Olá, colegas da turma. Olá a todos que acompanham o que escrevo. Hoje venho falar sobre o que vivi no ambiente escolar, sobre as formas de abuso psicológico entre colegas e sobre como as redes sociais ampliam essas tensões — incluindo a pressão que algumas meninas exercem sobre textos que eu produzo. Trago dados públicos para contextualizar essa experiência, sem apontar nomes.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE‑IBGE, 2024), cerca de 12,7 % dos adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos já passaram por situações de intimidação ou ameaça nas redes sociais; entre as meninas, esse índice chega a 15,2 % . Outros dados do mesmo levantamento mostram que quase quatro em cada dez estudantes já viveram alguma forma de bullying na escola, sendo que 27,2 % passaram por episódios repetidos . Muitos desses casos não são agressões físicas: são pressões, olhares, vigilância silenciosa e exigências sobre o que a outra pessoa deve escrever ou revelar. Não estou dizendo que todos esses números correspondem exatamente ao meu caso, mas eles mostram que não sou o único a sentir esse peso.
No meu dia‑a‑dia, descobri que algumas pessoas acompanham os meus textos sem se identificar: buscam pistas sobre a escola, sobre si mesmas ou sobre outras pessoas, observam cada publicação e, em certos momentos, criam uma pressão indireta para que eu escreva sobre temas que elas querem, mesmo que eu não queira falar sobre eles. Não é uma exigência explícita com ordens, mas é uma forma de cobrança que gera ansiedade: a sensação de que alguém espera que eu exponha pensamentos que eu preferiria guardar. Estudos sobre ansiedade na produção textual apontam que quando um jovem sente‑se observado ou pressionado por terceiros para escrever algo que não deseja, aumentam os sintomas de tensão, dores de cabeça e dificuldade para se expressar livremente . Para mim, essa sensação foi se acumulando: ver comentários de perfis novos, perceber mudanças sutis no comportamento de colegas, sentir que minha escrita não era mais só meu espaço de reflexão.
Há também a dimensão do abuso psicológico no convívio escolar: comentários indiretos, mudanças súbitas de atitude, vigilância sobre o que cada um pensa e escreve. Pesquisas sobre ciberviolência mostram que a sensação de estar sendo observado sem aviso pode levar à autocensura — a pessoa começa a evitar escrever sobre o que realmente sente, por medo de ser interpretada de forma errada ou alvo de novas tensões . No meu caso, algumas meninas da turma passaram a demonstrar curiosidade insistente sobre os meus textos, às vezes cobrando que eu revelasse mais detalhes ou que mudasse o rumo das minhas histórias, sem respeitar que a escrita é minha escolha. Não houve agressões gritadas, mas houve uma pressão silenciosa que me fez ter dores de cabeça frequentes e vontade de me afastar da rotina escolar.
Existem pontos mais delicados que prefiro não detalhar aqui, pois não tenho provas suficientes para afirmar o que realmente aconteceu. Fico apenas com a minha percepção: que a mistura entre tensões na escola, vigilância nas redes e pressão sobre a escrita tornou o ambiente pesado para mim. Não digo que toda a escola seja ruim, nem que todas as colegas agem dessa forma. Mas, neste momento, preciso me afastar para recuperar o meu equilíbrio mental. A minha escrita segue existindo como espaço de reflexão — só não mais ligada à rotina diária daquela instituição. Não faço acusações definitivas; deixo apenas essa reflexão para quem quiser ler.
Fico aqui. Obrigado por terem lido até o fim.