A senhora do acidente perdeu pai e mãe de uma vez, e depois a irmã que ela tinha jurado cuidar. Aposto que essa mulher volta na história, minha filha, porque quem fica sem ninguém costuma saber mais do que conta.
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A senhora do acidente perdeu pai e mãe de uma vez, e depois a irmã que ela tinha jurado cuidar. Aposto que essa mulher volta na história, minha filha, porque quem fica sem ninguém costuma saber mais do que conta.
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Capítulo 2 - Vincent Renard
Quem imaginaria o quanto uma descoberta tão surreal fosse tão inútil para a busca do paradeiro dos estudantes. Já se passaram três meses desde que cheguei na comuna e nada além da temperatura estranha encontrada nas fotografias. Ainda interagindo com os habitantes percebo o impacto emocional deixado por aquele maldito dia, dificilmente as familias conseguirão superar o desaparecimento de seus entes queridos sem sequer saber se ao menos estão vivos ou mortos.
Dentre os moradores, uma empática senhora contou uma história de que havia sofrido um acidente de carro aos 22 anos. No veículo estavam seus pais e sua irmã mais nova de 15 anos. Os pais morreram e sua irmã foi hospitalizada, saindo do hospital paraplégica, portanto mesmo após o trauma ela continuou estudando naquela bendita escola, apenas para, um ano seguinte ela fosse dada como desaparecida. Essa mulher havia prometido a si mesma de que cuidaria de sua irmã pelo seus pais que haviam partido, mas no fim ela acabou sem ninguém e além do trauma, ela teve inúmeros de problemas psicológicos.
Agora me pergunto: e se acontecer de novo? Na próxima também serão estudantes? E se eles ainda estiverem vivos?
Nada disso pode ser respondido agora. É melhor parar de perder tempo e procurar por mais pistas.
Nesse exato momento estou a caminho do Rio Avre, os rios locais dessa região são muitos importantes para a história dessa comuna. Por mais que o passado histórico desse lugar não tenha nenhum tipo de relação com meu caso, eu já havia conhecido e estudado todos os pontos turisticos e áreas de lazer, portanto, me restou apenas conhecer esse rio. Ao chegar nele, peguei meus equipamentos, observei a área ao redor, e de novo nem sequer uma pista foi encontrada. Deitada numa canoa, com os pés na água, olhei para as nuvens e finalmente parei de pensar no caso por pelo menos 10 minutos. Depois de seis anos em que não tirei meus olhos desse mistério, finalmente parei para conversar comigo mesma.
- É né Amélie, pelo visto tudo o que você encontrou foram mais perguntas sem respostas. Talvez aquele famoso detetive que estava responsável pelo caso tenha razão, existem mistérios que o ser humano nunca será capaz de entender. Se ao menos eu fosse ignorante, por que eu não sou? Ah é mesmo, eu sei muito bem o motivo. Dormir agora seria tipo aceitar a derrota? Não né, só quero me desligar um pouco.
Adormecida em meio ao Rio Avre, o sol se pôr, deixando-a envolta pela escuridão. De repente muitos patos que moram nessas águas passam a se reunir em volta da canoa e começam a empurrá-la com bastante calma, fazendo com que ela passase por baixo de uma ponte, ponte essa que estavam pendurados muitos cordões e faixas com mensagens motivadoras. Um lugar onde pessoas penduram frases que os ajudaram a passar por dificuldades. Ao despertar sob a ponte, uma luz muito forte começa a brilhar do outro lado dela, um momento de grande conforto para seus olhos que estavam totalmente imersos na escuridão
Quando a canoa finalmente passa para o outro lado, uma voz vinda de cima da ponte se pronuncia:
— Vejo que há, de fato, uma imensa vontade de descobrir a verdade em você, moça.
Amélie leva um susto, olha para cima e vê um jovem rapaz usando um sobretudo que tampava a metade de seu rosto.
— Quem é você e do que você está falando? — pergunta Amélie mesmo assustada.
— Antes de tudo, prazer, me chamo Vincent. Faz um bom tempo em que ando acompanhando você.
No momento em que ouvi o nome do rapaz, logo o reconheci. Vincent Renard, um dos estudantes que desapareceram estava bem na minha frente. Pensei em milhões de possibilidades do que poderia acontecer durante minhas investigações, mas isso jamais passou na minha cabeça.
— Ainda está assustada? Você possui contigo alguma arma certo, bom. Estou aqui para te avisar que não é uma boa ideia supreende-los assim como o outro que veio antes de você.
— Olha só Vincent, sou eu que tenho o direito de fazer perguntas. E a primeira delas é: onde você e todos os outros estudantes estiveram durante esses 6 anos? — Amélie corta a conversa, mesmo confusa se mantia determinada em encontrar respostas
Em sua visão, a lua estava bem atrás de Vincent brilhando como nunca antes. O único som que se podia ouvir era da ventania densa e gelada que passava naquele rio. Aquela figura totalmente coberta abaixa a gola do sobretudo e nota-se que do seu nariz para baixo não havia pele, seus dentes estavam totalmente expostos sem lábios. Lembro-me agora que em sua foto a boca estava muito rabiscada. Milhares de perguntas surgem com esse ato, mas antes que pudesse pensar, Vincent puxa uma faca da cintura e pula na canoa.
Nunca pensei na possibilidade de que uma vítima tentaria me atacar. Mas com sorte a canoa afundou uma leve profundidade por conta do peso, isso fez com que Vincent perdesse um pouco do equilíbrio, me dando a oportunidade de atingi-lo na cintura com um chute e fazer com que ele caísse na água, então puxei um revólve e apontei em sua direção.
Em seus olhos se manifestava um ódio profundo, e o reflexo em suas pupilas revelava algo incompreensível que provavelmente era o que lhe cegava, era perceptível que ele me enxergava como seu maior inimigo. Se eu pudesse descrever aquela cena em uma única palavra com certeza seria desgraça.
— É tarde demais para que alguma coisa seja feita pela gente. Se ao invés da morte você quiser caminhar direto para o inferno, procure pelo pertence valioso de Larissa ou de qualquer outro libertado. — disse Vincent, enquanto puxava a respiração.
Logo depois ele afunda naquelas águas escuras, em seguida, Amélie também pula na água para salva-lo, mas infelizmente o corpo de Vincent já não estava mais lá. Sua aparência desumana e sua intenção de matar estavam longe de representar aquilo que mais aterrorizou Amélie, foram aqueles olhos que provavelmente permaneceriam gravados em sua alma por muito tempo.
Entre muitas perguntas não respondidas pelo menos uma dica. Eu ainda não tenho ideia sobre até onde ela vai me levar, mas amanhã mesmo voltarei a investigar e, se a sorte estiver do meu lado, descobrirei toda a verdade.
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