IMUNE AO RELÓGIO
O beijo e o abraço são parâmetros permanentes no seio da sociedade e na vida das pessoas, casual e casais em geral.
Há detalhes que nascem para ignorar o calendário.
Não são urgentes, porque a urgência é o refúgio do que é passageiro; são, antes, permanentes. Existe a contramão do descarte, naquela zona franca da memória onde o tempo não ousa carimbar um fim.
O olhar que atravessa a sala, um verso que se ancora na mente e segue para o peito, o timbre de uma voz que parece uma música conhecida — essas são as matérias-primas do que é perene e essencial à alma. Não há etiqueta, código de barras ou vencimento para o que é autêntico. A autenticidade é o único conservante natural do longevo amor .
Muitos buscam o novo pelo simples brilho da novidade, esquecendo que o brilho se apaga conforme a poeira dos dias que se assenta. O que é "sem prazo de validade" não precisa brilhar o tempo todo; ele prefere o calor constante da brasa ao clarão efêmero do fósforo. É sobre o que resiste, o que matura e o que, mesmo após décadas, ainda mantém o frescor da primeira intenção.
Viver com esse propósito é um ato de resistência. É escolher o linho em vez do plástico, a crônica em vez do boato, o afeto em vez do contato. É entender que o que realmente importa não apodrece na estante da vida; apenas espera o momento certo de ser redescoberto, intacto, absoluto.
Como um bom vinho ou um amor de raiz profunda, o que vale a pena ser vivido é, por natureza, imune ao relógio. Um mundo de luz e paz para todos.
@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
opoetalk520.substack.com
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