Soneto Dantesco
Quem dera ao meu soneto, um filho em Dante
E a musa prenhe à lira assaz de Apolo;
O verso suplicante em sangue e dolo
Correndo como o rio mais refrescante.
Quem dera por meu verso eterno e avante,
Pequeno grão brilhante por consolo;
Um beijo, algum carinho em todo colo
E todos, pelos olhos, meus amantes...
E a graça pelos lábios de quem vive
Me seja só cicuta, só doçura
Que não pode entender quem não a prove.
E assim meu coração se esvai, sublime,
Derrete e ao derreter doente, cura
Morrendo! E revivendo, assim, se move...