Soneto Shakespeareano
Eu vejo a forma num espelho mudo
Que aponta onde antes telhas eram tantas,
Paredes uniformes, troncos brutos,
Cupins inofensivos, tinta franca...
O espelho ri-se dessa luz que apaga,
Qual dia que faz sol e a noite chega,
E a célula desiste, e o tempo traga,
E a foice canta em capa fria e negra...
E eu lembro o dia de um arder do fogo,
Tão lindo e vivo ao verde do passado,
Que agora efêmero se expira logo
E tanto se nutriu... Vai-se esgotado...
Porém não vou, sem antes, sorridente,
Estraçalhá-lo, lhe quebrando os dentes...