Essa memória de Cecil entrando na mente dele enquanto tudo explodia... isso é tipo um poder? Como exatamente ela apagou cinco anos?
Capítulo 2 - Rastreadores
Me desculpem a demora.
In groups
Pensamento
Essa memória de Cecil entrando na mente dele enquanto tudo explodia... isso é tipo um poder? Como exatamente ela apagou cinco anos?
Conteúdo da publicação
Queridos leitores,
Atualizei este capítulo! Fiz uma nova revisão e acabei realizando algumas — na verdade, bastantes — alterações. 😅
Se puderem reler e deixar nos comentários o que acharam, vou agradecer muito! Quero saber se gostaram das mudanças, se alguma parte ficou confusa, se a história está interessante ou até mesmo se acham que ela está seguindo por um caminho muito comum.
Podem ser sinceros! Cada comentário, opinião e sugestão é muito importante para mim e contribui bastante para o desenvolvimento da minha escrita e da própria história. ❤️
Também lançarei os capítulos 3 e 4, então teremos bastante coisa nova por aqui!
Obrigada a todos que estão acompanhando e ajudando Rastreadores a crescer. ❤️
Depois do susto inicial ao recuperar suas memórias e descobrir que seus amigos não estavam tão seguros quanto imaginara, Marcelo começou a se lembrar daquele dia que havia mudado sua vida.
Sua cabeça doía sempre que uma nova lembrança surgia. Ele esfregava as têmporas com os dedos, desejando escapar daquele dia — e de tudo o que aquelas memórias traziam consigo.
O olhar desesperado de Cecil enquanto invadia sua consciência, procurando uma forma de desativar suas habilidades sem lhe causar sequelas permanentes. Era a primeira vez que ela tentava aquilo e não queria fazê-lo.
Não com Marcelo.
As lágrimas escorriam pelo rosto pálido de Cecil. Suas mãos permaneciam agarradas à cabeça de Marcelo enquanto uma dor lancinante atravessava sua mente, intensa o bastante para quase fazê-lo desmaiar.
Ele a ouvia repetir, várias vezes, que não podia perder a consciência naquele momento, pois, se isso acontecesse, ela não conseguiria apagar sua memória.
Cecil se arrependia de um dia ter contado a Marcelo sobre aquela possibilidade.
Mesmo com a dor excruciante, ainda conseguia ouvir os gritos ao longe, misturados às explosões que sacudiam o lugar. A temperatura aumentava rapidamente, fazendo sua pele arder. Era como estar preso dentro de uma caldeira — ou à beira de um vulcão.
A Sala estava em chamas.
Aquela maldita sala que nunca deveria ter sido encontrada.
Um ano antes daquela tragédia, surgiram rumores sobre a sala esquecida.
A Sala podia surgir em qualquer parte do mundo e permanecia em cada lugar por um período limitado. Ainda assim, escondia em seu interior segredos e riquezas capazes de levar pessoas de todos os cantos a procurar por sua localização.
Havia rumores de que guardava relíquias capazes de conceder habilidades a quem não as possuía ou potencializar aquelas que alguém já tinha. Mas eram apenas teorias. Ninguém jamais conseguira comprová-las.
Aquilo deveria ter servido de alerta, mas não serviu.
Pelo contrário.
Foi o bastante para que o grupo de Marcelo se juntasse a outros e partisse em busca da Sala Desconhecida.
Naquela época, eram jovens e sonhadores demais para perceber o tamanho do perigo em que estavam se metendo.
Tudo aconteceu rápido.
Assustadoramente rápido.
O medo e o horror voltaram com toda a força. A angústia apertou seu peito de tal maneira que, por um instante, Marcelo desejou nunca ter despertado aquelas lembranças.
Seus olhos ardiam como se ainda estivesse naquele lugar, cercado pelo calor e pelas chamas.
Por um momento, pensou em desistir, talvez procurar pela Sala novamente fosse um erro, mas bastou olhar para Cecil para mudar de ideia.
Ela estava debilitada. Sua expressão, antes calorosa e suave, agora refletia alguém fria e dura.
Quando a viu depois de despertar, seu peito se encheu de alegria. Mas bastou notar o sorriso fraco em seu rosto para perceber que alguma coisa havia mudado.
A Cecil de quem se lembrava já não estava diante dele.
Ela insistira que precisavam seguir imediatamente para a Sala. Que estavam sem tempo para conversas.
Marcelo fez o contrário.
Insistiu em levá-los para sua casa, que ficava a algumas quadras da pizzaria. Lá poderiam conversar com mais discrição e planejar o que fariam.
— Você quer ir para aquele lugar sem planejamento nenhum, igual à última vez? É assim que pretende salvar a Bete? Faz uma semana, Cecil... Pelos meus cálculos, ainda temos algum tempo.
Danilo tinha razão.
Se quisessem ter alguma chance de sucesso naquele resgate suicida, precisariam de um plano extraordinário. E, nesse aspecto, Cecil sempre fora a melhor entre eles, mas o conflito que travava dentro de si a impedia de enxergar a situação com clareza.
E Cecil sabia disso.
Uma decisão errada dentro daquele lugar poderia resultar na morte de todos.
Seu olhar contrariado diante das palavras de Danilo deixou claro que não tinha mais argumentos e que estava agindo de forma irracional. Ela não falou mais nada durante o resto do caminho.
Assim que chegaram à casa de Marcelo, Cecil foi direto para o quarto, deitou-se na cama e adormeceu.
Era nítido que seu corpo estava cansado demais e precisava se recuperar.
Danilo soltou um suspiro de alívio e foi até a geladeira procurar alguma coisa que pudesse usar para preparar o que haviam combinado durante o caminho.
Depois de esperar por meia hora, Marcelo atravessou a sala e seguiu até seu quarto. Encontrou Cecil dormindo profundamente. Abriu o guarda-roupa, pegou um lençol e a cobriu com cuidado.
Por alguns instantes, permaneceu observando seu rosto tranquilo.
Era estranho vê-la tão vulnerável.
Em seguida, voltou para a sala e se acomodou no velho sofá que ganhará de seu tio. Sua cabeça ainda doía. A dor estava mais leve, mas continuava incomodando.
A casa permaneceu em silêncio.
O único som era o de Danilo “cozinhando”.
Mas preparar sanduíches não era exatamente o que Marcelo chamaria de cozinhar.
Lembrava-se perfeitamente de como o amigo costumava fugir da cozinha enquanto Cecil e ele eram os responsáveis por preparar as refeições.
Aquilo trouxe de volta lembranças da época em que trabalhavam juntos, faziam planos e acreditavam que poderiam ganhar o mundo. Nada daquilo parecia real ainda. Por um momento, um sentimento de nostalgia o invadiu novamente. Provavelmente, esse sentimento continuaria voltando enquanto Marcelo recuperasse sua memória.
Elas nunca voltavam de uma vez. Isso poderia literalmente explodir sua cabeça, alertara Cecil quando Marcelo contou que ainda não conseguia se lembrar das coisas com clareza.
Pouco depois, Danilo apareceu com duas tigelas e entregou uma a Marcelo.
— Sopa? — perguntou, surpreso.
Aquilo definitivamente era cozinhar.
Danilo apenas se acomodou na poltrona do outro lado da sala, satisfeito. Ainda não havia reparado no silêncio do amigo — algo nada comum, principalmente quando se tratava de Danilo.
— É o que faço para a Cecil quando ela fica nesse estado — respondeu, experimentando uma colherada. — Prova. Está excelente.
Marcelo pensou em responder que ainda não gostava de sopa e que jamais imaginara que um dia o veria cozinhando, mas aquele não parecia o momento mais oportuno para comentar.
Tinham um problema muito maior nas mãos e ainda não faziam ideia do que fariam. Afinal, simplesmente ir atrás da Sala não podia nem ser considerado um plano.
— Desde quando você cozinha para ela?
Marcelo estava curioso para saber como os amigos haviam vivido durante aqueles cinco anos sem ele, mas não parecia certo perguntar. Afinal, fora ele mesmo quem decidira apagá-los de sua memória.
— Desde aquele dia... — respondeu Danilo, em um tom sério, antes de voltar a tomar a sopa.
— Você me disse que ela começou a ter efeitos colaterais semana passada?
Danilo ficou em silêncio.
Era nítido que procurava as palavras certas para amenizar o que estava prestes a revelar.
— Eu menti.
Seu tom era calmo, mas não continha arrependimento.
— Não queria te bombardear com essas coisas assim que você acordou.
Marcelo queria perguntar mais, mas não estava preparado para ouvir que, de alguma forma, aquilo poderia ser culpa sua. Sabia que era covardia evitar a resposta, mas o medo dessa possibilidade o consumia.
Enquanto levava a tigela à boca, observou Danilo.
A última lembrança que tinha dele era dos cabelos curtos e de uma expressão muito mais jovem.
Agora, seu rosto parecia carregar o peso daqueles cinco anos.
Então outra lembrança tomou conta de sua mente.
Danilo olhando para ele em completo desespero.
Marcelo afastou aquela imagem da mente.
— Como me tiraram daquele lugar?
Danilo deixou a colher cair dentro da tigela.
Marcelo já esperava que aquele fosse um assunto difícil. Não houvera despedidas, apenas a urgência desesperada de pôr fim àquela matança.
— Não precisa me contar agora... Podemos conversar depois que a Cecil acordar.
O amigo ergueu os olhos e abriu um largo sorriso.
O mesmo sorriso que costumava fazer sempre que estava prestes a mostrar alguma de suas invenções ou quando tentava amenizar alguma situação ruim.
E aquilo, com certeza, era ruim.
— Tranquilo... — respondeu, ainda sorrindo. — Eu te arrastei até o lado de fora enquanto Cecil nos dava cobertura. Jogamos você dentro daquela van caindo aos pedaços, deixamos você na frente da casa do seu tio e saímos cantando pneu.
Uma gargalhada escapou de Danilo.
Marcelo o encarava, completamente perplexo.
Esperava ouvir algo mais sério.
Talvez até triste ou, quem sabe, um pouco emocionante.
Mas ele estava sorrindo.
— Eu disse para você não contar essa parte para ele.
Cecil estava parada na porta do quarto. Ela sempre surgia assim.
A expressão divertida de Danilo desapareceu no instante em que encontrou o olhar indignado de Marcelo.
— Então ele não está mentindo? — perguntou Marcelo, indignado.
Ela deu de ombros e caminhou até Danilo, sentando-se ao lado dele em uma cadeira que havia puxado. Em seguida, passou a mão delicadamente pelo rosto dele.
O amigo se encolheu imediatamente.
— Isso dói!
— Se não quiser ter pesadelos hoje, sugiro que pare de sorrir.
Danilo se afastou um pouco, apenas concordando com a cabeça, embora ainda mantivesse um sorriso de canto.
Depois, voltou sua atenção para Marcelo.
— O que o seu tio contou para você? — perguntou ela.
Marcelo se empertigou no sofá.
Era ele quem deveria fazer as perguntas, mas, em se tratando de Cecil, responder às perguntas dela dava mais margem para obter informações do que tentar interrogá-la.
— Disse que, quando estava saindo para ir até a pizzaria, me encontrou desacordado na frente da casa dele. Me levou para o hospital e, depois do diagnóstico de amnésia, nunca mais falou sobre o assunto.
Marcelo recordou o momento em que despertou no hospital.
Seu tio estava sentado ao lado da cama. Assim que percebeu que ele havia acordado, levantou-se às pressas para chamar o médico.
O médico explicou que Marcelo estava com perda de memória e que provavelmente algo traumático poderia ter acontecido com ele. Disse também que deveria estimular o cérebro para tentar recuperar as lembranças.
Mas a única coisa que Jorge lhe falou naquele dia foi que aquilo poderia ter sido uma bênção.
Ele não revelaria isso aos amigos.
— Ele nunca falou da gente? — perguntou Danilo.
— Na verdade, não.
— Eu também não falaria, se fosse ele. — comentou Cecil despreocupada.
— Cecil... — repreendeu Danilo.
— Ele sempre achou que fôssemos uma péssima influência. É normal que tenha reagido assim.
Cecil sempre percebia as pessoas.
Ela tinha uma ótima leitura.
— Mesmo assim, podia pelo menos ter mencionado a gente — retrucou Danilo.
— Acho que foi justamente por isso que não nos mencionou.
Cecil se virou para Marcelo, como se buscasse nele a confirmação de sua teoria.
Naquele momento, ele agradeceu pelo fato de ela não poder ler sua mente.
— Preferiu que o Marcelo não se lembrasse da gente.
Ela ainda o encarava com curiosidade.
Será que, enquanto o despertava, havia visto alguma coisa?
— Ou de você? — acusou Danilo.
Os dois olharam para ele ao mesmo tempo.
— Do que você está falando? — perguntou Cecil, confusa.
O sorriso largo voltou ao rosto de Danilo.
— Estou falando do lance de vocês.
— La... Lance? — perguntou Marcelo, nervoso.
— Não tinha lance nenhum — respondeu Cecil, apressada, enquanto encarava Marcelo.
Ele apenas balançou a cabeça devagar, negando.
— Ah, vocês vão negar assim, na cara dura?
Danilo ficou em silêncio por um instante, como se estivesse formulando alguma teoria em sua mente.
— Eu vi o beijão que vocês deram na casa do seu tio. Fiquei em choque.
Não era teoria.
Ele aguardou uma resposta, olhando de um para o outro com um olhar desafiador.
— Eu não mencionaria isso até que vocês assumissem alguma coisa, mas, se eu vi algo, então seu tio superdesconfiado também poderia ter visto.
Marcelo não sabia que alguém havia visto o beijo deles naquela noite.
Tinha certeza de que estavam sozinhos na sala.
Será que Jorge havia visto também?
— Vão continuar negando?
— Não faço ideia do que você está falando. Vamos falar do que realmente importa — Cecil falou, irritada.
Danilo, levantou-se de um salto, deixando a tigela sobre a mesinha de centro.
— Isso, Cecil! Vamos falar sobre o nome do nosso grupo...
Danilo falava com animação enquanto ela revirava os olhos.
— “Rastreadores”.
— Cara, não. Esse nome é ridículo.
Marcelo balançou a cabeça.
— Esquece esse negócio de nome, Danilo. Temos coisas mais importantes para resolver.
Danilo encarou os dois com seriedade.
Ele havia escolhido aquele nome porque a habilidade de Marcelo se destacava acima das dos outros rastreadores. Seus parceiros e amigos, porém, não gostavam do nome, principalmente Marcelo.
Ele era o único capaz de encontrar a Sala Desconhecida quando ela estava inativa. Destacava-se entre todos os rastreadores que já haviam conhecido.
E isso era extraordinário.
— Ou vocês aceitam o nome do grupo ou voltamos a falar daquele beijo escandaloso.
— Não foi escandaloso! — retrucou Cecil imediatamente.
Danilo arqueou uma sobrancelha.
— Ah... então você confirma que o beijo aconteceu.
Cecil percebeu a armadilha tarde demais.
— Tudo bem. O nome do grupo vai ser “Rastreadores”.
— Isso mesmo. É um ótimo nome! — Marcelo concordou na mesma hora.
Seria difícil fazer Danilo desistir de um assunto pelo qual ele já lutava havia anos.
Sem sucesso...
Até agora.
Danilo sorriu, satisfeito com a rendição dos dois.
— Agora sim, meus amigos...
Abriu os braços, teatral, como se estivesse anunciando o início de uma nova era.
Cecil apenas balançou a cabeça em negativa, enquanto Marcelo baixava o olhar para o chão.
— Os Rastreadores voltaram.
Thoughts
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PermalinkO jeito que Marcelo observava o rosto dela dormindo tem uma coisa de cuidado que diz tudo sobre que tipo de person ele é.
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PermalinkEssa memória de Cecil entrando na mente dele enquanto tudo explodia... isso é tipo um poder? Como exatamente ela apagou cinco anos?
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PermalinkAmei como Danilo consegue ser engraçado mas ao mesmo tempo você sente que ele carregou muito peso nesses cinco anos.
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PermalinkA cicatriz que Danilo deixou no rosto dele foi por causa daquela van? ⏰
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PermalinkPor que a Cecil quer voltar pra Sala se ela está tão debilitada? Tem algo que ela sabe e os outros não?
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PermalinkAquela coisa do beijo parece ser muito mais complicada do que os dois estão deixando parecer.
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PermalinkDanilo soltando que jogaram Marcelo dentro de uma van caindo aos pedaços foi detonador demais 😂
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PermalinkAgora que Marcelo está começando a lembrar, ele vai querer ir atrás da Elisabete ou vai tentar conter a Cecil?
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