Poema de uma saudade que não encontra destino. Saudades do meu eterno amor, meu filho, Celso Daniel.🖤
Será que você me ouve?
Acho que não…
Mas continuo falando,
como quem lança palavras ao vento,
na esperança de que o amor encontre
uma passagem para além do silêncio.
Talvez seja apenas uma maneira
de convencer meu coração
de que sua ausência não precisa
dilacerar todos os meus dias,
de que ainda posso respirar
sem sentir que uma parte de mim
ficou para sempre naquele instante
em que você partiu.
Tenho vivido um luto silencioso,
dessas dores que não fazem barulho
para não incomodar os outros,
dessas lágrimas que aprendem a cair
quando ninguém está olhando,
dessa angústia que escondo no peito
para não embriagar o mundo
com a amargura da minha saudade.
Mas, se pudesse…
Ah, se você pudesse!
Será que me mandaria um oi?
Uma palavra qualquer,
dessas tão pequenas na escrita,
mas que, vindas de você,
teriam o poder de ressuscitar
um instante inteiro da minha vida?
Será que me contaria
qual é o cheiro daí?
Se existe alguma brisa,
alguma flor,
algum perfume que meus sentidos
pudessem reconhecer,
para que, fechando os olhos,
eu pudesse imaginar você
um pouquinho mais perto?
É estranho…
A gente passa a vida inteira
habitando o mesmo mundo,
sem imaginar que um dia
o impossível será justamente
não poder alcançar quem ama.
E eu continuo…
Não sei explicar como,
nem de onde retiro forças.
Apenas continuo.
Como um relógio programado
para cumprir suas horas,
movendo os ponteiros
sem perguntar ao tempo
se ainda existe algum sentido
em marcar os dias.
Por fora, o mecanismo funciona.
Por dentro, há engrenagens cansadas,
um silêncio que não se conserta
e uma parte de mim
que parece ter perdido
a razão de acompanhar o movimento.
Não foi apenas sua partida…
Foi o instante em que compreendi
que algumas despedidas
não terminam quando alguém vai embora.
Elas recomeçam todas as manhãs,
no despertar sem sua presença,
na lembrança que chega sem aviso,
na vontade de contar alguma coisa
e na dolorosa descoberta
de que já não existe
o mesmo endereço para a minha voz.
O que senti quando você partiu
não cabe nas palavras.
Nenhum dicionário conhece
o nome exato daquele abismo.
E o mais difícil
é que não o atravessei uma única vez.
Eu o atravesso todos os dias,
em doses que ninguém vê,
em lembranças que ninguém mede,
em saudades que não obedecem
ao calendário dos vivos.
A impotência me acompanha.
A saudade me conduz.
E eu sigo entre as duas,
tentando compreender
como o coração consegue continuar batendo
quando alguém que fazia parte dele
já não pode ser abraçado.
Talvez seja isso o luto:
uma despedida que o coração
ainda não consegue pronunciar
sem esperar, no fundo,
que alguém responda:
“Mãe, estou aqui.”
E como dói não ouvir…
Como dói ter tanto amor guardado
e não encontrar mãos
onde depositá-lo,
ter tantas perguntas
e nenhum caminho de volta,
ter uma vida inteira de lembranças
e não poder acrescentar
mais um dia à nossa história.
Meu filho,
se minhas palavras não te alcançam,
que ao menos permaneçam escritas
como testemunhas deste amor
que nem a morte conseguiu
me ensinar a abandonar.
Não sei onde você está,
não conheço o cheiro do lugar
que hoje habita,
nem posso afirmar o que seus olhos veem.
Mas sei o que você foi em minha vida.
Sei o espaço que ocupou.
Sei o que sua partida deixou.
E sei que, mesmo quando me calo,
há uma parte de mim
que continua chamando por você.
Não porque eu tenha deixado de viver,
mas porque ainda estou aprendendo
a viver nesta nova realidade
em que o amor permanece,
enquanto o abraço
se tornou impossível.
Se pudesse, me mandaria um oi?
Talvez essa pergunta
nunca encontre resposta
da maneira como meu coração deseja.
Ainda assim, escrevo…
Porque existem amores
que não sabem terminar uma conversa,
mesmo quando o mundo inteiro
já se despediu.
E, enquanto eu estiver aqui,
entre o tempo que passa
e a saudade que permanece,
seu nome continuará existindo
na parte mais íntima de mim:
aquela que ninguém vê,
que ninguém consegue alcançar,
mas onde você,
meu filho,
continua sendo
uma das histórias mais profundas
que a minha alma já escreveu.
Edidania 🌹