Aquele sangue do ouvido dela bateu fundo. A urgência pra encontrar a irmã desaparecida ficou tão real.
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Aquele sangue do ouvido dela bateu fundo. A urgência pra encontrar a irmã desaparecida ficou tão real.
Conteúdo da publicação
Olá, mais uma prévia do que estou tentando escrever.
Gostaria que me ajudassem sobre o que vocês acharam desse início.
Era apenas mais uma noite comum para Marcelo.
Trabalhava na lanchonete do tio Jorge e, naquela noite, o movimento estava surpreendentemente tranquilo. Havia poucos clientes espalhados pelo salão, o que lhe daria a oportunidade de adiantar parte do serviço que normalmente ficava para depois do expediente.
Levou até uma das mesas do fundo a caixa que o tio lhe entregara. Sua tarefa era separar recibos de vendas e compras por ordem de data. Como a lanchonete ainda não tinha ninguém responsável pela área financeira, toda a tesouraria acabava ficando sob seus cuidados.
Jorge garantira que aquilo seria apenas temporário.
Meses haviam se passado, porém, e o "temporário" parecia não ter a menor intenção de acabar.
Enquanto conferia alguns cupons misturados aos recibos, uma movimentação incomum na entrada chamou sua atenção.
Um rapaz magro, de óculos, conversava com uma mulher que aparentava ter a mesma idade que ele. Ela usava botas pretas — algo bastante incomum naquela cidade.
Então aconteceu.
Como se percebesse que estava sendo observada, a mulher ergueu os olhos e o encarou.
Seu olhar demorou mais do que o normal.
Marcelo tentou desviar, mas simplesmente não conseguiu.
Ela abriu um discreto sorriso, tornando toda a situação ainda mais estranha. O rapaz chamou sua atenção, obrigando-a a romper o contato visual.
Quando Marcelo percebeu, o jovem já estava dentro da lanchonete.
Assustou-se ao vê-lo puxar a cadeira à sua frente e se sentar sem pedir licença.
Instintivamente voltou os olhos para a porta.
A mulher havia desaparecido.
— Boa noite.
— Boa noite. — Marcelo respondeu sem encará-lo. — Em que posso ajudar?
— Meu nome é Danilo. Você se lembra de mim?
Marcelo finalmente levantou os olhos.
— Não.
Danilo sorriu sem graça.
— Eu já imaginava... Vai parecer estranho, mas será que você poderia vir comigo lá fora?
— Não. Estou trabalhando. — A resposta saiu fria. — Se tem alguma coisa para dizer, fale aqui.
O nervosismo do rapaz era evidente.
Ele mudou de cadeira e sentou-se ao lado de Marcelo, lançando olhares constantes para a porta. Suas mãos não paravam de se mexer, acompanhando o pé que tremia de forma incontrolável.
— Você é o Marcelo, certo?
Marcelo afastou a cadeira discretamente.
— Sou. Como sabe meu nome?
— Nós já nos conhecemos... Na verdade, somos amigos.
Ele o encarou, incrédulo.
— Eu me lembraria se fosse. Você deve estar me confundindo com outra pessoa. Agora, por favor, se não vai fazer um pedido, preciso que vá embora.
Sua voz se elevou um pouco ao terminar a frase.
Os dois se levantaram quase ao mesmo tempo.
— O seu tempo acabou.
A voz feminina fez Marcelo virar imediatamente.
A mulher das botas estava novamente na porta.
— Nem dez minutos se passaram, Cecil. Você disse que esperaria. — reclamou Danilo.
— Ele não vai ajudá-la desse jeito...
Marcelo ergueu a mão, interrompendo-os.
— Eu não faço ideia de quem vocês são. Vou pedir que se retirem.
Cecil voltou os olhos para ele.
No instante em que seus olhares se encontraram, Marcelo sentiu o corpo inteiro enrijecer.
Era como se estivesse preso.
— Preciso que você se lembre, Marcelo. — Sua voz tornou-se séria, quase intimidadora. — Infelizmente, não temos tempo para fazer isso de uma maneira menos dolorosa.
Ele tentou mover os braços.
Nada.
As pernas também não respondiam.
— Cecil, você vai piorar as coisas...
— Danilo, não comece. Eu preciso encontrar o lugar, e, no momento, não temos muitas opções.
Ela ergueu uma das mãos em direção aos clientes que observavam a cena.
Foi então que Marcelo percebeu algo impossível.
O tempo parecia desacelerar.
Cada piscada demorava mais do que a anterior.
As pessoas permaneciam quase imóveis, como estátuas.
Sentiu uma leve brisa perto da cabeça.
Quando percebeu, Cecil já estava ao seu lado.
Ela aproximou os lábios de seu ouvido e sussurrou uma única palavra.
— Lembracer.
Uma dor lancinante explodiu dentro de sua cabeça.
Era como se seu crânio estivesse sendo partido ao meio.
No mesmo instante recuperou os movimentos, mas a dor era tão intensa que suas pernas cederam.
Caiu de joelhos.
Via Danilo completamente desesperado.
Cecil, porém, apenas o observava.
— Quanto mais seu corpo resistir, mais vai doer.
Ela se ajoelhou diante dele.
— Você precisa se lembrar, Marcelo.
Ele tentou levantar a cabeça.
Mal conseguia enxergá-la.
— Acorde. — Ela segurou seu rosto com as duas mãos. — Agora.
Então segurou suas mãos.
Uma onda percorreu todo o seu corpo.
A dor desapareceu de uma só vez.
Marcelo respirou profundamente.
Quando Cecil soltou suas mãos e se levantou, ele fez o mesmo.
Nesse instante, lembranças começaram a invadir sua mente.
Centenas delas.
Imagens, vozes, rostos...
Memórias que ele sequer sabia que existiam.
Olhou para Danilo.
Finalmente o reconheceu.
Seu melhor amigo.
Aquele que estivera ao seu lado durante os momentos mais difíceis de sua vida.
Depois voltou-se para Cecil.
Ela também lhe era familiar.
— Isso doeu, Cecil.
Ela sorriu de canto.
— Bem-vindo de volta.
— Ainda acho que teria sido melhor me dar um beijo.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Mas aí seria doloroso para mim.
Os três acabaram sorrindo.
— Quanto tempo eu fiquei daquele jeito?
— Cinco anos. — respondeu Danilo, ainda tenso. — Cinco anos, meu amigo.
Marcelo franziu a testa.
— O que está acontecendo? Por que eu voltei? Vocês acabaram com eles?
Apesar das lembranças terem retornado, bastou observar o rosto dos dois para perceber que algo continuava errado.
— Não. — respondeu Cecil. — Eles ainda estão por aí.
Seu olhar endureceu.
— Eu trouxe você de volta porque preciso encontrar a Sala Desconhecida. E você é o único que sabe onde ela fica.
Antes que Marcelo pudesse responder, um filete de sangue escorreu pelo nariz dela.
Logo outro surgiu em seu ouvido.
— Meu Deus, Cecil!
Danilo pegou um guardanapo da mesa mais próxima e correu para ajudá-la.
Ela apenas limpou o sangue.
— Eu já esperava por isso... Onde fica o banheiro?
Marcelo permaneceu imóvel, completamente atordoado.
— Marcelo! Onde fica o banheiro?
Ele apenas apontou, incapaz de responder.
Assim que ela desapareceu pelo corredor, voltou-se para Danilo.
— O que está acontecendo?
Danilo afundou na cadeira.
— A irmã dela foi sequestrada na semana passada... por eles.
Marcelo permaneceu em silêncio.
— Tudo o que sabemos é que existe uma possibilidade de ela estar na Sala Desconhecida.
— Eu quero saber o que está acontecendo com a Cecil.
Danilo soltou um longo suspiro.
— Você conhece a Cecil. Quando coloca uma coisa na cabeça, ninguém consegue fazê-la desistir.
— Mas por que ela está sangrando?
— É um efeito colateral.
Marcelo franziu a testa.
— Ela nunca teve isso.
— Começou há uma semana... quando a irmã desapareceu.
Ele passou a mão pelo rosto antes de continuar.
— A Cecil forçou suas habilidades muito além do limite. Agora, toda vez que usa os poderes, começa a sangrar. No início era só pelo nariz. Depois vieram as tonturas... e agora isso.
— Então precisamos impedi-la.
— Nem pense nisso.
A voz de Cecil surgiu atrás deles.
Os dois se viraram.
Ela estava pálida.
Muito mais do que antes.
— Olha o estado em que você está. Você vai morrer desse jeito. — disse Marcelo.
Ela sustentou seu olhar.
— Tudo bem... desde que eu encontre minha irmã.
Marcelo caminhou lentamente pelo salão e percebeu que os clientes voltavam a se mover normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Cecil desfezera a paralisação do tempo.
— Eu vou até a Sala Desconhecida com ou sem a sua ajuda. — Sua voz agora era quase um pedido. — Mas, sem você, vou precisar me esforçar muito mais.
Ela deu um passo à frente.
— Por favor, Marcelo.
Ele passou a mão pelos cabelos e soltou um suspiro pesado.
— Caramba, Cecil...
Thoughts
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Permalink"Teria sido melhor me dar um beijo." Ah, esse diálogo foi bom demais. No meio de tudo pesado, esse momento de respiro entre os três funcionou.
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PermalinkAquele sangue do ouvido dela bateu fundo. A urgência pra encontrar a irmã desaparecida ficou tão real.
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PermalinkQue suspense! Quando a mulher desapareceu eu quase grité. Marcelo lembra do Danilo de verdade, ou é só memória vazia?
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