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C 049 COMPRAS, BAND-AID, CHORO.

BELADIA

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Série (crônicas)

Meu marido saiu do trabalho e passou em casa para me pegar, e fomos buscar as meninas na escola. Elas vieram correndo. A mais nova estava com a calça levantada até o joelho e toda suja; o uniforme azul estava levemente amarronzado.

Coloquei-a na cadeirinha e, toda feliz, ela levantou mais um pouco a calça para me mostrar:

— Olha, mãe, um Band-Aid que o Lucas Rosa me deu! É da Luna! — disse, apontando para o curativo no joelho.

— O Lucas Rosa te deu um Band-Aid?

— É! Ontem eu mostrei para ele o meu arranhão no joelho e hoje ele trouxe um Band-Aid para mim.

Ajusto o cinto dela e entro no carro.

— Nossa, minha filha, ele é muito atencioso com você. Essa semana ele já te deu uma tiara de unicórnio, um adesivo e, agora, um Band-Aid.

Ela me corrige, na mesma hora:

— E me deu a metade do lanche dele também... Pai, você esqueceu o meu lanche!

— O seu pai esqueceu o lanche? A mãe viu ele fazendo!

Meu marido, que até agora estava quieto, se justifica:

— Devo ter deixado na bancada da cozinha... Esqueci de colocar na bolsa.

— Minha filha, você tem o cartão que fica na agenda. É para você usar e comprar quando a mãe ou o pai esquecerem o lanche. O que você comeu então?

— A professora me deu as rosquinhas dela.

Nisso, a minha filha mais velha entra na conversa:

— Mãe, eu chorei hoje.

— Por que? — pergunto.

— Porque a sala estava muito barulhenta — ela responde.

Faço uma anotação mental imediata: comprar presente de final de ano para o Lucas Rosa, falar com a professora sobre o cartão e verificar se o abafador de ruídos está na bolsa. Já perdi a conta de quantas vezes levamos as meninas para escola e deixamos a bolsa na calçada ou o trabalhos que precisavam ser entregue e ficaram no carro, a lancheira esquecida foram muitas.

Estávamos parados no semáforo e a mais nova já havia tirado o cinto.

— Pai, nós vamos ao supermercado? — pergunta ela.

— Não, já fui com a sua mãe — ele responde.

Ela começa a querer chorar e reclama:

— Mas não é para você levar a mamãe! Eu que sou a sua ajudante de compras!

— Como é que é? — ele pergunta logo.

— Eu que sou a ajudante do papai nas compras, não é a mamãe. Como eu vou fazer as minhas comprinhas se você levou a mamãe?

— Como é que é? — pergunto eu, dessa vez.

— Não leva mais a mamãe, só eu posso ir, eu sou a sua ajudante de compras.

O pai tenta segurar o riso. E eu fico sem argumentos.

Thoughts

  • economia_no_sentimento

    Na casa das renas de outubro tem até cargo fixo. A pequena demitiu a mãe de ajudante de compras parada no semáforo, sem aviso prévio 😂

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