Quando a Lua Aprendeu a Amar
Há uma lenda que ninguém escreveu, porque ela só passou a existir na noite em que a Lua tropeçou no teu olhar.
Até ali, a Lua descia devagar, vestida de silêncio e prata, com a certeza absoluta de que era a obra mais bonita do universo.
Até que ela viu você.
Teus cabelos cacheados, ruivos,
não queimavam como o fogo;
tinham a cor exata daquele instante raro
em que o sol beija o horizonte
e se despede do dia.
Teus olhos claros
tinham o frescor da madrugada,
uma calma que acolhe as estrelas
sem pedir nada em troca.
E as pequenas sardas no teu rosto... pareciam versos que o céu esqueceu de apagar. Como se cada uma fosse uma estrela teimosa que preferiu morar perto do teu sorriso a se perder na imensidão.
Você usava quase nada de maquiagem. Não por pressa ou descuido, mas porque a própria natureza já tinha caprichado o suficiente. Você é como uma flor do campo: não precisa disputar espaço com as rosas,porque a tua beleza é feita de verdade e de simplicidade andando juntas.
Notei que você gosta do que é vivo: do vento bagunçando as árvores, do cheiro da terra depois da chuva, do café quente nas manhãs frias, de conversas sem pressa e daqueles silêncios que abraçam mais que palavras.
Foi aí que a Lua entendeu tudo. Compreendeu que brilho nenhum serve de nada quando falta delicadeza.
Naquela noite, ela desistiu de iluminar o mundo. Passou apenas a guiar o caminho que levava até você.
Porque existem pessoas que são bonitas. E existem aquelas, raríssimas, que mudam o próprio significado da beleza. Você é desse segundo tipo.
Agora, toda vez que olho para o céu, eu já não procuro a Lua. Procuro o reflexo da garota que ensinou ao universo inteiro que a luz mais bonita do mundo não nasce no topo do céu...
Nasce no sorriso simples de uma ruiva de cachos livres, olhos claros e sardas calmas. Um coração tão sereno que até a Lua, orgulhosa como sempre foi, aceitou, de bom grado, viver à sombra do teu brilho.
Autor: ALVES.S.LUCCA