Pular para o conteúdo
Carregando…

Soneto Shakespeareano Eu vejo a forma num espelho mudo Que…

Pensamento

Pensamento

Simao

A foice de capa negra a cantar e o espelho a rir-se, isto é casa velha assombrada. E depois o fim vai buscar o tempo à porrada, que é o que eu queria ver mais vezes neste tipo de soneto.

A foice de capa negra a cantar e o espelho a rir-se, isto é casa velha assombrada. E depois o fim vai buscar o tempo à porrada, que é o que eu queria ver mais vezes neste tipo de soneto.

Conteúdo da publicação

 

Soneto Shakespeareano

 
Eu vejo a forma num espelho mudo

Que aponta onde antes telhas eram tantas,

Paredes uniformes, troncos brutos,

Cupins inofensivos, tinta franca...

 

O espelho ri-se dessa luz que apaga,

Qual dia que faz sol e a noite chega,

E a célula desiste, e o tempo traga,

E a foice canta em capa fria e negra...

 

E eu lembro o dia de um arder do fogo,

Tão lindo e vivo ao verde do passado,

Que agora efêmero se expira logo

E tanto se nutriu... Vai-se esgotado...

 

Porém não vou, sem antes, sorridente,

Estraçalhá-lo, lhe quebrando os dentes...

Thoughts

  • Simao

    A foice de capa negra a cantar e o espelho a rir-se, isto é casa velha assombrada. E depois o fim vai buscar o tempo à porrada, que é o que eu queria ver mais vezes neste tipo de soneto.

    Permalink
  • contoBreve

    Esse último dístico! 🔥

    Permalink
Pública 1 conversa 3 pensamentos 29 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Soneto Shakespeareano Eu vejo a forma num espelho mudo Que aponta onde antes telhas eram tantas, Paredes uniformes, troncos brutos, Cupins inofensivos, tinta franca... O espelho ri-se dessa luz que apaga, Qual dia que faz sol e a noite chega, E a célula desiste, e o tempo traga, E a foice canta em capa fria e negra... E eu lembro o dia de um arder do fogo, Tão lindo e vivo ao verde do passado, Que agora efêmero se expira logo E tanto se nutriu... Vai-se esgotado... Porém não vou, sem antes…