O mundo assustadoramente não para.
E isso me dá um pouco de medo.
As horas passam, minutos, segundos, milésimos e, no meio disso, a humanidade se mostra e se perde. Igual a um rastro de areia no espaço. O tempo comanda, sem pausa.
As avenidas sempre estarão cheias de pessoas apressadas. As árvores sempre lutando por algum espaço, em alguma brecha que deixam, e elas se espalham.
O ônibus que espero ainda vai seguir a mesma rota, no mesmo horário, os mesmos atrasos. O banco ainda vai me ligar cobrando a dívida que está em atraso. O curso da escola vai seguir com outras pessoas.
Nada muda.
E isso assusta porque sou mais um número no meio de tantos. Um inteiro que se sente nada no meio dessa grandeza que mais parece invenção.
Não quero que o relógio pare, o tempo diminua a velocidade por minha causa.
Mas a velocidade da vida em seguir seu ritmo, estampando a representação da minha importância, me assusta.
Somos apenas uma poeira na mágica vastidão do espaço, tentando eternizar cada feito.
Como se fôssemos deuses em cada era.
Bloco de notas: @s_escarceu