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Se Pudesse, Me Mandaria um Oi? Pergunta Sem resposta

Edidania
Pensamento

Pensamento

papo_reto_12

A mãe que chora quando ninguém tá olhando pra não pesar nos outros, toda família tem uma. E mesmo assim ela escreveu e botou o nome dele aqui, pra quem quiser ler. Isso já é parar de esconder um pouco.

A mãe que chora quando ninguém tá olhando pra não pesar nos outros, toda família tem uma. E mesmo assim ela escreveu e botou o nome dele aqui, pra quem quiser ler. Isso já é parar de esconder um pouco.

Conteúdo da publicação

Poema de uma saudade que não encontra destino. Saudades do meu eterno amor, meu filho, Celso Daniel.🖤

Será que você me ouve?

Acho que não…

Mas continuo falando,

como quem lança palavras ao vento,

na esperança de que o amor encontre

uma passagem para além do silêncio.

Talvez seja apenas uma maneira

de convencer meu coração

de que sua ausência não precisa

dilacerar todos os meus dias,

de que ainda posso respirar

sem sentir que uma parte de mim

ficou para sempre naquele instante

em que você partiu.

Tenho vivido um luto silencioso,

dessas dores que não fazem barulho

para não incomodar os outros,

dessas lágrimas que aprendem a cair

quando ninguém está olhando,

dessa angústia que escondo no peito

para não embriagar o mundo

com a amargura da minha saudade.

Mas, se pudesse…

Ah, se você pudesse!

Será que me mandaria um oi?

Uma palavra qualquer,

dessas tão pequenas na escrita,

mas que, vindas de você,

teriam o poder de ressuscitar

um instante inteiro da minha vida?

Será que me contaria

qual é o cheiro daí?

Se existe alguma brisa,

alguma flor,

algum perfume que meus sentidos

pudessem reconhecer,

para que, fechando os olhos,

eu pudesse imaginar você

um pouquinho mais perto?

É estranho…

A gente passa a vida inteira

habitando o mesmo mundo,

sem imaginar que um dia

o impossível será justamente

não poder alcançar quem ama.

E eu continuo…

Não sei explicar como,

nem de onde retiro forças.

Apenas continuo.

Como um relógio programado

para cumprir suas horas,

movendo os ponteiros

sem perguntar ao tempo

se ainda existe algum sentido

em marcar os dias.

Por fora, o mecanismo funciona.

Por dentro, há engrenagens cansadas,

um silêncio que não se conserta

e uma parte de mim

que parece ter perdido

a razão de acompanhar o movimento.

Não foi apenas sua partida…

Foi o instante em que compreendi

que algumas despedidas

não terminam quando alguém vai embora.

Elas recomeçam todas as manhãs,

no despertar sem sua presença,

na lembrança que chega sem aviso,

na vontade de contar alguma coisa

e na dolorosa descoberta

de que já não existe

o mesmo endereço para a minha voz.

O que senti quando você partiu

não cabe nas palavras.

Nenhum dicionário conhece

o nome exato daquele abismo.

E o mais difícil

é que não o atravessei uma única vez.

Eu o atravesso todos os dias,

em doses que ninguém vê,

em lembranças que ninguém mede,

em saudades que não obedecem

ao calendário dos vivos.

A impotência me acompanha.

A saudade me conduz.

E eu sigo entre as duas,

tentando compreender

como o coração consegue continuar batendo

quando alguém que fazia parte dele

já não pode ser abraçado.

Talvez seja isso o luto:

uma despedida que o coração

ainda não consegue pronunciar

sem esperar, no fundo,

que alguém responda:

“Mãe, estou aqui.”

E como dói não ouvir…

Como dói ter tanto amor guardado

e não encontrar mãos

onde depositá-lo,

ter tantas perguntas

e nenhum caminho de volta,

ter uma vida inteira de lembranças

e não poder acrescentar

mais um dia à nossa história.

Meu filho,

se minhas palavras não te alcançam,

que ao menos permaneçam escritas

como testemunhas deste amor

que nem a morte conseguiu

me ensinar a abandonar.

Não sei onde você está,

não conheço o cheiro do lugar

que hoje habita,

nem posso afirmar o que seus olhos veem.

Mas sei o que você foi em minha vida.

Sei o espaço que ocupou.

Sei o que sua partida deixou.

E sei que, mesmo quando me calo,

há uma parte de mim

que continua chamando por você.

Não porque eu tenha deixado de viver,

mas porque ainda estou aprendendo

a viver nesta nova realidade

em que o amor permanece,

enquanto o abraço

se tornou impossível.

Se pudesse, me mandaria um oi?

Talvez essa pergunta

nunca encontre resposta

da maneira como meu coração deseja.

Ainda assim, escrevo…

Porque existem amores

que não sabem terminar uma conversa,

mesmo quando o mundo inteiro

já se despediu.

E, enquanto eu estiver aqui,

entre o tempo que passa

e a saudade que permanece,

seu nome continuará existindo

na parte mais íntima de mim:

aquela que ninguém vê,

que ninguém consegue alcançar,

mas onde você,

meu filho,

continua sendo

uma das histórias mais profundas

que a minha alma já escreveu.

Edidania 🌹

Respostas

  • EspiritaDeMesa

    O relógio que segue marcando as horas sem perguntar se ainda faz sentido ficou comigo. É o retrato mais exato de quem continua cozinhando, trabalhando, respondendo mensagem, e por dentro parou naquele instante.

    Permalink
  • papo_reto_12

    A mãe que chora quando ninguém tá olhando pra não pesar nos outros, toda família tem uma. E mesmo assim ela escreveu e botou o nome dele aqui, pra quem quiser ler. Isso já é parar de esconder um pouco.

    Permalink

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