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A Deus: entre promessas e orações

ManuelaNegrini

Conteúdo da publicação

Deus, por que deixou essa guerra acontecer?

Quantas crianças mais passarão a deixar de crescer?

Por que não posso, a bandeira da minha pátria querida, voltar a hastear?

Por que sou culpado por querer paz e por ao próximo amar?

Cumpro meu dever como escoteiro, de fato

Tento ajudar o senhor, a natureza não desmato

Trabalho em equipe e ajudo ao próximo

No serviço, até completamente me esgotar, dou meu máximo

Na minha palavra, sempre sou legítimo

Por que continuamos sendo punidos como se fizéssemos apenas o mínimo?

Queria com meus companheiros voltar a acampar

O ar puro, gostaria de voltar a respirar

Sem o cheiro da fumaça das pessoas que amei no ar

Não quero tornar a ver minha família de coração só naquele campo sujo

Quero tantas coisas que daria para encher um bujo

O que mais posso fazer para que todos não tenham um final ruim?

Sem que nossa raça inteira chegue ao fim

Se concordassem em finalizar o conflito assim

Assumiria toda a culpa e deixaria me darem um fim

Porque não aguento mais ver gente inocente falecer cruelmente

Não por serem criminosos, mas apenas por serem de "raça diferente"

Não quero mais ser paciente

Quero que as crianças possam voltar a serem contentes

Quero que os adultos possam trabalhar livremente

E quero que os mais velhos tenham um fim tranquilo, e não quente

Acho que só se fosse assim, eu conseguiria partir desse mundo tranquilamente

Sei que não tenho idade e nem muita ambição

Mas que tamanho preciso ter para ajudar minha nação?

Não sou lobinho para ter que ser protegido e cuidado

Mas também não sou sênior, pioneiro ou chefe para lutar junto aos meus aliados

Sou apenas um jovem escoteiro

Fazendo o possível para dar um fim a essa guerra sem roteiro

Consigo atrapalhar os alemães com armadilhas

Para me esconder, vou andando sorrateiramente pelas restantes trilhas

Vou usando a natureza ao meu favor

Sem fazer um único som para não causar pavor

Consigo ajudar com primeiros socorros

Mas não consigo fazer com que os cemitérios sejam menos grandiosos

Ando pelo campo com apenas uma única arma, chamada fé

Rezando para que daqui em diante:

Minha raça não seja apenas chamada de "ralé"

Não sejamos mortos em lugares apertados e com cheiro um repugnante

E que a paz volte ainda mais radiante

Ainda mantenho a esperança de viver feliz

Pois como diz a canção da despedida diz...

"Por que perder a esperança de nos tornar a ver?

Por que perder a esperança, se há tanto querer?

Não é mais que um até logo

Não é mais que um breve adeus

Bem cedo, junto ao fogo tornaremos a nos ver"

Thoughts

  • luzDeVela

    O rapaz diz que a única arma que leva é a fé, e logo a seguir pede que o povo dele deixe de ser tratado como gente de segunda. Rezei por isso hoje, pelos de então e pelos de agora.

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  • IsabelFigueira

    Os escuteiros polacos fizeram mesmo isto durante a ocupação: chamavam-lhes as Fileiras Cinzentas, rapazes de quinze, dezasseis anos a sabotar e a levar mensagens, e os mais novos ficavam pelos primeiros socorros. O teu rapaz, que já não é lobinho e ainda não é chefe, cabe exactamente ali, no meio.

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  • ManuelaNegrini

    O eu lírico é de um escoteiro na segunda guerra mundial, para fazer mais sentido o texto

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