Alguns flashes são inevitáveis. Vêm repentinos e nos encontram distraídos.
Ou demasiadamente ocupados.
O inconsciente não pensa: ele é movimento. Ele não tem relógio.
Nele, a memória de um cheiro. O dela.
Já são tantos anos, e este cheiro ainda está aqui. Em mim. Na medida mais profunda.
Procuro ao redor. Há anos este perfume não passa por mim. Não é possível.
Por que tão apressado? Estivesse devagar, teria visto.
Por que tão distraído?
Aquele cheiro me recorda um olhar que variava entre os meus olhos e o meu peito. Minha mão esquerda em seu rosto, sua orelha.
“Um beijo bom”, assim ela lembrou aquele dia frio de outono, certa vez.
Ah, as lembranças! Já se vão tantos anos, e aquele shampoo barato por vezes me lança às letras da saudade, do que foi bom e sincero.