o perfume e faço mais uma análise. Se eu mantiver uma distância aproximada de vinte centímetros da pele, nem muito perto, nem muito longe, a intensidade do aroma ficará equilibrada: não forte demais, nem fraca demais. O suficiente para ser notado.
Espirro o perfume uma única vez.
— Perfeito — acrescento, satisfeito com o resultado final.
Agora, só falta uma coisa: chegar exatamente às 18:00. Afinal, atrasos não fazem parte de uma boa equação.
O trânsito está razoável, então consegui chegar alguns minutos antes. Se eu soubesse que estaria tão a meu favor, teria tomado um banho mais demorado.
Fico aguardando e, quando olho para o celular, são exatamente 18h em ponto. Ao erguer o olhar em direção à entrada do condomínio, vejo Ariel saindo. Ariel também é pontual.
— Nossa... — digo, chocado, ao vê-lo claramente. Ele vem na minha direção e está perfeito: a roupa, o cabelo, o rosto. Minha estrela da cozinha está simplesmente lindo. Meu coração quase salta do peito só de imaginar que ele se arrumou para mim.
— E aí, doutor — diz Ariel, enquanto se aproxima. — Nossa, você está tão bonito e bem-vestido — acrescenta, surpreso.
Ele percebeu. Meu esforço realmente valeu a pena.
— Preciso refazer todos os meus cálculos... porque nenhuma variável previa que você ficaria tão bonito assim — digo, todo bobo, enquanto abro a porta do carro.
— Já vai começar — diz Ariel, revirando os olhos enquanto entra no carro. Dou uma leve olhada e percebo que suas bochechas estão vermelhas. Ele ficou coradinho com a minha cantada.
— Partiu encontro romântico — digo com um sorriso, entrando e fechando a porta. — Missão número um do dia concluída: fazer minha estrela da cozinha corar.
— Eu não — rebate Ariel, incrédulo, enquanto observa as próprias bochechas no espelho do carro. — É só maquiagem.
— Se você diz... — respondo, confiante, enquanto começo a dirigir.
Levei Ariel a um restaurante bem chique. Consegui uma reserva de última hora — a pessoa que havia reservado desistiu, e eu nem sei quem era, mas sou eternamente grato. Não demora muito, e logo os garçons trazem os pratos.
— Acho estranho estar em um restaurante que não seja o meu — comenta Ariel, observando o ambiente.
— Você trabalha demais, estrela da cozinha. Precisa tirar um tempo para se divertir — digo, genuinamente preocupado.
— Você tem razão — admite ele.
— Se você fosse uma estrela, eu passaria a vida inteira te observando... mesmo sabendo que sua luz já me atingiu há muito tempo — digo, olhando fixamente para Ariel.
— Nossa... — diz Ariel, com um sorriso tímido.
— Você não é um buraco negro... mas conseguiu sugar toda a minha atenção — continuo, todo bobo, observando o sorriso dele.
— Para com isso — diz Ariel, frustrado. — Já chega dessas suas cantadas cafonas.
— Cafonas, mas te fizeram corar — retruco, com convicção.
— Fiquei mesmo, e daí? — rebate Ariel.
— Tenho uma coisa a dizer... — falo, após respirar fundo.
— O quê? — pergunta Ariel, curioso.
— Recebi uma proposta para ir para os Estados Unidos — digo, com naturalidade.
— Por quanto tempo? — pergunta Ariel, um pouco receoso.
— Uns dois anos — respondo, antes de levar o garfo à boca.
— E você diz isso com tanta naturalidade? — diz Ariel, incrédulo.
— Por que essa cara? — pergunto, surpreso. — Toda vez que eu viajava para o exterior, você quase soltava fogos na rua.
— E como eu fico nessa história? — diz Ariel, claramente ofendido. — Você me deu aquela bolada na cara e me deixou nessa situação.
— Se vai fugir, então me faz voltar ao normal.
— Então você admite que gosta de mim? — pergunto, esperançoso.
— Eu não — diz Ariel, desviando o olhar.
— Diga isso olhando nos meus olhos — insisto, encarando-o.
— Não consigo... — admite Ariel, sem me encarar.
— Então não há nada que me prenda ao Brasil — digo, decidido.
— Por favor, não vai... — implora Ariel, tocando minha mão.
Ele me olha de um jeito tão doce... que faz meu coração acelerar.
Que droga... não consigo dizer não para ele. Ele está tão fofinho, me pedindo para ficar... Mesmo que mandasse eu ir embora, acho que não conseguiria.
— Isso então é um "sim" para a minha pergunta? — pergunto, receoso.
— Eu não sei... — diz Ariel, também um pouco receoso, desviando o olhar. — Não quero te magoar. E se esses sentimentos sumirem da noite para o dia?
— Eu aceito correr esse risco — respondo, com convicção.
— Boa noite, doutor Martins — diz uma mulher, toda tímida, aproximando-se. Pela expressão dela, provavelmente é minha fã.
— Boa noite — respondo, com um sorriso.
— Eu posso tirar uma foto com você? — pergunta ela, tímida. — Sou muito fã do seu trabalho.
— Amei a sua teoria da Ressonância Emocional Aplicada — acrescenta ela, animada.
— Fico feliz que tenha gostado do meu trabalho — digo, satisfeito, me aproximando para a foto.
— Obrigada — diz a mulher, depois de tirar a foto. — Nossa, doutor... o senhor é tão lindo — completa, toda vermelha.
— Obrigado — respondo, sorrindo.
Olho para Ariel e percebo que ele está completamente desconfortável. Está com ciúmes.
Vou provocar um pouco... quero ver até onde ele aguenta.
— Se o universo entrou em expansão... foi só para dar espaço para a sua beleza existir — digo, olhando para a mulher.
— Nossa, doutor... — diz ela, ainda mais vermelha.
— Você perdeu o juízo? — diz Ariel, totalmente incrédulo e ofendido.
— O senhor, por acaso, já tem namorada? — pergunta a mulher, com os olhos brilhando, enquanto me encara fixamente.
— Na verdade... nem sei — respondo, olhando para Ariel. — Será que eu estou comprometido?
— Vaza daqui, garota — diz Ariel, com os olhos faiscando, encarando a mulher.
— Desculpa... — murmura ela, sem graça, enquanto se afasta discretamente.
— Nossa... — digo, chocado com a reação de Ariel. — Você é bem possessivo, hein?
— Por acaso você quer morrer? — retruca ele, me olhando furioso.
— Ok, erro de cálculo. Subestimei o impacto emocional em você... mas confesso que gostei do resultado — digo, todo bobo.
— Não faz mais isso — diz Ariel, antes de levar o garfo à boca.
Olho para ele por alguns segundos antes de perguntar:
— E a sua avó? Como ela está?
— Ela está bem... só um pouco triste, porque o aniversário de morte dos meus pais está chegando — responde Ariel, pensativo.
Meu peito aperta.
— Eu sei o quanto é difícil para você ir à sua cidade natal... principalmente porque fica perto do mar — digo, com cuidado.
— Não vou mentir... ainda não superei meu medo do mar. Quando o ônibus passa perto da água, eu fecho os olhos — diz ele, com a voz baixa. Triste.
Sinto vontade de protegê-lo de tudo.
— Você sabia que a gravidade da sua tristeza está afetando diretamente o meu coração? — digo, tentando arrancar um sorriso. — Preciso do seu sorriso para recalibrar meus batimentos.
Ariel respira fundo e balança a cabeça.
— Estou a fim de pegar um pouco de ar — diz Ariel, levantando-se.
A gente então sai, e agora estamos caminhando pelo jardim do restaurante. Ariel está pensativo. Isso foi culpa minha... eu não devia ter tocado naquele assunto.
— Quero te mostrar uma coisa, estrela da cozinha — digo com cuidado, enquanto pego sua mão. — Mas precisamos estar em um lugar bem escuro.
— O que você está tramando? — pergunta Ariel, desconfiado.
— Quero te mostrar um negócio — respondo, tirando uma bolinha do bolso.
— Peraí... isso é... aquela bolinha, tipo um projetor que mostra o sistema solar? — diz Ariel, com um sorriso animado.
— Então você ainda se lembra — digo, todo bobo.
— Claro. Você fez isso no ensino médio — responde Ariel, com convicção.
— Quer ver de novo? — pergunto, receoso.
— Sim! — diz Ariel, animado.
— Está bem, então — digo, sorrindo, enquanto configuro o aparelho e o coloco no chão.
Logo ele liga... e, de repente, eu e Ariel estamos no meio do sistema solar.
O olhar dele é o mesmo de quando eu mostrei isso pela primeira vez.
— A mancha de Júpiter é tão linda... — diz Ariel, tentando tocar. Os olhos dele estão brilhando.
Eu desenvolvi esse protótipo quando tinha 16 anos. Foi por causa do Ariel. Um dia, na aula de física, ele disse que tinha vontade de entrar em um foguete e viajar pelo sistema solar... queria ver os planetas de pertinho.
Então eu fiz isso para ele.
E também para me declarar pela primeira vez.
Agora, olhando para ele... é o mesmo olhar daquele dia. O jeito como ele me olha.
— Olha, Joel — diz Ariel, com um sorriso, enquanto me puxa até o planeta Urano. — O planeta onde chove diamante.
Ele me olha com uma intensidade diferente... quase como naquele dia.
Meu coração aperta.
Mas, desta vez, eu preciso saber...
Será que a resposta dele ainda é a mesma?
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