Esse vazio no meio da multidão. Conheço.
SOLIDÃO..
Solidão
Pensamento
Esse vazio no meio da multidão. Conheço.
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Solidão
Cheguei aos trinta.
Já estou quase nos quarenta.
Observo a vida.
A maturidade foi meu presente.
Fico presa ao "feliz aniversário",
a um abraço,
a uma festa cheia de convidados.
Hipocrisia de sorrisos.
Olhos de inveja.
Olhos de fingimento.
Olhos de aparência.
Mas, no fundo,
nem todos torcem por você.
Querem seu marido.
Sua casa.
Invejam seus filhos.
Invejam tudo aquilo que você não sofreu
para conquistar.
A casa dos sonhos.
O carro.
As viagens.
Como se tudo isso bastasse
para não sentir solidão.
Hoje abro um presente.
Olho...
Não gostei.
Vai para o lixo.
Talvez fosse apenas uma intuição.
Às vezes, basta um pequeno gesto
para destruir uma casa que parecia perfeita.
Tudo começa a desmoronar.
Nas fotos, há sorrisos.
Até parecem verdade.
Mas, com o passar dos anos,
quando você observa as memórias,
enxerga inveja,
ciúmes,
tristezas escondidas.
O sorriso congelou.
Então você percebe:
o valor está no dólar,
no euro...
E não no coração.
Você descobre que não era querido.
Ao seu redor, existem bajuladores,
pessoas que repetem que o apoiam
apenas enquanto lhes convém.
São como um teatro em um velório.
No meio da multidão,
você conversa,
mas sente que quem estava perto
já não está mais.
Resta apenas um vazio.
Nada parece real.
Só aparência.
Como um almoço de domingo.
Parece que todos riem,
mas cada um carrega sua própria solidão.
Uns dizem que você precisa de um psiquiatra.
Outros dizem que precisa de um psicólogo.
Afinal...
o que é permitido sentir?
Por que sentir tanto incomoda?
Se hoje meu valor
é medido em euros,
e não pelo coração.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho