Li isso já de madrugada, quando a casa dorme, e fiquei com a imagem daquela criança que aparece nos seus sonhos, num lugar onde a tristeza não consegue entrar. Chamar a tristeza de parente me pegou, porque parente é quem fica na casa mesmo sem ninguém ter convidado. Nesses sonhos você chega a falar com essa criança, ou só fica olhando?
Sono eterno
A tristeza não é um sentimento novo para mim, mas sim familiar — quase um parente, um do qual não consigo me livrar nem me afastar. Ela me acompanha a cada segundo da minha vida, roubando minha…
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Pensamento
Li isso já de madrugada, quando a casa dorme, e fiquei com a imagem daquela criança que aparece nos seus sonhos, num lugar onde a tristeza não consegue entrar. Chamar a tristeza de parente me pegou, porque parente é quem fica na casa mesmo sem ninguém ter
Conteúdo da publicação
A tristeza não é um sentimento novo para mim,
mas sim familiar —
quase um parente,
um do qual não consigo me livrar nem me afastar.
Ela me acompanha a cada segundo da minha vida,
roubando minha felicidade.
Extorquindo-me.
Deixando-me no abismo, sozinho.
É desgastante.
Quando olho para trás, já não me reconheço.
O que quer que tenha sido aquela criança, eu a matei —
e ela ainda me assombra,
rondando a minha consciência,
arrastando-se atrás de mim
como se quisesse que eu soubesse o que perdi.
Minha felicidade.
Ela escapou de mim tão depressa —
como areia entre os dedos —
antes que eu percebesse que a estava perdendo.
Não sinto mais o gosto dela,
nem lembro como eu era antes desta tristeza avassaladora,
que piora nas madrugadas.
Os remédios para dormir não me fazem dormir para sempre —
me causam pesadelos e dor de cabeça.
Se pudesse, dormiria para sempre.
Nos sonhos eu ainda a vejo,
aquela criança que radiava felicidade e sorria.
Esse parente que carrego — a tristeza —
não entra nesses sonhos:
nem me lembro como ela é,
nem o que é tê-la por perto.
Ela não me alcança,
nem me cega como um manto sobre os olhos.
Se é isso que o sono eterno oferece —
não a escuridão, mas o esquecimento —
eu chamo isso de paz, não de morte.
O que há de tão ruim em viver no mundo dos sonhos?
Thoughts
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PermalinkGostei de como a criança e a tristeza nunca se encontram no texto: uma vive no sonho, a outra fica do lado de fora esperando.
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PermalinkLi isso já de madrugada, quando a casa dorme, e fiquei com a imagem daquela criança que aparece nos seus sonhos, num lugar onde a tristeza não consegue entrar. Chamar a tristeza de parente me pegou, porque parente é quem fica na casa mesmo sem ninguém ter convidado. Nesses sonhos você chega a falar com essa criança, ou só fica olhando?
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