Julgamos Judas por entregar Cristo. Ouvimos seu nome e sentimos desprezo. Aquele que vendeu o Mestre por moedas, que beijou o rosto Santo e o entregou aos homens.
Julgamos Pedro por negar três vezes, por ter medo, por fugir quando a cruz se aproximava. Julgamos Tomé porque quis tocar para crer, porque não se lançou sem ver, porque hesitou.
Mas quem somos nós para julgá-los? Não entregamos Cristo por tão pouco, todos os dias? Não o negamos com nossos pecados? Não o esquecemos quando nos convém?
Dizemos que jamais faríamos o mesmo, mas trocamos Cristo por desejos passageiros, por migalhas de prazer, por palavras vazias, por promessas que nunca cumprimos.
Pedro chorou amargamente. Judas não suportou sua própria traição. Tomé tocou as chagas e se rendeu. E nós? Nos arrependemos de verdade?
Jó sofreu sem culpa, permaneceu fiel. Mesmo no silêncio, mesmo na dor, manteve sua integridade intacta. Mas nós, que fraquejamos ao menor abalo, que caímos por tão pouco, que justiça temos para apontar os erros dos outros?
Cristo foi negado, traído, abandonado. E ainda assim, nos acolhe. Ainda assim, nos chama. Ainda assim, nos ama.
Não julguemos Judas. Não julguemos Pedro. Não julguemos Tomé. Não julguemos uns aos outros. Devemos observar nós mesmos, parar de pecar, parar de trair Jesus constantemente. Porque, apesar d’Ele ser misericordioso, nós temos que parar de traí-Lo por tão pouco.
- Gabriel Anjos