Velho relógio começou a me levar ao presente cristalino, vi que não estava lá.
Ninguém tava lá?
Não vou mais te procurar.
A cicatriz mais uma vez abriu, eu comecei a sangrar, meu pulso começou a chorar…
Não quero mais me lavar, não quero entrelaçar pra sua alma ofuscar.
O meu brilho apagou, eu me autossabotei, e você nem me ajudou. Por que eu esperei a cura?
Quando olhei pro jardim, ninguém veio me cuidar.
Quando eu olhei para as pétalas, comecei a pensar:
Será que isso vai durar?
Será que eu vou voltar?
O aquário do meu quarto, as lembranças deixei lá.
O seu toque não me aquece, o seu rosto apaguei.
Eu tanto desconfiei e, mais uma vez, ele tava certo. O meu velho relógio, ele nunca vai ser eterno. Ele já está quebrando aos poucos. Vão consertando, porque, mesmo me sabotando, ele comigo está cantando, comigo está chorando, comigo está resistindo para nunca tentar… cair no precipício.