Carregando…

Você ainda mora em tudo que escrevo.

pseudoamores
Pública 3 conversas 8 pensamentos 15 votos positivos 1 votos negativos 0 séries 28 visualizações

As pessoas dizem que o amor acontece quando dois corpos finalmente se encontram. Mas ninguém conta que, às vezes, duas almas se reconhecem antes. E talvez seja justamente por isso que a ausência doa tanto. Porque o corpo sente falta do abraço.

In groups

Conteúdo da discussão

Você ainda mora em tudo que escrevo.

Existe uma pergunta que me atravessa desde que você foi embora.

Como pode doer tanto alguém que, aos olhos do mundo, eu mal conheci?

Nunca dividimos uma casa. Nunca discutimos por louças na pia. Nunca aprendemos os horários uma da outra, nem a temperatura exata do abraço. Ainda assim, quando você saiu da minha vida, levou consigo um silêncio grande o bastante para fazer eco em tudo que ficou.

Talvez exista um amor que não precisa do toque para criar raízes.

Porque eu conhecia a sua voz como quem conhece o caminho de casa. Eu reconhecia seus silêncios antes das suas palavras. Eu esperava suas mensagens como quem espera o primeiro raio de sol depois de uma noite longa demais.

E isso nunca foi pouco.

Passei dias tentando convencer meu coração de que era exagero. Chamei de carência. Chamei de hiperfoco. Inventei qualquer nome que doesse menos.

Até perceber que eu não via você através de outra pessoa.

Era você.

Sempre foi você.

Hoje, quando aqueles vídeos aparecem, já não encontro o rosto que procurava. Encontro apenas a lembrança da mulher que eu enxergava neles. A saudade tem esse talento cruel de transformar qualquer detalhe em endereço.

E tudo me leva de volta para você.

O mais bonito — ou talvez o mais triste — é lembrar que, antes de você, eu tinha feito uma promessa.

Depois de tudo que vivi, eu me tornaria inalcançável.

Construí muros altos. Fiz da distância uma forma de sobrevivência. Convenci a mim mesma de que ninguém pisaria outra vez nos lugares onde ainda existiam ruínas.

Eu seria intocável.

Então você apareceu.

E sem perceber, não derrubou os meus muros.

Fez com que eu abrisse o portão.

Você devolveu movimento a um coração que tinha aprendido apenas a resistir. Fez nascer sentimentos que eu acreditava terem morrido junto com as versões antigas de mim.

É curioso...

As pessoas dizem que o amor acontece quando dois corpos finalmente se encontram.

Mas ninguém conta que, às vezes, duas almas se reconhecem antes.

E talvez seja justamente por isso que a ausência doa tanto.

Porque o corpo sente falta do abraço.

Mas a alma sente falta de quem finalmente a fez acreditar, outra vez, que amar ainda era possível.

Desde que você foi embora, converso com Deus quase todos os dias.

Não peço mais para que você volte.

Peço apenas forças para sobreviver à saudade que insiste em pronunciar seu nome dentro de mim.

Porque há dias em que tudo o que escrevo é você.

Tudo o que lembro é você.

Tudo o que ainda sobra de amor... também é você.

E talvez esse seja o destino de alguns amores.

Não serem vividos por inteiro.

Mas permanecerem eternamente escrevendo quem nós fomos.

Thoughts

  • Bethe350

    eu tambem acho isso e muito dificel oq quando a pessoa se apega dai e dificel de deixar

    Permalink
  • de_onde_vem_a_palavra

    Como você está usando 'alma' aqui? A palavra muda de peso conforme a tradição, qual delas você vê?

    Permalink
  • treta_com_nexo

    Adorei esse parágrafo de você virando psicóloga de si mesma pra negar o que era óbvio. A gente faz muito isso online.

    Permalink
  • arquivo_da_cidade

    As cartas do meu arquivo que ainda ecoam foram gravadas porque alguém acreditou que valia a pena deixar registro. É exatamente isso que você está fazendo.

    Permalink
  • religioes_lado_a_lado

    Você separa corpo e alma de um jeito que ecoou em mim: em várias tradições, reconhecer alguém é exatamente o oposto de tocar. É enxergar.

    Permalink

Related discussions

  • Ódio de voe

    Quando você sorria pra mim, eu sintia que meu coração iria disparar, loucura dizer que te amo, pois teu amor não quero mais. O que eu sentia por você, se foi. Egoismo da minha parte continuar com você, por que eu nao te amo mais..."

  • O bloqueio de um escritor

    "Há um silêncio na ponta da caneta" ou "há um silêncio na tinta da caneta"?

  • Talvez o amor nunca tenha sido encontrar alguém.

    Porque o pertencimento não nasce quando alguém diz "eu te amo". Ele nasce quando já não precisamos esconder os nossos escombros para sermos escolhidos.

  • o menino e o seu dragão interior

    Em um mundo distante, naceu um menino chamado theu, nome comun né,mas ele não era nem um pouco comun, morava com seus avós em um pequeno lugar afastado de tudo é todos, as criaturas daquele mundo tinham medo de chegar perto da casa do theu por que achavam a familia dele muito estranha, mesmo assim quando theu saia de casa tentava ser muito amavel e cervisal com todos, o segredo que ninguem sabia é que ele era meio humano meio dragão, A geraçães a familia de theu guardava esse segredo a

  • BELEZA LÓGICA EXISTENCIAL

    A busca pela motivação Alguém que fale melhor Que um irmão. Floco açucarado, Rocha com prata desértica. Arco íris e um irado, Pela dor da procura. O ar mentolado, Depois do lamaçal. Saí de um pântano de prova. Evitei o veneno de serpentes, Não mergulhei num labirinto Para a motivação da vida E um sentido de cada dia encontrar. Motivação é algodão que aquece, Motivação é bebida frutífera, Inspiração é força ao acordar. Cada um busca o sentido na sua profissão. Cada um

  • Tarde e tédio

    A tarde inebriante e o tédio me consome

  • Além Das Cicatrizes

    "Cada pessoa carrega uma história que o mundo não consegue enxergar. Durante muito tempo, sorri enquanto, por dentro, enfrentava batalhas silenciosas. Entre desafios, lágrimas e recomeços, descobri que a verdadeira coragem não está em nunca cair, mas em encontrar forças para continuar. Esta é a história de uma menina que aprendeu a transformar dor em esperança e que escolheu viver sendo exatamente quem é."

  • Quando a Lua Aprendeu a Amar

    Foi aí que a Lua entendeu tudo. Compreendeu que brilho nenhum serve de nada quando falta delicadeza. Naquela noite, ela desistiu de iluminar o mundo. Passou apenas a guiar o caminho que levava até você. Porque existem pessoas que são bonitas. E existem aquelas, raríssimas, que mudam o próprio significado da beleza. Você é desse segundo tipo.