Não se arrependam quando eu não estiver mais aqui,
mas não digam que eu nunca avisei.
Eu deixei sinais pelo caminho,
em cada silêncio que gritou,
em cada sorriso que escondia o cansaço,
em cada “estou bem” que ninguém perguntou outra vez.
Minha casa nunca soube onde era.
Eu procurei abrigo em tantos lugares,
mas nunca encontrei uma porta
que se abrisse sem que eu precisasse implorar.
Não tinha para quem contar,
nem um ombro onde chorar,
nem braços que dissessem:
“Fica. Você não precisa enfrentar isso sozinho.”
Eu dei tantos sinais...
tantos.
Talvez pequenos demais para quem olhava de longe,
mas enormes para quem carregava tudo por dentro.
Eu só queria um lugar para descansar.
Uma voz para me chamar pelo nome.
Um abraço que não precisasse ser pedido.
Alguém que percebesse
que, às vezes, o silêncio também é um pedido de socorro.
Se um dia eu me afastar,
não digam que eu não tentei.
Eu tentei ficar.
Tentei ser forte.
Tentei encontrar uma casa
mesmo quando ninguém parecia querer ser meu lar.
Mas antes de qualquer despedida,
eu queria que alguém entendesse:
eu não precisava de muito.
Eu só precisava ser acolhido.
E talvez ainda precise.
Por isso, se estas palavras chegaram até você,
não espere pelo último sinal.
Pergunte.
Fique.
Ofereça o abraço.
Porque algumas pessoas não querem desaparecer...
só estão cansadas de procurar
um lugar onde possam finalmente ficar.